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Justiça afasta policial penal suspeito de cobrar R$ 20 mil para manter preso em trabalho em MG

Viaturas da Polícia Penal em MG

G1 — Brasil · 2026-09-09T23:57:07.000Z

Viaturas da Polícia Penal em MG

Cristiano Machado/Imprensa MG

Um policial penal foi afastado preventivamente das funções após ser acusado pelo Ministério Público de Minas Gerais de exigir R$ 20 mil de um detento para conceder e manter uma vaga de trabalho na marcenaria da Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba.

Segundo o MPMG, na época dos fatos, em setembro de 2025, o servidor exercia a função de diretor de Segurança da unidade prisional. O afastamento foi divulgado pela promotoria nesta quarta-feira (9).

A decisão foi tomada pela Vara da Fazenda Pública da Comarca de Ipatinga, após pedido apresentado pelo Ministério Público em uma Ação de Improbidade Administrativa.

O policial penal deverá permanecer afastado do cargo e de funções de chefia, direção ou assessoramento na Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), sem prejuízo da remuneração, até uma nova decisão judicial.

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De acordo com a ação, o servidor teria usado a função para exigir o pagamento do detento que estava sob a custódia dele. Em troca, seria concedida e mantida a vaga de trabalho na marcenaria da penitenciária.

A atividade permite ao detento reduzir o tempo de cumprimento da pena por meio do trabalho e pode influenciar na progressão do regime prisional.

Transferências por Pix

Segundo as apurações do MPMG, o próprio policial penal teria entrado em contato com a mãe do detento e fornecido os dados da conta bancária dele para receber o dinheiro.

Os R$ 20 mil teriam sido transferidos diretamente para a conta do servidor em três operações por Pix, de R$ 3 mil, R$ 10 mil e R$ 7 mil, realizadas nos dias 8 e 9 de setembro de 2025.

O MPMG informou que reuniu depoimentos, comprovantes das transferências bancárias, registros de mensagens e áudios, além de dados extraídos de celulares apreendidos.

Ainda conforme o Ministério Público, as transferências ocorreram no mesmo período em que foi formalizado o ato administrativo que concedeu a vaga de trabalho ao detento.

O que diz a Sejusp

Em nota ao g1, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais confirmou que o servidor está afastado das funções.

A secretaria afirmou que “não compactua com desvios de conduta de seus servidores” e que toda suspeita é apurada pela Corregedoria, com respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório.

A Sejusp não informou se há um procedimento administrativo específico aberto para apurar o caso.

Decisão da Justiça

Ao determinar o afastamento, a Justiça considerou que os elementos apresentados indicam, nesta fase inicial do processo, possível ato intencional de improbidade administrativa por enriquecimento ilícito.

Segundo o MPMG, a Justiça também considerou que a permanência do servidor em exercício poderia representar risco à coleta de provas, especialmente pela posição de autoridade que ele ocupava e pela situação de vulnerabilidade de presos, familiares e servidores que poderão prestar depoimento.

Os mesmos fatos também são investigados na esfera criminal.

A Ação de Improbidade Administrativa seguirá em andamento para análise das acusações. O policial penal tem direito de apresentar defesa e contestá-las.

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