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O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso
G1 — Política · 2026-09-08T12:10:58.000Z
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso
Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso decidiu não assinar a carta em que 13 ministros aposentados da Corte manifestam apoio ao presidente do tribunal, Edson Fachin. Barroso entende que pode contribuir internamente para a solução da crise. O ex-presidente mantém diálogo tanto com Alexandre de Moraes, quanto André Mendonça.
A carta de ex-ministros cobra a convocação urgente de uma sessão do plenário para apurar os “gravíssimos fatos” que, segundo o documento, estão provocando a mais aguda crise da história do STF.
Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Ayres Britto e outros 10 ministros aposentados pedem a Fachin 'imediata e rigorosa' apuração de crise no STF
Barroso explicou aos ex-colegas que preferiu ficar fora do manifesto porque, tendo deixado o Supremo há poucos meses, mantém relações pessoais com os atuais ministros e vem conversando com integrantes da Corte, inclusive os que hoje estão em posições antagônicas, na tentativa de contribuir para uma solução interna da crise.
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“Não me sinto confortável de assinar um manifesto externo, que me privaria da possibilidade de procurar contribuir internamente para o melhor encaminhamento do assunto”, afirmou Barroso na mensagem enviada aos ex-ministros.
O ex-presidente do STF fez questão, porém, de manifestar apoio a Fachin. Disse “louvar” a iniciativa de respaldo ao atual presidente e afirmou que sua “integridade e equilíbrio orgulham o Tribunal”.
Barroso relatou ainda que, nas últimas semanas, tem mantido contato com diversos ministros, “refletindo sobre as soluções possíveis e desejáveis”. Segundo ele, durante uma recente internação hospitalar, recebeu a visita de vários colegas, “inclusive os que se encontram em posições antagônicas”.
A decisão de Barroso de não assinar chama atenção porque a carta reúne um grupo expressivo de ex-integrantes do Supremo, entre eles vários ex-presidentes da Corte.
Também não assinaram o manifesto os ex-ministros Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio.
Assinam a carta Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber.
“Mais aguda crise de sua história”
A carta é curta, mas dura. Os ex-ministros dizem ter “plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza” de Fachin para conduzir o Supremo no que classificam como “a mais aguda crise de sua história”.
Mas o apoio vem acompanhado de uma cobrança objetiva: querem que Fachin convoque, “com toda a urgência”, uma sessão pública do plenário para que os 11 ministros do STF decidam sobre uma “imediata e rigorosa apuração” dos fatos que vieram a público.
Segundo os signatários, as revelações são graves a ponto de comprometer “o prestígio e a autoridade” do Supremo, “a confiança do povo” e até “a estabilidade das instituições democráticas”.
Os ex-ministros também fazem questão de registrar que a investigação deve ocorrer “sob o devido processo legal”.
A manifestação coloca pressão sobre Fachin justamente porque não parte de adversários históricos do Supremo. Ao contrário: é assinada por 13 pessoas que ocuparam as mesmas cadeiras dos atuais ministros e conhecem por dentro o funcionamento e as consequências institucionais de uma crise na Corte.
Barroso escolheu um caminho diferente: não aderiu publicamente à cobrança por uma sessão do plenário, mas também não se colocou contra a iniciativa. Sua justificativa é que pretende preservar uma espécie de canal informal de interlocução entre ministros que hoje ocupam lados diferentes da crise.
Em resumo: enquanto 13 ex-ministros decidiram pressionar o Supremo de fora para dentro, Barroso diz que prefere tentar ajudar de dentro para fora.