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Justiça decreta falência de grupo de supermercados por dívida de quase R$ 700 milhões

Vencedor Atacadista é administrada pelo Grupo Ricoy

G1 — Brasil · 2026-09-10T10:15:48.000Z

Vencedor Atacadista é administrada pelo Grupo Ricoy

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decretou a falência do Grupo Ricoy, proprietário de 33 empresas de redes atacadistas no estado de São Paulo. O conglomerado, que abrange marcas em Itapetininga e Jundiaí (SP), reconheceu uma dívida de R$ 518 milhões, divididos em mais de 5 mil credores. A decisão é de 28 de agosto e cabe recurso.

A sentença do processo, que tramitava desde o final de 2025, foi proferida pela juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A decisão determina que todos os bens e contas bancárias vinculadas aos CNPJs do grupo sejam bloqueados.

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"O plano de recuperação judicial foi submetido à Assembleia Geral de Credores em 14 de julho de 2025, e foi rejeitado. O plano alternativo dos credores também não atingiu o quórum de 35% para votação. Assim, convolo a recuperação judicial em falência", decidiu a juíza.

Segundo o documento, o Grupo Ricoy acionou a Justiça em janeiro de 2026, devido ao corte de água em uma das unidades do Vencedor Atacadista, em Várzea Paulista (SP), por faturas atrasadas antes da recuperação judicial. A rede alegou perigos para operar e conseguiu uma liminar, proibindo cortes por débitos antigos.

Já em Jundiaí, a prefeitura do município cobrou na Justiça uma dívida de R$ 74 mil por falta de pagamento de impostos do grupo. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Jundiaí e Região denunciou irregularidades nas filiais, devido à alienação fraudulenta de equipamentos e mercadorias, prática usada com o objetivo de esconder patrimônio para evitar o pagamento de dívidas.

Além disso, o processo aponta que uma fiscalização conduzida por uma administradora judicial constatou o fechamento repentino de, ao menos, 19 lojas. O relatório denunciou, ainda, o desvio de faturamento das unidades para impedir a penhora por credores.

Segundo o relatório, o grupo também utilizava outras duas empresas para receber pagamentos dos consumidores por meio das máquinas de cartão de crédito dos estabelecimentos.

Em Itapetininga, o grupo era proprietário da rede Pão de Mel, que possuía três unidades na cidade, com a última encerrando as atividades em maio deste ano. O Grupo Ricoy chegou a ter 96 lojas e mais de 5 mil funcionários em 76 municípios do estado.

Dívida e dinheiro nunca depositado

Conforme a petição inicial, a qual o g1 teve acesso, o Grupo Ricoy declarou uma dívida de R$ 518.995.719,49, que deveria ser pago para 5.027 credores. Além disso, o conglomerado também admitiu um valor de R$ 172 milhões junto à União e às prefeituras de Jundiaí, São Paulo e Carapicuíba (SP).

Na petição, as empresas do grupo aatribuíram ocolapso financeiro a três fatores, entre eles, a concorrência dos atacarejos, as incertezas fiscais após a incorporação de outro grupo em 2012 e a alta da taxa Selic a partir de 2022, encarecendo o valor a ser pago.

Os fundadores do grupo venderam todas as ações ao empresário Cícero Santos Guedes em março deste ano, quando ele assumiu a administração de todo o conglomerado. De acordo com o processo, Cícero se comprometeu a aplicar R$ 50 milhões no caixa das empresas, divididos em pagamentos em atraso e capital de giro. Porém, o valor nunca foi depositado.

Sob a nova gestão, as empresas pararam de enviar à Justiça documentos financeiros considerados importantes, como demonstrativos, extratos, livros contábeis e folhas de pagamento. Cícero chegou a tentar suspender o processo, acusando os antigos sócios de ocultarem o valor da dívida, alegação que foi rejeitada pela juíza.

"O requerente, na qualidade de controlador pessoa física do Grupo Ricoy, não tem legitimidade física para requerer os pedidos relacionados à regularidade da recuperação judicial. Como controlador e administrador das sociedades do grupo, o requerente pode e deve ter acesso à documentação contábil e societária, as quais, inclusive, comumente são feitas durante o processo de compra e venda", apontou a magistrada.

Determinações da falência

Com a falência oficialmente decretada, a Justiça determinou uma série de medidas. Confira todas abaixo:

Arrecadação de bens: apreensão e proteção do patrimônio do grupo;

Varredura patrimonial: bloqueio de contas, investimentos, veículos e imóveis, além do envio das últimas declarações do Imposto de Renda (IR);

Inabilitação empresarial: acrescentar o termo "falido" na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) e na Receita Federal, impedindo a atividade como empresa;

Habilitação de créditos: os ex-funcionários dos supermercados do grupo e os credores da dívida deverão encaminhar os pedidos diretamente à administradora judicial.

História em Itapetininga

O fundador da Rede Pão de Mel em Itapetininga, Zecaborba Soares Hungria, morreu em 10 de janeiro deste ano. Ele vendeu a marca ao Grupo Ricoy em 2009.

A expressão "fazer compras no Borba" fazia parte do vocabulário dos moradores mais antigos da cidade até o fechamento da rede. Isso se deve à mercearia que o empresário tinha, a partir da qual iniciou a rede de supermercados que recebeu o nome de "Pão de Mel" e foi responsável por gerar centenas de empregos na cidade.

Rede Pão de Mel encerrou as atividades na cidade em maio de 2026

Além da atuação empresarial, ocupou cargos de liderança na Associação Comercial e no Sindicato Varejista de Itapetininga. Também colaborou com instituições sociais como a Apae, o Lar São Vicente, grupos de apoio a pessoas com deficiência e entidades de proteção animal, como a Uipa.

Na vida pública, recebeu a Medalha de Mérito da Câmara Municipal e participou de clubes de serviço como Rotary e Lions. Deixou a esposa Helena Munhoz Cardozo Hungria, os filhos Fernanda e Arnaldo, além de genro e netos.

O que dizem os citados

O g1 entrou em contato com o Grupo Ricoy, responsável por todas as empresas citadas, e com a Prefeitura de Jundiaí, mas não obteve retorno até a a última atualização desta reportagem.

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