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O segredo das vitórias do São Paulo | A Voz do Setorista
ge — Futebol · 2026-09-08T13:54:01.000Z
O segredo das vitórias do São Paulo | A Voz do Setorista
À sombra dos gigantes de Buenos Aires, o Chacarita Juniors, modesto clube de San Martín, na região metropolitana da capital argentina, guarda como um de seus maiores orgulhos a relação de amizade com o São Paulo, que deve ser revisitada nesta terça-feira, no duelo entre o Tricolor e o Boca Juniors, em La Bombonera, pela Sul-Americana, às 21h30.
É comum ver homanegens na relação entre as equipes
Arquivo/ Matías Pinto
Fundado em 1906, o Chacarita atualmente disputa a segunda divisão do futebol argentino, mas é visto no país como um clube tradicional, com uma torcida participativa.
Com as mesmas cores do São Paulo, o Chacarita Juniors viu na semelhança cromática um caminho para se encantar com a equipe brasileira, que se tornou protagonista na América do Sul a partir dos anos 1990.
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— A origem da amizade nasce nos anos 90, início dos anos 2000, sobretudo pela quantidade de partidas que o São Paulo jogava pela Copa e talvez tivesse que vir à Argentina e, obviamente, em relação às cores, ou seja, o fato de compartilharem a mesma camisa, tanto o Chacarita quanto o São Paulo, fez, me parece, com que a torcida se interessasse pelo time e tentasse acompanhar nesses jogos da Copa Libertadores — conta Matías Maria, torcedor do Chacarita Juniors, em entrevista ao ge.
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Desde então, se tornou cada vez mais comum ver camisas do São Paulo no estádio do Chacarita, em Villa Maipú. A relação ganhou força durante a campanha da Libertadores de 2005, quando torcedores da equipe argentina se uniram aos brasileiros na arquibancada do Monumental de Núñez para torcer na semifinal contra o River Plate.
"Vai lá de coração"
— Há relatos de que sempre que o São Paulo jogava na Argentina tinha presença de torcedores do Chaca. Na Libertadores de 2005, isso foi bastante notável, quando um grupo grande de torcedores do Chacarita acompanhou a torcida do São Paulo no Monumental de Núñez. Inclusive, levaram uma faixa provocando o River e fazendo alusão a essa amizade — conta Matías Pinto, torcedor do São Paulo e do Chacarita Juniors.
Torcedores do Chaca levaram faixa em provocação ao River durante semifinal de Libertadores
Arquivo/ Matías Pinto
Com a vantagem de ter vencido o jogo de ida por 2 a 0 no Morumbis, o São Paulo se impôs diante do River Plate e garantiu a vaga na decisão após uma vitória por 3 a 2. Nas arquibancadas, os torcedores do Chacarita estenderam uma faixa agradecendo ao Tricolor e provocando o gigante argentino.
É também daquela noite que teria surgido um dos cantos mais conhecidos da torcida são-paulina. Após o fim da partida, torcedores do Chacarita entoaram uma adaptação da música “Ella Se Llamaba”, do cantor mexicano José María Napoleón, comum nas arquibancadas argentinas.
A canção ganhou uma letra para apoiar o São Paulo.
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— Aí que acaba surgindo esse cântico, que depois se torna tão emblemático, principalmente na conquista do tri brasileiro de 2006 a 2008. Se tornou uma música símbolo desse período, vem da comemoração junto aos torcedores do Chaca em 2005 — conta Matías Pinto.
Os gols do São Paulo contra o River Plate, na Argentina, pela Libertadores de 2005
Em cima do rival
A relação entre as torcidas ficou ainda mais próxima nos anos seguintes. Outro momento que fortaleceu o laço foi a decisão da Sul-Americana de 2012, entre São Paulo e Tigre, um dos maiores rivais do Chacarita Juniors.
Torcedores do Chacarita apoiaram o São Paulo durante final da Sul-Americana
— Em 2012, a final com o Tigre foi muito importante para a amizade com o São Paulo, porque o Tigre é um dos maiores rivais do Chacarita, e foi bastante emocionante para os torcedores do Chacarita. Houve muita mobilização, muita gente foi acompanhar e, obviamente, nesse sentido, foi algo especial essa final — conta Matías Maria.
As equipes empataram o jogo de ida por 0 a 0, em La Bombonera. Na volta, o São Paulo fez 2 a 0 no primeiro tempo, mas o Tigre não voltou do intervalo, sob alegação de violência policial no vestiário. Sem a disputa da etapa final, o Tricolor ficou com o título no Morumbis.
O desfecho virou motivo de provocação dos torcedores do Chacarita contra o rival.
— Muitas das brincadeiras contra o Tigre são justamente sobre abandonarem a final contra o São Paulo, em um jogo que claramente o São Paulo ia ganhar, era muito melhor que o Tigre. Foi algo especial que reforçou a amizade — conta Matías.
Em 2016, o Chacarita Juniors convidou o São Paulo para um amistoso em comemoração aos 110 anos do clube, realizado no estádio da equipe argentina. O Tricolor foi representado pelo time sub-20 e venceu por 2 a 1. Jogadores formados em Cotia, como Éder Militão e Luiz Araújo, participaram da partida.
São Paulo e Chacarita Juniors fizeram amistoso em 2016
Igor Amorim/São Paulo
O encontro também levou torcedores são-paulinos a San Martín. A Independente fretou um ônibus para acompanhar a partida, segundo Matías Pinto, que esteve no estádio.
— Eu me lembro com muito carinho, com muita emoção, porque sempre existe essa expectativa de jogar contra eles. De fato, acho que um dos grandes sonhos do torcedor do Chacarita seria disputar, em algum momento, uma Copa Sul-Americana ou Libertadores e ter que conhecer o Morumbi — conta Matías Maria.
O amistoso também deixou uma marca permanente em San Martín: um grafite em homenagem ao São Paulo foi pintado no estádio. Em 2023, o artista Allan Salles devolveu a cortesia e, com a ajuda de torcedores, fez um mural do Chacarita nos arredores do Morumbis.
Símbolo e mascote do São Paulo pintados no estádio do Chacarita
A presença de símbolos dos dois clubes também se tornou comum nas arquibancadas. Camisas do Chacarita são vistas no Morumbis, enquanto uniformes são-paulinos aparecem em San Martín.
— Há muitas camisetas (do São Paulo) nas arquibancadas, e tem muitas pinturas do escudo do São Paulo no estádio. Algumas foram feitas na partida do dia do aniversário, outras foram surgindo. Tem muitos torcedores do Chacarita que usam a camisa do São Paulo pelas cores e pela amizade — disse Matías Maria.
Matías Pinto conheceu o Chacarita justamente pela relação com o São Paulo. Começou a acompanhar o clube argentino à distância e, em 2010, viu a equipe jogar pela primeira vez, durante uma viagem a Buenos Aires. Dois anos depois, tornou-se sócio.
Segundo o brasileiro, acompanhar de perto as dificuldades do Chacarita também serviu como uma forma de preparar o coração são-paulino para os reveses que vieram depois do período de conquistas vivido pelo Tricolor.
— Acompanhando o Chacarita, depois com as crises que o São Paulo enfrentou depois de 2013, eu criei uma casca. Esse intercâmbio serviu também para acompanhar o São Paulo ‘en las malas’, como se diz na Argentina. Me ajudou a me preparar para o que vinha, principalmente depois de 2013.
Torcedores com a camisa do São Paulo são vistos nas aquibancadas do Chacarita
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