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Justiça mantém prisão de policial civil que tentou matar esposa enforcada em Caracaraí

José Maria de Souza Moura, investigador da Polícia Civil de Roraima preso por tentativa de feminicídio contra a própria companheira.

G1 — Brasil · 2026-09-08T19:11:00.000Z

José Maria de Souza Moura, investigador da Polícia Civil de Roraima preso por tentativa de feminicídio contra a própria companheira.

A Justiça de Roraima decretou a prisão preventiva do investigador da Polícia Civil José Maria de Souza Moura, de 58 anos nesta terça-feira (8). Ele havia sido preso em flagrante suspeito de tentar matar enforcada a companheira, de 28 anos, no município de Caracaraí, ao Sul do estado.

Durante a audiência de custódia, o juiz Angelo Augusto Graça Mendes destacou o risco que o policial representa para a vítima. José Maria foi preso em flagrante por tentativa de feminicídio nesta segunda-feira (7).

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Em nota, a defesa de José Maria alegou que o exame de corpo de delito não apontou sinais de estrangulamento na vítima e descartou risco de morte. Disse ainda que o policial apresentava ferimentos no braço, não resistiu à prisão e argumenta que a acusação de tentativa de feminicídio não tem amparo nas provas periciais produzidas até o momento.

Na decisão, o magistrado ressaltou a "conduta violenta e a acentuada periculosidade do investigado ao arrombar uma porta trancada e praticar estrangulamento direto contra o pescoço da companheira, bloqueando a respiração da vítima".

Além da gravidade do ataque, o juiz apontou que o investigador usava a condição de policial e a arma de fogo como instrumentos para intimidar a mulher. Também pesou na decisão o fato de José Maria já responder a outros processos por violência doméstica contra uma vítima diferente, o que, segundo a Justiça, indica um perigoso risco de ele voltar a cometer o crime.

Com a prisão preventiva (que não tem prazo definido para acabar), a Justiça determinou a suspensão imediata do porte de armas de fogo do investigador. A Corregedoria-Geral da Polícia Civil foi notificada para recolher qualquer armamento que estivesse com ele.

A defesa chegou argumentar que a prisão em flagrante deveria ser anulada porque a audiência demorou mais de 24 horas para acontecer.

O juiz reconheceu o atraso e anulou a prisão em flagrante por essa questão. No entanto, no mesmo ato, decretou a prisão preventiva para garantir a segurança da mulher e a ordem pública.

A Justiça determinou a transferência dele para o sistema prisional em Boa Vista, em uma ala reservada para policiais.

Procurada, a Polícia Civil, informou que o caso foi encaminhado à Corregedoria-Geral de Polícia, que instaurou um procedimento para apurar a situação do investigador.

Ataque à própria esposa

José Maria de Souza Moura foi preso em flagrante derrubar a própria esposa no chão e aplicar dois golpes conhecidos como "mata-leão", apertando o pescoço dela O crime ocorreu na casa da vítima.

A mulher relatou que ficou sem conseguir respirar e que acreditou que seria morta durante as agressões. Os desentendimentos entre o casal começaram ainda na noite de domingo (6), em Boa Vista.

Eles discutiram enquanto faziam compras, e a briga continuou no trajeto de carro para Caracaraí. Durante a viagem, José Maria chegou a dirigir a 130 km/h, o que deixou a mulher com medo.

Ao chegarem à cidade, ele deixou a companheira em casa e saiu. Assustada com o comportamento, a mulher ligou para a mãe para relatar a preocupação. Quando o investigador voltou ao imóvel, a discussão recomeçou.

A vítima se recusou a abrir a porta, mas o homem chutou e quebrou a estrutura para invadir o local. Em seguida, ele iniciou as agressões físicas que resultaram nas tentativas de enforcamento.

Após conseguir escapar das agressões, a vítima foi socorrida pela mãe e pelo padrasto, que foram até a casa e a levaram para a delegacia. Com a mulher já em segurança na unidade policial, a equipe plantonista registrou o caso e repassou a situação ao delegado titular.

Como havia apenas dois policiais civis plantonistas na unidade e o suspeito era um policial armado, a corporação pediu apoio da Polícia Militar para localizá-lo e prendê-lo. A arma de trabalho do investigador foi apreendida.

O delegado titular de Caracaraí, Bruno Gabriel Bezerra Costa, afirmou que a polícia buscou agir de forma imediata. "A prioridade foi interromper a situação de violência e dar encaminhamento imediato ao procedimento policial”, destacou.

Histórico de violência

Em depoimento, a mulher revelou um histórico de violência no relacionamento. Ela relatou sofrer agressões, empurrões e humilhações, incluindo um episódio anterior em que o investigador a jogou na cama e também apertou o pescoço dela.

A vítima foi levada ao hospital e passará por exames para avaliar as lesões no pescoço. Ela também pediu uma medida protetiva de urgência à Justiça. Após a prisão, José Maria de Souza Moura foi encaminhado para a audiência de custódia.

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