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Crise do STF nas campanhas: Flávio Bolsonaro intensifica ataques a Moraes, e parte da campanha de Lula defende distância do ministro

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

G1 — Brasil · 2026-09-10T03:00:00.000Z

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) entrou no centro da disputa presidencial e levou as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-SP) a reavaliar suas estratégias. Enquanto parte da campanha à reeleição de Lula defende que o presidente mantenha distância de Alexandre de Moraes, a campanha de Flávio à Presidência pretende ampliar os ataques ao ministro no discurso e na propaganda.

No entorno de Flávio, a avaliação é que o prolongamento da crise pode favorecer eleitoralmente o candidato. Ao mesmo tempo, há preocupação de que o avanço das investigações relacionadas ao filme “Dark Horse” acabe atingindo pessoas próximas a ele. A tensão na campanha aumentou com a recondução de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal (PF), um dia depois de seu afastamento por André Mendonça.

Do lado de Lula, parte da campanha defende que o presidente marque distância de Moraes, embora aliados avaliem que o cargo de presidente limite críticas diretas ao ministro. O governo já precisou entrar institucionalmente na disputa, com um recurso da AGU contra o afastamento da cúpula da PF. Apesar das limitações apontadas por aliados, Lula subiu o tom na quarta-feira (9) e defendeu a quebra completa do sigilo das investigações do caso Master.

Flávio quer explorar crise, mas teme reflexo

No entorno de Flávio, a avaliação é que, quanto mais tempo a crise permanecer no debate público, melhor para sua candidatura. A campanha pretende associar politicamente Alexandre de Moraes a Lula e manter o STF na comunicação diária e no horário eleitoral. Nos bastidores, a estratégia é resumida pela expressão “Lula é Moraes”.

A orientação, porém, é evitar ataques ao Supremo como instituição e concentrar as críticas em Moraes e em decisões específicas de ministros. No ato de 7 de Setembro, em São Paulo, Flávio afirmou que a Corte “não é Alexandre” e que é preciso “proteger o STF de Alexandre de Moraes”.

A campanha também pretende reforçar o discurso de perseguição política contra Flávio no caso “Dark Horse” e em relação ao vínculo do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, que transferiu dinheiro para financiar o filme. No mesmo ato, Flávio disse ser alvo de perseguição e afirmou que tentariam uma “terceira facada” contra ele e seus aliados, em referência ao atentado contra Jair Bolsonaro em 2018 e ao 8 de janeiro.

Parte dos aliados avalia que Flávio vive um momento confortável na disputa, o que lhe daria tempo para trabalhar uma imagem mais moderada e reduzir a rejeição. Interlocutores também fazem uma avaliação positiva da entrada do marqueteiro Duda Lima na campanha.

A crise, no entanto, também preocupa a campanha de Flávio Bolsonaro. A volta de Andrei Rodrigues à direção-geral da Polícia Federal acendeu um alerta por causa das investigações relacionadas ao “Dark Horse”. Andrei retornou ao cargo após Fachin suspender as decisões de André Mendonça que determinaram seu afastamento. Antes, Flávio Dino já havia determinado sua recondução, citando o risco de prejuízo a diligências urgentes, entre elas a apuração sobre emendas parlamentares relacionadas ao filme.

Interlocutores temem que o avanço da investigação resulte em medidas contra pessoas ligadas à produção e volte a colocar Flávio no centro do caso. Entre as preocupações estão eventuais desdobramentos envolvendo integrantes da produtora e o deputado Mario Frias (PL-RJ), produtor executivo do filme.

Nesta quarta-feira (9), em Juiz de Fora (MG), Flávio criticou a decisão de Dino, acusou o ministro de interferir no processo e afirmou que Lula quer “ganhar no tapetão”.

Apesar da preocupação, a campanha avalia que os ganhos eleitorais da crise ainda superam os riscos. Interlocutores consideram, inclusive, que um eventual afastamento de Moraes poderia favorecer Lula ao retirar do centro da campanha um personagem que Flávio pretende associar ao presidente.

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Ala da campanha de Lula defende distância de Moraes

Do lado de Lula, a crise impõe um problema diferente. Por ocupar a Presidência, o petista precisa lidar com os efeitos institucionais das decisões do Supremo enquanto sua campanha calcula o impacto eleitoral de uma associação com Alexandre de Moraes.

Como mostrou a colunista Andréia Sadi, parte da campanha defende que Lula adote uma posição mais enfática diante da crise e marque distância de Moraes. Integrantes do grupo, porém, avaliam que a condição de presidente limita a possibilidade de críticas diretas ao ministro.

O governo já precisou entrar institucionalmente na disputa. Após André Mendonça determinar o afastamento preventivo da cúpula da Polícia Federal, a Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu, sob o argumento de que a nomeação e a demissão do diretor-geral da corporação são prerrogativas do presidente da República.

Apesar dessas limitações, Lula subiu o tom nesta quarta-feira (9). O presidente defendeu a quebra completa do sigilo das investigações do “caso Master” e cobrou transparência diante do possível impacto das apurações na disputa eleitoral. A manifestação, publicada no X, não citou Moraes.

Parte da campanha considera a crise um “problema instalado, de difícil solução”. Entre aliados, há quem defenda que o episódio abra espaço para Lula reforçar a defesa de uma reforma do Judiciário.

O presidente do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva, também classificou o momento como uma crise institucional. Ele defendeu a apuração de todas as denúncias e disse confiar na atuação do presidente do STF, Edson Fachin, para garantir o funcionamento da Corte e a transparência dos processos.

Cury quer evitar a polarização

Augusto Cury (Avante) não entrará na discussão por considerá-la muito "polarizada". A equipe do escritor reforçou que "a campanha está focada em ficar longe de uma crise que envolva os dois lados".

Renan Santos vê Brasil despolitizado

A equipe de Renan Santos (Missão) avalia que a crise institucional é positiva para a posição antissistema do candidato. Mesmo assim, fontes da campanha ouvidas pelo g1 acreditam que o Brasil passa por um momento despolitizado e que o país, enquanto sociedade, não se importa com a gravidade do caso.

Em entrevista à TV Jovem Pan na última terça (8), Renan Santos afirmou que o próximo presidente da República "deverá ir para o enfrentamento contra o STF" e defendeu o impeachment de ministros do Supremo.

Caiado diz que Lula e Flávio se beneficiam

Entre os adversários dos dois candidatos, a avaliação é que a crise também altera o ambiente da disputa e corre o risco de reforçar a polarização. Ronaldo Caiado afirmou que “o cenário político mudou totalmente” e acusou Lula e Flávio de utilizarem a crise para escapar do debate eleitoral.

Segundo Caiado, sua campanha pretende intensificar a partir da próxima segunda-feira (14) a ofensiva política, mas concentrando o discurso em corrupção.

“O que a gente tem que mostrar é que a desordem dos Poderes e essa crise do STF e do Congresso não podem esconder o fato eleitoral, que é a campanha agora”, disse.

Zema diz que crise reforça estratégia

A campanha do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema avalia que crise não provocou uma mudança de estratégia porque as críticas feitas pelo candidato já faziam parte de sua estratégia desde o ano passado.

A ideia é manter o assunto em evidência e apresentar Zema como o candidato capaz de enfrentar o que a campanha classifica como excessos. Zema tem divulgado nas redes sociais uma série de vídeos produzidos com inteligência artificial chamada “Intocáveis”, na qual faz críticas ao STF e aborda o caso Master.

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