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Documentário sobre Elon Musk usa IA para simular entrevista com declarações polêmicas do bilionário

Montagem com o cineasta Alex Gibney, à esquerda, e Elon Musk.

G1 — Brasil · 2026-09-09T10:52:57.000Z

Montagem com o cineasta Alex Gibney, à esquerda, e Elon Musk.

Um novo documentário sobre Elon Musk usa um avatar criado por computação gráfica e sincronização de voz com inteligência artificial para simular uma entrevista com o CEO da SpaceX e da Tesla, utilizando declarações que ele realmente fez em outras entrevistas.

A escolha foi intencionalmente irônica, segundo o cineasta Alex Gibney, que falou sobre o filme nesta terça-feira (8), em Veneza, antes da estreia mundial da produção. A estratégia faz referência à ideia defendida por Musk de que todos nós vivemos em uma simulação e, ao mesmo tempo, provoca suas opiniões consideradas paradoxais e mutáveis sobre a tecnologia.

Gibney afirmou que o objetivo é transmitir a “realidade do que ele fez e a irrealidade de sua narrativa”.

Os cineastas consultaram advogados antes de avançar com a ideia e receberam autorização para usar o avatar de Musk.

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O cineasta vencedor do Oscar esteve no Festival de Cinema de Veneza acompanhado de Ashley St. Clair, uma ex-influenciadora conservadora que tem um filho com Musk e aparece no filme. Ela fala sobre o relacionamento entre os dois, a personalidade do empresário e o acordo de confidencialidade que lhe foi apresentado — e que ela se recusou a assinar — para garantir o pagamento de pensão relacionada à paternidade.

“Foi-me oferecida a oportunidade de não falar por US$ 40 milhões”, disse ela.

No início deste ano, St. Clair também processou a empresa de inteligência artificial de Musk, alegando que o chatbot Grok permitia que usuários criassem imagens falsas de teor sexual envolvendo ela. Segundo ela, as imagens provocaram humilhação e sofrimento emocional.

O filme também aborda a aquisição do X por Musk e o que Gibney descreve como uma manipulação do algoritmo da plataforma.

“Uma coisa que eu não entendia corretamente quando comecei o filme era como Musk ajustou os algoritmos do Twitter para, na verdade, priorizar a hostilidade e o ódio em vez daquilo que deveria ser uma praça pública”, afirmou Gibney.

A repórter da revista Wired Zoë Schiffer, que também participa do documentário, acrescentou que “ele ajustou o algoritmo, tanto para reduzir a presença do jornalismo tradicional quanto para ampliar alguns dos comentários e vozes mais inflamatórios da plataforma”.

St. Clair disse acreditar que Musk está alimentando conflitos e “provocando uma divisão deliberada que poderia ser catastrófica se não fosse regulamentada ou contida”.

Com quase quatro horas de duração, Musk aborda a infância traumática do empresário, incluindo uma entrevista com seu pai, Errol Musk. O documentário também acompanha os primeiros anos de Musk no Vale do Silício, seu trabalho no DOGE durante o segundo governo de Donald Trump e sua atuação na política de direita internacional.

Segundo Gibney, o filme seria muito mais curto antes de Musk se envolver na campanha de Trump.

Entre os entrevistados estão Martin Eberhard, cofundador da Tesla; Justine Musk, primeira mulher de Musk; o neurologista Sam Harris; a jornalista de tecnologia Kara Swisher; e Samantha Power, ex-administradora da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

O documentário também aborda preocupações sobre as informações coletadas sobre cidadãos americanos pelos integrantes do DOGE, que tiveram amplo acesso a diversas agências do governo dos Estados Unidos.

O filme “Musk” será lançado nos cinemas em outubro.

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