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Caso Maria Ramona: Escola onde vítima estudava faz passeata contra feminicídio no Acre

Caso Ramona: Escola onde vítima estudava faz passeata contra feminicídio no Acre

G1 — Brasil · 2026-09-09T18:02:39.000Z

Caso Ramona: Escola onde vítima estudava faz passeata contra feminicídio no Acre

Uma semana após o corpo da jovem Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, ser encontrado dentro do banheiro do apartamento onde morava na Rua Vitória, bairro Conquista, em Rio Branco, na última quarta-feira (2), colegas da escola onde ela estudava fizeram uma passeata contra o feminicídio. (Assista ao vídeo acima)

A caminhada ocorreu na manhã desta quarta (9), na rua da escola João Batista Aguiar, na capital acreana. Ao g1, o gestor da instituição, Wilson Guimarães, informou que cerca de 300 pessoas, entre alunos, pais, professores e comunidade, participaram da passeata.

O caso de Ramona é tratado como feminicídio e o principal suspeito é o ex-namorado da jovem, o argentino Daniel Nestor Gusman, que segue foragido. Inclusive, Daniel já responde pelo assassinato da esposa venezuelana Betzabeth Miguelina Adam Daza, de 23 anos, que estava grávida de seis meses. O crime ocorreu em Boa Vista (RR).

De acordo com Wilson, a passeata teve como objetivo protestar contra o índice de violência contra as mulheres no estado. Ramona era estudante do turno noturno na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA). Este já é o quarto feminicídio registrado oficialmente este ano.

“Essa é uma pauta, é um conteúdo que a gente trabalha na escola, mas devido à violência de uma aluna que, apesar de recém-chegada à escola, no acolhimento da noite ela falou de seus sonhos e era uma aluna tranquila”, disse.

Escola onde Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, estudava faz passeata contra feminicídio no Acre

Arquivo Pessoal/Wilson Guimarães

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Segundo o gestor, Ramona era uma aluna esforçada e tinha como sonho fazer faculdade de medicina.

“Por isso que ela procurou a escola pela qualidade do ensino e [a morte de Ramona] causou um impacto. E a gente aproveitou esse impacto para demonstrar para a sociedade o descontentamento, para mostrar para os alunos a importância de se manifestar em atos desse tipo, em crimes desse tipo, de se indignar com as coisas”, afirmou.

A caminhada foi feita de forma pacífica e, conforme Wilson, teve como intuito mostrar para a sociedade que a escola tem uma posição diante da situação e que não poderia deixar de fazer algo sobre ela.

Maria Ramona era estudante do turno noturno na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA)

Arquivo Pessoal/Wilson Guimarães

“A gente vai intensificar, porque o problema da violência contra mulher ou de qualquer tipo de violência é uma questão enraizada na sociedade brasileira. [...] Essa correlação à violência contra as mulheres ao feminicídio é talvez a mais a mais bárbara que exista. Então a gente fez essa manifestação”, detalhou.

Segundo ele, mesmo após a manifestação, os professores devem continuar a trabalhar a temática com os alunos e fazer atividades de orientação e conscientização na escola. Além disso, cartazes com frases contra o feminicídio foram colocados no muro da escola.

“A gente quer trabalhar na cabeça deles agora, principalmente das alunas mulheres, que qualquer tipo de violência precisa ser denunciada, porque começa de pouquinho e chega ao ponto do homem achar que tem o direito de matar a mulher”, afirmou.

Cartazes com frases contra o feminicídio foram colocados no muro da escola João Batista Aguiar, em Rio Branco

Arquivo Pessoal/Wilson Guimarães

Ramona Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, foi encontrada morta com um corte profundo no pescoço dentro do banheiro do apartamento onde morava na Rua Vitória, bairro Conquista, em Rio Branco, no dia 2 de setembro.

A PM foi acionada pelo 190 depois que vizinhos sentiram um forte mau cheiro vindo do imóvel. Quando os policiais chegaram, encontraram o portão do apartamento aberto e entraram no local.

No apartamento, também foram localizados sacos plásticos com pedaços de colchão sujos de sangue. Conforme a investigação, a suspeita é de que a jovem tenha sido morta em cima da cama e que o suspeito tenha tentado retirar o colchão do imóvel.

Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava, no bairro Conquista, em Rio Branco

Por causa do avançado estado de decomposição do corpo, a jovem não teve velório e foi enterrada na manhã do dia seguinte.

Segundo a Polícia Militar (PM-AC), o principal suspeito do crime é o ex-namorado da jovem, o argentino Daniel Nestor Gusman, que saiu do presídio recentemente.

Ramona e Daniel tinham um relacionamento e a suspeita é de que o crime tenha sido motivado por ciúmes. Segundo a Polícia Civil, no dia do crime, Gusman rompeu a tornozeleira eletrônica e está foragido. A suspeita é de que o crime tenha ocorrido entre os dias 30 e 31 de agosto.

Segundo a Polícia Civil, o caso de Ramona é tratado como possível feminicídio, e a investigação foi encaminhada para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

Ao g1, a polícia se limitou a dizer, na última sexta-feira (4), que Daniel segue foragido e que as equipes estão em diligências na procura pelo suspeito.

Daniel Nestor Gusman é suspeito de matar Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, em Rio Branco. Ele já foi condenado por matar a esposa grávida em Roraima, em 2018

Alexandre Lima/Arquivo Pessoal/Arquivo

A PM do Acre disponibiliza os seguintes números para denunciar casos de violência contra a mulher:

Veja outras formas de denunciar:

Polícia Militar - 190: quando a criança está correndo risco imediato;

Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes;

Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres;

Qualquer delegacia de polícia;

Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): recebe denúncias de violações de direitos da mulher no Acre. Telefone: (68) 99930-0420. Endereço: Travessa João XXIII, 1137, Village Wilde Maciel.

Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa;

Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia;

WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656- 5008;

Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

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