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Nova serpente é descoberta e ganha nome em homenagem a um famoso guitarrista de rock

Nova espécie de cobra é descoberta e ganha nome em homenagem a Slash, do Guns N' Roses

G1 — Brasil · 2026-09-08T18:18:13.000Z

Nova espécie de cobra é descoberta e ganha nome em homenagem a Slash, do Guns N' Roses

CanvaPro / C. C. Austin

Uma nova espécie de serpente encontrada em Papua-Nova Guiné acaba de entrar para a ciência com um nome familiar aos fãs de rock. Batizada de Lielaphis slashi, a cobra recebeu o nome em homenagem ao guitarrista Slash, do Guns N' Roses.

A descrição foi publicada em agosto na revista científica Zootaxa. Para confirmar que os animais pertenciam a uma espécie diferente das já conhecidas, os pesquisadores combinaram análises genéticas com a comparação de características físicas de exemplares depositados em coleções científicas.

O estudo analisou populações do gênero Lielaphis, grupo de serpentes terrestres encontrado principalmente na Nova Guiné e ainda pouco conhecido pela ciência.

Segundo os autores, a aparência relativamente semelhante entre as espécies, os poucos registros e os hábitos discretos e noturnos tornam a diversidade desse grupo especialmente difícil de estudar.

“Nossos resultados destacam lacunas persistentes no conhecimento”, afirmam os pesquisadores no estudo, ao defenderem mais levantamentos taxonômicos na região.

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C. C. Austin / Estudo

O nome não é uma coincidência. O epíteto slashi foi escolhido especificamente para homenagear Saul Hudson, o Slash, pelo apoio do músico a museus e zoológicos e, sobretudo, por sua conhecida relação com serpentes.

No artigo, os cientistas destacam que o guitarrista “frequentemente promoveu e atuou como defensor das serpentes” ao longo dos anos.

A autora sênior Sara Ruane também relata que boa parte de sua produção científica foi escrita enquanto ouvia trabalhos de Slash, incluindo músicas do Guns N' Roses, Velvet Revolver e Slash's Snakepit.

Autora sênior do estudo, Sara Ruane, ao lado do guitarrista Slash

Sara Ruane / Redes sociais

Mas a história da espécie começou bem antes de ela receber o nome do guitarrista.

O exemplar escolhido como holótipo, ou seja, o indivíduo usado oficialmente como referência para a descrição da espécie, é um macho adulto coletado em julho de 2006, na vila de Utai, na província de Sanduan, em Papua-Nova Guiné. Outros exemplares analisados foram coletados em 2006 e 2012.

O holótipo mede 726 milímetros do focinho até a cloaca, além de uma cauda de 285 milímetros, chegando a pouco mais de um metro de comprimento total.

Em vida, a serpente apresenta coloração dorsal marrom-escura, sem desenhos, com as laterais um pouco mais claras. O ventre e a parte inferior da cauda são brancos e iridescentes, podendo apresentar pequenas manchas marrons irregulares.

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T. Huang / Estudo

Os exemplares que hoje pertencem a Lielaphis slashi haviam sido inicialmente identificados em anotações de campo como Lielaphis parvus. O problema é que L. parvus é conhecida da ilha de Yapen, na Indonésia, enquanto os novos animais haviam sido encontrados na região continental da Nova Guiné.

A diferença levou os pesquisadores a investigar o grupo em maior profundidade.

O trabalho reuniu tecidos de 90 exemplares de Lielaphis, representando 12 espécies já descritas, além de outros animais usados nas comparações filogenéticas. Quatorze indivíduos apresentavam identificação considerada incerta porque haviam sido classificados como espécies cuja distribuição conhecida não correspondia aos locais onde foram coletados.

Nas análises genômicas, os cientistas obtiveram 4.870 elementos ultraconservados (UCEs) em 99 amostras, dos quais 4.137 foram mantidos na principal matriz utilizada para reconstruir as relações evolutivas entre os animais.

Os resultados genéticos, somados às diferenças morfológicas, sustentaram o reconhecimento de L. slashi como uma espécie própria.

Entre as características utilizadas para diferenciá-la estão 17 fileiras de escamas dorsais na região central do corpo, entre 165 e 181 escamas ventrais e de 83 a 107 subcaudais divididas, além de diferenças no número de escamas ao redor da boca.

“Usamos uma combinação de dados de sequenciamento genômico e morfologia para investigar a taxonomia de Lielaphis e identificamos uma nova espécie”, escrevem os autores.

A espécie mais próxima evolutivamente é Lielaphis heterurus, encontrada no arquipélago de Bismarck. Mesmo assim, L. slashi apresenta diferenças morfológicas importantes, incluindo características das escamas e do ventre.

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Onde vive a nova espécie?

Até o momento, Lielaphis slashi é conhecida ao norte da Cordilheira Central da Nova Guiné, nas províncias de Sanduan, East Sepik e Madang, em Papua-Nova Guiné.

Os exemplares foram encontrados em florestas secundárias em grande parte não perturbadas. Os pesquisadores consideram possível que a espécie também ocorra na província indonésia de Papua, ao norte da cadeia montanhosa, mas essa presença ainda não foi confirmada.

Pouco se sabe, por enquanto, sobre seu comportamento e sua ecologia. O próprio artigo ressalta que as informações sobre a história natural da nova espécie ainda são escassas.

O gênero Lielaphis, de maneira geral, também continua pouco estudado. Há registros anteriores de espécies do grupo com hábitos noturnos e de populações que se alimentam principalmente de ovos de outros répteis, mas o estudo não atribui diretamente esse comportamento a L. slashi.

Um grupo que ainda pode esconder espécies

Com a descrição de Lielaphis slashi, o número de espécies reconhecidas no gênero sobe de 19 para 20. Considerando a Nova Guiné continental e as ilhas imediatamente próximas, são agora 13 espécies registradas.

E os pesquisadores acreditam que a história ainda está longe de terminar. A combinação de distribuição remota, hábitos discretos e espécies externamente semelhantes pode esconder uma diversidade maior do que a reconhecida atualmente.

“A diversidade críptica desse grupo secreto de serpentes terrestres provavelmente permanece significativamente subexplorada”, concluem os autores.

Além de L. slashi, o estudo encontrou outra linhagem geneticamente interessante, próxima de Lielaphis aplini. Os pesquisadores identificaram diferenças morfológicas, mas decidiram não descrevê-la como uma nova espécie porque as evidências genéticas e populacionais ainda não são consideradas suficientes. Novas amostragens serão necessárias para esclarecer sua identidade.

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