ITATIBA1
Tribunal de Justiça tranca processo contra coronel Edson Raiado
G1 — Brasil · 2026-09-10T12:16:03.000Z
Tribunal de Justiça tranca processo contra coronel Edson Raiado
A Justiça arquivou o processo contra Edson Luis Souza Melo Rocha, conhecido como coronel Raiado, e o tenente-coronel Renyson Castanheira Silva referente às mortes de três homens durante um tiroteio. Entre eles estava um suposto piloto do Primeiro Comando da Capital (PCC). O arquivamento ocorreu por falta de novas provas.
O caso aconteceu em fevereiro de 2023, em uma chácara entre Goiânia e Abadia de Goiás. Na época, a Polícia Militar divulgou que recebeu uma denúncia de populares sobre uma movimentação anormal de aeronaves na propriedade rural, às margens da BR-060. Foi organizada, então, uma operação com oito policias, segundo a PMGO divulgou na ocasião.
✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp
Para o Ministério Público de Goiás (MPGO), Raiado e Castanheira, que eram do Comando de Operações de Divisas (COD), forjaram um confronto e mataram o piloto Felipe Ramos Morais e os mecânicos Nathan Moreira Cavalcante e Paulo Ricardo Pereira Bueno.
Edson Luis e Renyson Castanheira foram denunciados pelo Ministério Público de Goiás por homicídio
Coronel Raiado e tenente-coronel da PM são denunciados por forjar tiroteio e executar piloto do PCC e dois mecânicos
Mortos em ação policial junto com piloto suspeito de participar da morte de chefes do tráfico não tinham passagens e eram mecânicos de aeronaves, diz delegado
Piloto suspeito de participar da morte de chefes do tráfico após emboscada durante voo morre em ação policial, diz PM
Em entrevista ao g1, o advogado Luis Alexandre Rassi, responsável pela defesa de Castanheira, explicou que a Justiça decidiu pelo arquivamento na última terça-feira (8). A decisão foi dada no âmbito de um habeas corpus de autoria do advogado Demóstenes Torres, que representa Raiado, mas abrange tanto ele quanto Castanheira.
O g1 entrou em contato com a defesa de Raiado, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Rassi destacou que o processo já havia sido arquivado, ainda em 2023, quando a Justiça decidiu que as mortes ocorreram por legítima defesa. O arquivamento de agora se refere a uma nova denúncia ofertada pelo MPGO este ano.
De acordo com o Ministério Público, os militares chegaram a afirmar que teria acontecido uma troca de tiros e que os suspeitos estariam de frente para eles no momento dos disparos. No entanto, os laudos de exame cadavérico e pericial apontaram, segundo o MP, que eles foram atingidos pelas costas, com Felipe e Paulo tendo sido atingidos enquanto estavam caídos e rendidos no chão.
Rassi explicou que o MP também alegou que o piloto não tinha pólvora nas mãos, o que seria uma prova de que ele não teria atirado e, portanto, não teria havido confronto.
"Só que o cadáver foi lavado antes de se fazer esse exame. Então, esse exame não prova nada", disse.
Depois, um perito particular contratado pelo MP não encontrou os cartuchos do tiroteio. "O que acontece? Era um campo. Então, não vai achar mesmo. Não se acha", explicou Rassi.
Antes do habeas corpus, o advogado Rassi entrou com uma ação de "exceção de coisa julgada", argumentando à Justiça que a decisão anterior, do arquivamento, não teria como ser revertida.
"O juiz decidiu por legítima defesa, que é imutável. E você não pode julgar duas vezes uma pessoa pelo mesmo fato", disse.
Segundo o advogado, a apelação estava prevista para ser julgada nesta quinta-feira (10), mas não será mais, em função da decisão de terça.
O g1 questionou o MPGO se pretende recorrer da decisão, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
VÍDEOS: últimas notícias de Goiás