ITATIBA1
Mulher é condenada a prisão domiciliar por atropelar jovem em Novo Horizonte
G1 — Brasil · 2026-09-10T10:27:07.000Z
Mulher é condenada a prisão domiciliar por atropelar jovem em Novo Horizonte
A família da jovem Vitória do Prado, de 20 anos, expressou indignação após a Justiça manter a motorista Letícia Rodrigues Biroque, de 27 anos, em prisão domiciliar. A condutora, que dirigia embriagada, atropelou e matou a estudante em Novo Horizonte (SP) e havia sido condenada, no dia 3 de setembro de 2026, a 16 anos, 9 meses e 18 dias de prisão em regime fechado.
Apesar da pena estipulada em regime fechado pelo Tribunal do Júri, a ré obteve o benefício de permanecer em casa sob a justificativa legal de ser mãe de uma criança de 9 anos. A medida se manterá válida até o encerramento de todos os recursos do processo na Justiça.
Vitória do Prado (à esquerda); Letícia Rodrigues Biroque (à direita)
MP denuncia policial penal de folga suspeito de matar homem a tiros em bar de Araçatuba
Ex-professora de creche é condenada por maus-tratos após ser flagrada agredindo alunos
Motorista bêbado e sem CNH que atropelou 3 em faixa vira réu por tentativa de homicídio
Uma semana após o julgamento que condenou a motorista, a família de Vitória se manifestou pela primeira vez sobre o resultado do júri popular.
Em entrevista ao g1 nesta quinta-feira (10), a autônoma Monise Ribeiro, de 31 anos, irmã da jovem, desabafou sobre a decisão que manteve a ré em prisão domiciliar.
“A sensação que fica é bem ruim, pois parece que fica uma impunidade. Eu acredito que, independente da ficha da motorista, ela cometeu um crime, tem que pagar por esse crime”, comenta.
Em contrapartida, a defesa de Letícia informou, em nota enviada à reportagem, que atuará de forma incisiva para manter a cliente em regime domiciliar enquanto o processo estiver em fase de recurso. Leia a íntegra no final da reportagem.
Monise Ribeiro (à esquerda) e a irmã Vítória do Prado (ao fundo) em Novo Horizonte (SP)
Como foi o julgamento
O julgamento ocorreu no Fórum do município e durou quase 12 horas. Letícia foi condenada por homicídio doloso com dolo eventual (pela morte de Vitória do Prado) e por tentativa de homicídio qualificado (pelos ferimentos causados em uma segunda vítima). A investigação policial comprovou que a condutora dirigia sob efeito de álcool quando atropelou os pedestres.
"Saímos do julgamento com o pensamento de uma justiça falha, pois, depois de 12 horas de júri, achamos que algo seria diferente, mas, por enquanto, devemos aguardar e confiar que pelo menos um pouco de justiça seja feita", explica a irmã da vítima.
A promotora de Justiça Monise Pompeu confirmou ao g1 que já recorreu da sentença e aguarda o posicionamento do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para que a pena seja cumprida imediatamente no regime fechado.
“Nossa irmã era o apoio e companhia para a nossa mãe, que sofre de depressão faz uns quatro anos. Morava apenas as duas, e, por mais que estivéssemos sempre juntas, ela [Vitória] era a base da minha mãe", conta.
Relembre o caso
Jovem é atropelada ao atravessar avenida em Novo Horizonte (SP)
O atropelamento ocorreu na noite de 27 de outubro de 2024, em um cruzamento da Avenida Luís Baraldo, em Novo Horizonte (SP). A jovem atravessava a via a pé quando foi atingida em cheio pelo carro conduzido por Letícia Rodrigues Biroque.
Com o impacto, a pedestre sofreu traumatismo craniano grave e hemorragia interna. Vitória chegou a ser socorrida, intubada e internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base de São José do Rio Preto (SP), mas não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu.
A condutora do veículo foi presa pela Polícia Militar no local do acidente e prestou depoimento às autoridades. Ela admitiu aos policiais ter ingerido bebida alcoólica antes de assumir a direção do automóvel.
Em sua defesa inicial, a mulher alegou que estava abalada emocionalmente por conta de uma discussão recente com o namorado e afirmou "não ter visto" a pedestre na pista. No entanto, negou aos agentes que estivesse trafegando em alta velocidade no momento da colisão.
"A minha irmã era luz! Com seu jeito todo meigo e delicado, conquistava todos por onde passava. Agora fica a saudade que sentimos todos os dias, vivemos com a ausência e a dor de pensar como tudo seria diferente", finaliza a irmã de Vitória.
O que diz a defesa da condenada
"A defesa de LETÍCIA R. BIROQUE vem a público, informar que defesa respeita a decisão soberana do Tribunal do Júri e, ao mesmo tempo, reafirma que continuará exercendo, de forma plena e técnica, todas as prerrogativas inerentes à defesa constitucionalmente assegurada.
É importante esclarecer, contudo, ao proferir a sentença, o próprio Juízo responsável pelo julgamento reconheceu o direito de cumprimento da medida em prisão domiciliar, pelas circunstâncias concretas do caso e pelas condições favoráveis da ré.
O Ministério Público interpôs recurso buscando a alteração dessa decisão.
A defesa, por sua vez, irá atuar firmemente para que seja preservada a prisão domiciliar, defendendo perante o Tribunal competente a manutenção da decisão proferida pelo Juízo de primeiro grau.
Não se pretende, com isso, minimizar a gravidade dos fatos ou desrespeitar a decisão do Tribunal do Júri, entretanto, a defesa não permitirá que a legítima repercussão de um julgamento de grande comoção se transforme em antecipação de qualquer medida que não encontre respaldo na legislação e na decisão judicial.
A defesa respeita a Justiça, respeita o Tribunal do Júri e, sobretudo, respeita o Estado Democrático de Direito. É exatamente por isso que continuará fazendo aquilo que lhe cabe: DEFENDER.
Novo Horizonte, 9 de setembro de 2026".
Initial plugin text
Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba
VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM