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Setores atingidos por sobretaxas do Governo Trump apostam em negociação

A sobretaxa dos EUA sobre o Brasil.

G1 — Brasil · 2026-07-24T23:41:24.000Z

A sobretaxa dos EUA sobre o Brasil.

Os setores brasileiros mais afetados pelas novas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos defendem a continuidade das negociações entre os dois países para tentar reverter as medidas.

Para parte da indústria, a tarifa de 25% que entrou em vigor na quarta-feira (22) se soma a uma cobrança anterior de 12,5%, elevando a taxação total para 37,5% sobre as exportações destinadas ao mercado americano.

É o caso de segmentos como os de confecções, máquinas e equipamentos e calçados.

Os Estados Unidos respondem por 20% das exportações brasileiras de calçados. O setor, que já projetava perdas após a primeira tarifa, revisou as estimativas diante da nova cobrança.

“O que acontece é que, pelo peso dos Estados Unidos, aumentou de 3,6% para mais de 7% a queda na exportação”, diz Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, 16,5% das exportações brasileiras passarão a ser atingidas simultaneamente pelas duas tarifas.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que a medida afete quase 4 mil produtos brasileiros.

Alguns itens considerados estratégicos para a economia americana continuam isentos das novas cobranças, entre eles café, carne e suco de laranja.

Para o pesquisador do FGV Agro Felippe Serigati, as tarifas refletem uma política de proteção à indústria dos Estados Unidos.

“Setores que podem oferecer concorrência a setores que já existem ou que os Estados Unidos gostariam de desenvolver dentro da sua economia. É uma política protecionista, com o intuito de reindustrializar a economia norte-americana”, diz.

O impacto também preocupa setores que já enfrentavam dificuldades para exportar aos Estados Unidos.

É o caso do mercado de mármore e granito. Segundo representantes do segmento, as exportações para os americanos já haviam registrado queda de 55% após uma tarifa aplicada anteriormente, que acabou sendo derrubada pela Justiça dos Estados Unidos. Agora, o setor enfrenta duas novas cobranças.

A Associação Brasileira de Rochas Naturais afirma que o mercado americano é fundamental para o segmento e destaca que as tarifas também afetam empresas dos Estados Unidos que utilizam matéria-prima brasileira.

“A gente fomenta, com a matéria-prima, 200 mil empregos lá nos Estados Unidos. Por isso que eles têm muito interesse no material brasileiro”, diz Tales Machado, presidente da associação.

Na quinta-feira (23), o governo brasileiro informou que pretende acionar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica para responder às medidas adotadas pelos Estados Unidos.

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Apesar disso, representantes do setor empresarial defendem que o caminho mais eficaz é manter as negociações.

“A reciprocidade baseada na lei econômica é uma ação legítima, mas ela, na prática, não vai resolver a situação. Ao contrário, existe um risco muito considerável de que se tenha uma escalada tanto política como comercial na relação bilateral. O setor empresarial tem sido quase consensual em reforçar o interesse de que essa questão seja enfrentada por meio do diálogo, da diplomacia e das negociações”, diz Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).

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