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Qual o caminho dos celulares roubados em SP; operação detalha esquema criminoso

Operação contra roubo de celulares em SP

G1 — Brasil · 2026-09-10T12:54:04.000Z

Operação contra roubo de celulares em SP

A operação Frank Mobile, deflagrada na manhã desta quinta-feira (10) pelo Ministério Público e as polícias Civil e Militar de São Paulo, detalha o caminho percorrido pelos celulares roubados e furtados na capital.

Normalmente, esse tipo de crime acontece em segundos, mas depois da ação dos criminosos, o aparelho passa por uma complexa engrenagem que envolve diversas áreas.

🔎 A operação cumpre sete mandados de prisão e quase 90 mandados de busca e apreensão contra suspeitos de furto, roubo, receptação, adulteração e revenda de aparelhos celulares em todo o país.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), essa cadeia organizada começa na subtração do aparelho na rua e em festivais, segue para imóveis e lojas no Centro de São Paulo, passa por técnicos especializados em desbloqueio e adulteração e termina em empresas e comércios suspeitos de reinserir celulares e peças no mercado com aparência de legalidade.

A apuração é um desdobramento de investigações anteriores, como a Operação Salus et Dignitas, e reúne relatórios de inteligência, rastreamento de aparelhos, análises fiscais, dados financeiros, depoimentos de colaboradores e conversas extraídas de celulares e computadores apreendidos.

Passo a passo do esquema

O Ministério Público divide o fluxo do esquema de celulares roubados ou furtados em quatro núcleos interdependentes (detalhes no infográfico abaixo):

Núcleo 1 (subtração): é a ponta mais visível, com a participação dos autores de furtos, roubos e outros crimes patrimoniais envolvendo celulares;

Núcleo 2 (receptação e invasão): é o primeiro destino dos aparelhos, segundo a investigação;

Núcleo 3 (desbloqueio): entram técnicos, assistências e pontos comerciais apontados como responsáveis por resetar aparelhos, remover bloqueios, adulterar IMEI e desmontar celulares para reaproveitamento de peças;

Núcleo 4 (comercialização): pessoas e empresas suspeitas de revender aparelhos e componentes, inclusive com documentação fiscal e circulação empresarial que dariam aparência regular aos produtos.

O caminho dos celulares roubados em SP

Na prática, a tese dos investigadores aponta que o crime só continua compensando porque existe uma rede pronta para absorver rapidamente o aparelho roubado, apagar seus rastros e fazê-lo voltar ao mercado.

Por que São Paulo virou o epicentro

A investigação parte de um dado que já vinha chamando a atenção das autoridades: São Paulo concentra uma fatia expressiva dos roubos e furtos de celulares do país.

Segundo o documento do Gaeco, com base em dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 95 roubos e furtos de celulares por hora em 2025, sendo que o estado e capital paulista concentrariam cerca de 20% de todos os casos.

No recorte da cidade, o inquérito cita que São Paulo teve 154.058 celulares roubados ou furtados em 2025, média de 17 por hora. Desse total, apenas cerca de 10 mil foram devolvidos aos donos. Para os investigadores, esse percentual baixo de recuperação indica justamente a existência dessa estrutura eficiente para nutrir o crime.

A região da Rua Guaianases, em Santa Ifigênia e Campos Elíseos, aparece no inquérito como um dos principais polos de recepção imediata de celulares subtraídos. O local já vinha sendo mencionado em operações policiais há anos.

Segundo o material do MP, apenas em pesquisas feitas em sistemas policiais com referência à Rua Guaianases foram localizados mais de 500 registros de ocorrência envolvendo celulares em pouco mais de dois anos. Outro ponto considerado decisivo foi a repetição dos sinais de rastreamento.

Vítimas de crimes distintos, sem relação entre si, indicaram que seus aparelhos terminaram na mesma região, especialmente nas ruas Guaianases, Aurora e Timbiras.

Para o MP, essa concentração sugere que a área funciona como um "centro logístico": é ali que os celulares chegam, são guardados por pouco tempo e, depois, seguem para outras etapas da cadeia.

A investigação descreve dois grandes fluxos de abastecimento dessa engrenagem criminosa:

O primeiro envolve aparelhos levados em roubos com violência ou em furtos mediante quebra de vidro de veículos, que depois acabam localizados na região da 25 de Março, especialmente no Shopping Mundo Oriental e na Galeria Pagé.

O segundo tem como origem grandes eventos, festivais, shows e aglomerações públicas, com a Rua Guaianases sendo a protagonista. Entre os eventos citados na apuração estão Lollapalooza, Parada do Orgulho LGBT+, Virada Cultural, The Town, Tomorrowland e Só Track Boa.

Segundo o inquérito, nesses ambientes os criminosos agiriam com divisão de tarefas entre “batedores” e “recolhedores”. Os primeiros furtam; os outros recebem o aparelho rapidamente para acelerar o escoamento e reduzir o risco de flagrante.

Depois que o aparelho chega aos receptadores, começa uma etapa considerada estratégica pela investigação, com a atuação dos chamados “icloudeiros”, os especialistas em romper as proteções do celular.

A função deles, segundo o MP, é eliminar o vínculo entre o aparelho e o dono original. Isso pode incluir:

Desbloqueio de contas iCloud ou Google;

Redefinição de senhas;

Restauração de fábrica;

Remoção de travas de segurança;

Alteração do IMEI, o número que identifica o aparelho perante as operadoras.

O objetivo inicial, segundo a investigação, nem sempre é vender o aparelho de imediato. Antes disso, os criminosos tentariam explorar o conteúdo digital da vítima ao acessar aplicativos bancários, contas pessoais e outros serviços para fazer PIX, empréstimos e fraudes financeiras.

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