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Mario Frias, secretário especial de Cultura do governo federal
G1 — Política · 2026-09-10T10:13:12.000Z
Mario Frias, secretário especial de Cultura do governo federal
Roberto Castro/ Mtur
Ator e deputado federal pelo PL de São Paulo, Mario Frias é um dos alvos da operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10) pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU). A ação investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e tem entre os alvos pessoas ligadas ao filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mario Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro são alvos de buscas da PF
Ator e ex-secretário de Cultura
Frias ficou conhecido como ator e, durante o governo Bolsonaro, ocupou o cargo de secretário especial da Cultura, antes de deixar a função para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Ele foi eleito deputado federal por São Paulo pelo PL.
Atuação em 'Dark Horse'
No cinema, Frias atua como roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse”. O filme é protagonizado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro.
A produção passou a ser alvo de atenção após reportagens sobre seu financiamento. Em maio, mensagens e áudios atribuídos a Frias e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro foram divulgados. Em uma das mensagens, Frias agradece a Vorcaro pelo apoio ao filme. As revelações ocorreram depois de o deputado afirmar que a produção não havia recebido “um único centavo” do banqueiro.
Posteriormente, Frias recuou da afirmação e disse que Vorcaro e o Banco Master não eram investidores diretos do projeto, mas que havia uma relação jurídica com a empresa Entre Investimentos.
Karina Gama, produtora do filme 'Dark Horse', e o deputado Mario Frias (PL-SP) são alvos de ação da Polícia Federal, que cumpre mandados de busca nesta quinta-feira (10).
Relação com Daniel Vorcaro
Segundo documentos e mensagens obtidos pelo site Intercept Brasil e confirmados pela TV Globo, Vorcaro teria repassado ao menos R$ 61 milhões para o projeto.
A Polícia Federal investiga o percurso desses recursos e se todo o dinheiro foi efetivamente utilizado no financiamento do filme ou se parte dos valores teve outra destinação.
Relação com Karina Gama
A relação de Frias com a produtora Karina Ferreira da Gama é anterior ao filme. Em 2022, a empresa GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, de Karina, recebeu R$ 54 mil para produzir a campanha eleitoral de Frias.
No ano seguinte, já como deputado, ele destinou R$ 2,5 milhões em emendas parlamentares de sua autoria para que o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada a Karina, aplicasse os recursos em projetos sociais no interior de São Paulo.
A dona do Instituto Conhecer Brasil (ICB), Karina Ferreira Gama, e o deputado federal Mario Frias (PL).
Investigação sobre a produtora
Karina Gama e o Instituto Conhecer Brasil também são investigados. A entidade mantém contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalação e manutenção de pontos de wi-fi gratuito em áreas periféricas.
A Polícia Civil já havia realizado uma operação contra a ONG em junho, diante de suspeitas relacionadas ao contrato. Entre os indícios apontados no inquérito estavam possível direcionamento do chamamento público, falta de capacidade técnica, suposto sobrepreço e pagamentos por serviços que não teriam sido executados.
Operação Make Up
Na operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira, a PF e a CGU cumprem 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Não há mandados de prisão.
A investigação sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura possível uso irregular de emendas parlamentares e de dinheiro público que teria chegado a entidades e empresas ligadas à produtora de “Dark Horse”.
Os investigadores apuram crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.