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Giulliana Brito, chefe de gabinete da Setur, foi denunciada por servidoras
G1 — Brasil · 2026-09-09T21:43:10.000Z
Giulliana Brito, chefe de gabinete da Setur, foi denunciada por servidoras
A Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA) arquivou a sindicância aberta para apurar denúncias de assédio moral, perseguição, abuso de autoridade e humilhações contra a chefe de gabinete da pasta, Giulliana Brito do Espírito Santo Mercuri.
Segundo a pasta, a comissão responsável pela apuração concluiu que os supostos fatos relatados nas denúncias não foram comprovados. A Setur-BA havia instaurado processo administrativo para apurar as denúncias.
Em nota, a assessoria de comunicação da Setur-BA informou que a Comissão de Sindicância ouviu as partes envolvidas e testemunhas e garantiu o direito ao contraditório durante a apuração.
Conforme a pasta, foram identificadas versões conflitantes e não houve provas concretas da ocorrência de assédio moral nos episódios denunciados. A secretaria afirmou ainda que foram encontradas provas materiais que se contrapõem ao teor apresentado pela denunciante.
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A comissão concluiu pela inexistência de infração administrativa e pela ausência de justa causa para aplicação de penalidade. Com isso, a sindicância foi arquivada e os interessados foram notificados sobre a decisão.
Buscar almoço e levar roupas para conserto: denúncias incluem relatos de tarefas pessoais para chefe de gabinete na Bahia
Apesar do arquivamento na Setur-BA, a Secretaria da Administração do Estado da Bahia (Saeb) informou que o caso ainda está em apuração na Corregedoria Geral do Estado (CGR).
Em relato ao g1, uma servidora, que preferiu não se identificar, contou que trabalhou com Giulliana por cerca de cinco anos, primeiro na Diretoria de Planejamento Turístico e, posteriormente, no gabinete da pasta, com sede em Salvador.
Ela relatou que passou a ser chamada frequentemente por Giulliana para receber críticas ao trabalho, muitas vezes sendo exposta na frente de outros servidores, sem apresentar justificativas técnicas.
"Ela começou a fazer diversas correções na frente de outros servidores e desqualificar o trabalho, dizendo que não estava bom, que não era aquilo e que era para melhorar. Mandava corrigir o mesmo documento umas 20 vezes. Mudava uma palavra, depois dizia que não era aquilo que queria", contou.
No relato, a funcionária também afirmou que diversos servidores deixaram a secretaria ou foram exonerados após conflitos com a chefe de gabinete. Ela citou o caso de uma colega que trabalhou até quase 22h de uma sexta-feira e, no sábado, saiu a exoneração dela no Diário Oficial do Estado (DOE).
Ameaças e perseguição
A funcionária também afirmou que a chefe de gabinete fazia ameaças relacionadas ao cargo dos servidores e dizia que algumas pessoas seriam responsabilizadas criminalmente.
Segundo o relato, Giulliana dizia reiteradamente que uma servidora investigada em processos internos "ia sair presa da Setur", mesmo antes da conclusão de qualquer apuração. A denunciante afirma ainda que a gestora costumava atribuir falhas a servidores que sequer tinham conhecimento das demandas.
"Ela vinculava o não cumprimento de determinadas demandas a mim, sendo que eu nem sabia que elas existiam", afirmou.
Outra reclamação envolve prazos considerados inviáveis. "Ela dizia: 'Eu preciso dessa demanda pronta em cinco ou dez minutos', mesmo quando eram processos complexos que precisavam ser analisados".
A servidora falou ainda que desenvolveu crises de ansiedade durante o período em que trabalhou diretamente com a chefe de gabinete e que recebeu informações que outra funcionária precisou ser afastada por seis meses após ter o mesmo problema de saúde relacionado ao ambiente de trabalho.
'Você só sai daqui quando eu quiser'
Entre os episódios narrados, a servidora relata que havia informado, desde o início do trabalho no gabinete, que precisava deixar o expediente às 18h para buscar a filha na escola.
Segundo ela, mesmo ciente da situação, Giulliana deixava para encaminhar demandas consideradas urgentes apenas no fim do expediente.
"Ela chegou a falar na frente de outras pessoas 'você só sai daqui quando eu quiser' e que, por ela, eu deixaria de buscar minha filha", afirmou.
Desvio de função
A servidora também afirma que colegas exerciam atividades que não faziam parte das atribuições do cargo e faziam tarefas de caráter pessoal para a chefe do gabinete.
Segundo ela, secretárias eram orientadas a buscar almoço, levar roupas para conserto e até limpar os óculos da chefe de gabinete.
A servidora sustenta que essas atividades não faziam parte das atribuições dos cargos exercidos pelas funcionárias e eram determinadas diretamente pela chefe de gabinete.
Estopim das denúncias
Segundo a denunciante, o episódio que motivou ela e outras duas servidoras a formalizarem as denúncias ocorreu durante o plantão do São João deste ano.
Ela relata que, na ausência do secretário da pasta, Giulliana discutiu com uma servidora dentro do elevador e, no dia seguinte, voltou a repreendê-la de forma agressiva por causa da fiscalização de eventos.
A denunciante afirma que a servidora respondeu que não precisava se submeter ao tratamento e tentou deixar a sala. "Ela só não agrediu uma colega fisicamente porque outra intercedeu."
Ainda segundo o relato, no domingo seguinte ao episódio, as três servidoras protocolaram denúncias na Ouvidoria e na Corregedoria Geral do Estado.
Pedido de exoneração
Outra mulher, que trabalhou com Giulliana na Setur por cerca de dois anos, relatou ter sofrido perseguição por parte da chefe de gabinete e pediu exoneração por não suportar mais o ambiente de trabalho.
Durante o período, ela relatou ter desenvolvido problemas de saúde como aneurisma e câncer de intestino.
"Ela começou a mudar de setor as pessoas que trabalhavam comigo, não falava comigo, não atendia telefone, não respondia mensagem de WhatsApp e nem e-mail e eu fiquei sem conseguir trabalhar porque tudo lá passava por ela", relatou.
"Minha vida ficou virou um inferno, eu fiquei na na mão de psiquiatras. Eu fiquei um ano e meio de cama, porque aquele trabalho era tudo que eu tinha. Minha vida era aquele lugar", afirmou a ex-servidora da Setur.
Denúncias à Ouvidoria e à Corregedoria
A servidora afirma que registrou denúncia tanto na Ouvidoria Geral do Estado quanto na Corregedoria Geral do Estado.
Após a formalização, ela foi transferida para outro setor da Secretaria de Turismo. Segundo a funcionária, embora não trabalhe mais diretamente no gabinete, os documentos produzidos por ela continuam sendo revisados pela chefe de gabinete.
Além disso, relata que houve mudanças internas consideradas por ela como retaliação, como a retirada de seu ramal telefônico e a suspensão temporária do serviço de copa para outras duas denunciantes por alguns dias.
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