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g1 20 anos: como a edição genética pode mudar tratamentos do câncer às doenças hereditárias

Já é possível 'corrigir' doenças do DNA?

G1 — Brasil · 2026-09-09T13:25:22.000Z

Já é possível 'corrigir' doenças do DNA?

Será que um dia vai dar para a gente evitar os danos de uma doença genética antes mesmo deles aparecerem? Na USP, pesquisadores estudam alguns dos caminhos que podem levar a isso. Uma das cientistas que acompanha de perto essas transformações é a doutora Mayana Zatz. Há décadas ela estuda como alterações do nosso DNA podem provocar doenças genéticas graves e busca entender de que forma a gente pode tratar isso.

“Ainda é uma coisa que está no começo, mas, por exemplo, a anemia falciforme é um exemplo que já está sendo feito na prática. Na hemofilia, já tem casos de usar essa tecnologia para editar genes no combate ao câncer. Então, por que isso? Porque quando você tem um tumor que se desenvolve, o seu sistema imune não reconhece como algo a ser destruído. E aí já existem tentativas de você ditar os genes do teu sistema imune para ele reconhecer o tumor e dizer que esse é o inimigo que precisa ser destruído. Então essa também é uma outra aplicação da edição gênica. E os avanços estão sendo muito grandes nessa área”, diz a geneticista Mayana Zatz.

📋 A anemia falciforme é uma doença genética hereditária do sangue que altera o formato dos glóbulos vermelhos.

Uma das ferramentas que mais mudaram esse campo nos últimos anos é a CRISPR. O nome pode parecer complicado, mas a ideia é mais simples. O nosso DNA carrega as instruções que o corpo usa para as nossas células funcionarem. Em algumas doenças, uma alteração nessas instruções é justamente o que causa um problema.

O CRISPR funciona, então, como uma ferramenta de edição. Ele ajuda os cientistas a encontrar um ponto específico no DNA, cortar um trecho dele e fazer a mudança necessária.

“Eu acho que há terapias que possam realmente curar essas doenças, que é isso que a gente mais quer. Hoje, por exemplo, no caso das distrofia, essa nova ideia que a gente tem não seria uma cura, mas você poderia ganhar 20 anos na vida do paciente e 20 anos é muito tempo para se descobrir novas terapias”, acrescenta Zatz.

A ideia é tentar agir na origem da doença em vez de apenas nos efeitos que ela causa para o corpo.

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