ITATIBA1
Celina Leão fala sobre pedido de investigação contra a família
G1 — Brasil · 2026-09-08T14:59:23.000Z
Celina Leão fala sobre pedido de investigação contra a família
Candidatos ao governo do Distrito Federal foram ao Ministério Público do DF, nesta terça-feira (8), pedir investigação sobre repasses no governo de Celina Leão (PP), revelados pela jornalista Bela Megale, do O Globo. O g1 também teve acesso ao material.
Segundo a denúncia, uma empresa controlada pelo marido e pela filha da atual governadora do DF teria recebido R$ 1,4 milhão da Real JG Facilities, que tem contratos com o governo do DF e, portanto, recebe recursos públicos (veja detalhes abaixo).
A candidata ao governo Celina Leão se manifestou sobre a denúncia durante uma agenda de campanha e disse estar tranquila em relação ao caso.
"Quando todos se juntam querendo criar uma ilegalidade em algo que não é ilegal, eu tô muito tranquila. Eu acho que aquilo que você prestou nota, publicou na sua receita, eu acho que eles partem pra um debate muito baixo, atacando a família das pessoas. Isso, eu acho que a população do Distrito Federal não vai tolerar., afirmou a governadora.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp.
Ainda de acordo com o documento obtido pela reportagem, os pagamentos teriam ocorrido mensalmente, por meio de 14 notas fiscais de R$ 100 mil, entre maio de 2025 e junho de 2026. A empresa atribuída ao marido e à filha de Celina é a Faceng Engenharia.
A representação formalizada pelos candidatos ao GDF também destaca que a Real JG firmou, em agosto de 2024, contrato de R$ 2,23 milhões com o gabinete de Celina Leão que, à época, ainda ocupava o cargo de vice-governadora. Nove meses depois, teriam começado os repasses mensais.
Estiveram presentes os candidatos José Roberto Arruda, Kiko Caputo, Leandro Grass, Paula Belmonte e Ricardo Cappelli. Eles pedem que o MP instaure um inquérito civil público ou um procedimento ou um procedimento investigatório criminal sobre a denúncia.
O que dizem os documentos
Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT)
As 14 notas emitidas para a Real JG Facilities trazem a mesma descrição: "SERVIÇOS DE ENGENHARIA CIVIL", sem maiores detalhamentos.
Entre 2013 e 2026, a empresa recebeu cerca de R$ 2 bilhões do GDF, conforme Portal da Transparência.
Em 2025, enquanto pagava R$ 100 mil por mês à empresa do marido da então vice-governadora, a Real JG Facilities assinou cerca de R$ 427,1 milhões em novos contratos com o GDF.
Em junho de 2026, já com Celina Leão como governadora, assinou mais R$ 14,58 milhões.
O que disseram os candidatos
José Roberto Arruda
"Deixamos de lado as nossas naturais diferenças ideológicas, diferentes projetos para a Brasília, para nos unirmos em torno do mínimo de transparência do atual governo. Pedimos também que o Ministério Público Eleitoral se posicione porque há naturalmente uma falta de paridade de armas, o uso de dinheiro público na campanha fora do fundo eleitoral."
"A gente ainda aguarda as explicações da governadora com relação a esse contrato que tudo leva a crer que não é um contrato regular. A gente tem que dar um passo atrás e ver o absurdo de um contrato de R$ 1,4 milhão para serviço de copeira da vice-governadora. Há anos, Brasília não sai das páginas policiais. A população já está de saco cheio de tanta corrupção.
"Eu defendo que haja uma distinção entre o que é de interesse da família da governadora e dela, e aquilo que é interesse da população no DF. O dinheiro da população no DF tem que ser usado para a população no DF, e não para o interesse privado. Brasília tem que ser um exemplo de integridade, de gestão pública séria, de transparência, de verdade."
"Estamos aqui para pedir investigação. Quando uma contratada do governo transfere R$ 1,4 milhão para um negócio ligado à família de quem governa, Brasília tem o direito de saber por quê. É por isso que estamos juntos hoje, pedindo ao Ministério Público que investigue. Brasília merece transparência e merece respostas."
"É por isso que as pessoas estão chegando nas unidades de saúde e não tem médico. É por isso que não tem fio de sutura pra dar ponto, é por isso que não tem remédio. Esse é o dinheiro do Distrito Federal que vai escorrendo pelo ralo, sendo desviado. Toda semana é um escândalo diferente no Distrito Federal. Nós precisamos mudar isso e a gente quer que o Ministério Público faça a sua parte."
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.