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Especialistas e empresários defendem reforma tributária em carta-manifesto a candidatos à Presidência da República

Cerca de 100 especialistas, acadêmicos, empresários e ex-autoridades da área econômica e tributária divulgaram uma carta-manifesto aos candidatos à Presidência da República em defesa da reforma tributária sobre o consumo, promulgada em dezembro de 2023.

G1 — Economia · 2026-09-10T12:13:47.000Z

Cerca de 100 especialistas, acadêmicos, empresários e ex-autoridades da área econômica e tributária divulgaram uma carta-manifesto aos candidatos à Presidência da República em defesa da reforma tributária sobre o consumo, promulgada em dezembro de 2023.

Entre os signatários, estão:

Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central;

Andrea Calabi, ex-presidente do Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES);

o empresário Jorge Gerdau;

Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda;

Vanessa Canado, ex-assessora especial do Ministério da Economia para reforma tributária no governo do ex-preidente Jair Bolsonaro; e

Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara dos Deputados.

🔎Veja a lista dos economistas que subscreveram a carta-manifesto no fim dessa reportagem.

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No documento, eles avaliam que a reforma tributária, atualmente em fase de implementação, representa um "grande avanço institucional que corrige distorções que prejudicam sobremaneira a produtividade, a competitividade e o potencial de crescimento de nosso país".

"Nesse contexto, propostas que defendam sua revogação ou suspensão são vistas com grande preocupação, pois geram insegurança e comprometem os benefícios esperados da reforma", acrescentam eles, na carta-manifesto.

Segundo o documento, o modelo de IVA Dual (CBS e IBS), novos impostos sobre o consumo não cumulativos do governo federal, estados e municípios, que substituirão outros tributos, como PIS, Cofins, ICMS e ISS, "incorpora o que há de melhor na experiência internacional de tributação de bens e serviços".

"O modelo brasileiro introduz várias inovações relevantes, possíveis graças ao nosso avanço tecnológico na gestão de documentos fiscais eletrônicos e de meios eletrônicos de pagamento", observam os analistas.

Segundo eles, a reforma tributária permitirá:

simplificar a estrutura tributária, reduzindo custos para as empresas e desestimulando o contencioso tributário, que resulta da complexidade do sistema atual;

desonerar totalmente os investimentos e as exportações, através da eliminação da incidência cumulativa e das restrições ao ressarcimento de saldos credores acumulados que caracterizam o sistema tributário atual;

corrigir distorções na forma de organização da produção, que reduzem a produtividade e dificultam o crescimento do Brasil;

reduzir a sonegação e as fraudes, viabilizando menores alíquotas para os novos tributos, beneficiando os bons contribuintes;

tornar o sistema mais progressivo, através da devolução de parcela dos tributos para as famílias de baixa renda, e mais transparente, explicitando o custo dos tributos para os consumidores;

implementar a tributação no destino, eliminando a guerra fiscal entre os entes da federação;

criar um novo modelo de política de desenvolvimento regional, substituindo o regime distorcido e ineficiente baseado em incentivos fiscais pouco transparentes; e

fortalecer o pacto federativo e garantir a autonomia dos estados e municípios para que estabeleçam, de forma transparente e em diálogo com seus cidadãos, o nível de tributação adequado às necessidades e prioridades de cada jurisdição.

Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema: candidatos à Presidência da República

No documento, os especialistas admitem que há "custos de transição" na reforma tributária, mas acrescentam que, em sua visão, os "efeitos de longo prazo da Reforma Tributária são inequivocamente positivos".

A expectativa do Ministério da Fazenda é de que a reforma impulsione o PIB em até 20,2% em 15 anos por conta do aumento da produtividade e dos investimentos.

"O debate democrático sobre seu aperfeiçoamento é legítimo e necessário, mas pode ocorrer ao longo do processo de implementação. Divergências sobre algumas características do novo modelo tributário não podem ser utilizadas como justificativa para reabrir a discussão sobre a Reforma Tributária ou interromper sua efetivação. Isso geraria insegurança para as empresas e entes federativos que já estão implementando as mudanças necessárias e investindo recursos para adaptação ao novo regime", acrescentaram os analistas.

Para eles, a reforma é uma "conquista do Estado brasileiro, não de um governo ou partido político específico". Analisam que ela foi "construída democraticamente e aprovada pelo Congresso Nacional, após profundas discussões envolvendo os entes federativos e os diferentes setores da sociedade".

"Por essas razões, convencidos de que estamos todos unidos em buscar o melhor para o Brasil, pedimos respeitosamente seu apoio para a continuidade da implementação da Reforma Tributária do Consumo", concluem.

O que dizem os candidatos à Presidência

Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Candidato avalia, em seu plano de governo, que a reforma tributária amplia a transparência, acaba com a cumulatividade e elimina a guerra fiscal entre os entes subnacionais. Diz, ainda, que a cesta básica ficará isenta desses impostos e os mais pobres terão direito a um mecanismo de cashback, o que favorece a progressividade tributária. Em um eventual novo mandato, afirma que buscará assegurar tratamento tributário justo na implementação da reforma tributária e estimular uma cultura de inovação tecnológica e inserção exportadora.

Flavio Bolsonaro (PL): Em seu programa de governo, candidato promete promover a "revisão e o redimensionamento da reforma tributária e a "majoração" de impostos efetuada pelo atual governo. "Vamos corrigir suas distorções, reduzir o IVA, hoje projetado num dos patamares mais altos do mundo, e assegurar a não cumulatividade, para que não se cobre imposto sobre imposto", diz, no documento.

Augusto Cury (Avante): No plano de governo, candidato diz que irá avaliar os impactos da reforma tributária sobre os diferentes setores da economia, com especial atenção às micro e pequenas empresas e aos segmentos estratégicos para o desenvolvimento e a geração de empregos. "Caso sejam identificadas distorções ou prejuízos relevantes, serão propostos os ajustes necessários, respeitando os princípios constitucionais e a segurança jurídica".

Ronaldo Caiado (PSD): Candidato diz, em seu plano de governo, que a carga tributária já é elevada e que o "sistema permanece complexo". Promete criar regime tributário estável para bens de capital e serviços de data center, coerente com a reforma tributária, condicionado a energia nova e renovável, eficiência hídrica com métricas públicas e resfriamento de ciclo fechado, reserva de capacidade para universidades, pesquisa e empresas brasileiras, qualificação e emprego local e investimento na rede elétrica.

Renan Santos (Missão): Plano de governo não traz uma menção específica à reforma tributária. Cita, porém, a reforma do funcionalismo público com fim dos supersalários, mudanças nas emendas parlamentares, redução das isenções fiscais e uma nova lei complementar das finanças públicas. Diz que essas propostas já deverão estar presentes em um projeto de PEC de Transição [Equilíbrio Fiscal], que terá por objetivo substituir o arcabouço fiscal por um "novo modelo mais inteligente.

Romeu Zema (Novo): Candidato promete, em seu plano de governo, assegurar uma "implementação eficaz" da reforma tributária. Objetivo seria evitar que a regulamentação "replique a complexidade do sistema atual por meio de burocracias desnecessárias, regimes especiais, exceções e tratamentos favorecidos, garantindo monitoramento técnico transparência sobre impactos setoriais e compromisso verificável de neutralidade da carga tributária".

Especialistas que assinaram a carta-manifesto

Afonso Arinos: Professor e pesquisador da FGV/EPGE

Alexandre Manoel: Consultor e pesquisador associado do FGV IBRE

Alexandre Schwartsman: Ex-diretor do Banco Central do Brasil e consultor

Alexis Fonteyne: Ex-deputado federal e empresário

Amaury Rezende: Professor titular da USP/FEARP

Ana Carla Abrão Costa: Economista

Ana Paula Vescovi: Ex-secretária do Tesouro Nacional e consultora

Andrea Calabi: Professor FEA-USP, Ph.D. Berkeley, pesquisador Fipe. Foi Secretário do Tesouro Nacional, Secretário de Fazenda do Estado de São Paulo e Presidente do Banco do Brasil e do BNDES

Ângelo de Angelis: Ex-auditor fiscal, economista e consultor

Aod Cunha: Ex-secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul

Armando Monteiro Neto: Ex-Senador e Ex-Presidente da CNI

Armínio Fraga: Economista, ex-presidente do Banco Central do Brasil

Bernard Appy: Economista, ex-secretário da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda

Bráulio Borges: Economista-sênior da LCA e pesquisador-associado do FGV IBRE

Camilla Cavalcanti: Ex-diretora da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda

Carlos Eugenio da Costa: Professor e pesquisador da FGV/EPGE

César Mattos: Economista e consultor da Câmara

Ciro Biderman: Diretor do FGV Cidades

Cleveland Prates: Ex-conselheiro do CADE e consultor

Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt: Economista e Professora da FGV

Cristina Pinotti: Economista e consultora

Daniel Loria: Ex-diretor da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda

Décio Padilha: Ex-secretário da Fazenda de Pernambuco

Eduardo Fleury: Advogado e economista, ex-consultor do Banco Mundial

Elena Landau: Advogada e economista, ex-diretora do BNDES

Ernesto Lozardo: Professor de economia da EAESP-FGV e ex-presidente do IPEA

Eurico de Santi: Professor e coordenador do NEF da FGV Direito SP e diretor do CCiF

Fábio Colletti Barbosa: Administrador e executivo

Fábio Giambiagi: Ex-superintendente de Planejamento do BNDES e exconsultor do BID

Felipe Salto: Ex-diretor-executivo da IFI, ex-secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo, economista-chefe

Fernando de Holanda Barbosa: Professor da FGV/EPGE

Fernando de Holanda Barbosa Filho: Professor e pesquisador do FGV/IBRE

Fernando Valente Pimentel: Representante de setor empresarial

George Bezerra: Ex-economista da CNI e professor de economia

Giovanni Padilha: Auditor fiscal da Receita Estadual na Sefaz-RS

Haroldo Ferreira: Representante de setor empresarial

Helcio Tokeshi: Economista, ex-secretário da Fazenda do Estado de São Paulo e ex-secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda

Heleno Torres: Professor Titular de Direito Financeiro da Faculdade de Direito da USP e advogado

Horácio Lafer Piva: Empresário

Idarilho Gonçalves Nascimento Neto: Representante de setor empresarial

Isaías Coelho: Pesquisador do Núcleo de Estudos Fiscais da FGV Direito SP

João Batista Ferreira Dornellas: Representante de setor empresarial

Jorge Arbache: Professor de Economia da UnB e ex-economista sênior do Banco Mundial

Jorge Gerdau Johannpeter: Empresário

Jorge Jatobá: Ex-secretário de Política de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho e secretário da Fazenda de Pernambuco, professor titular aposentado da UFPE

José Augusto de Castro: Representante de setor empresarial

José Ricardo Roriz Coelho: Representante de setor empresarial

José Roberto Mendonça de Barros: Ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e ex-secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior da Presidência da República

José Teófilo Oliveira: Ex-secretário da Fazenda do Espírito Santo

José Velloso Dias Cardoso: Representante de setor empresarial

Josué Gomes da Silva: Empresário, ex-presidente da FIESP

Josué Pellegrini: Ex-diretor da IFI

Leonardo Alvim: Procurador da Fazenda Nacional, coordenador do Comitê Tributário da Câmara de Segurança Jurídica da AGU

Leonel Pessoa: Professor da FGV Direito SP

Luiz Carlos Hauly: Deputado Federal

Luiz Henrique Braido: Professor e pesquisador da FGV/EPGE

Maílson da Nóbrega: Economista, ex-ministro da Fazenda no período 1988- 1990

Manoel Procópio Moura Júnior: Ex-diretor da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária

Marcelo Chara: Representante de setor empresarial

Marcelo Portugal: Professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Marcio Ferreira Verdi: Secretário-executivo do CIAT

Márcio Holland: Professor da EESP/FGV e ex-secretário de Política Econômica

Marco Polo de Mello Lopes: Representante de setor empresarial

Marcos Mendes: Doutor em economia e pesquisador associado do Insper

Marcus Pestana: Diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI)

Maria Carolina Gontijo: Advogada tributarista, professora e dona do perfil Duquesa de Tax nas redes sociais

Maria Helena Zockun: Diretora de pesquisas da FIPE

Mario Engler: Professor da FGV Direito SP

Mario Ramos Ribeiro: Professor titular da UFPA

Mário Sérgio Carraro Telles: Mestre em economia pelo CEDEPLAR/UFMG

Marta Arretche: Cientista política, professora titular do Departamento de Ciência Política da USP

Martus Tavares: Ex-ministro do Planejamento

Miguel Abuhab: Engenheiro e empresário global na área de tecnologia

Nelson Machado: Diretor do Centro de Cidadania Fiscal. Ex-ministro da Previdência Social

Otaviano Canuto: Ex-vice-presidente e diretor executivo no Banco Mundial, ex-diretor executivo no FMI e ex-vice-presidente no BID

Paulo Camilla Penna: Representante de setor empresarial

Paulo Tafner: Economista e diretor presidente do IMDS

Pedro Cavalcanti: Professor e pesquisador da FGV/EPGE

Pedro Fernando Nery: Professor de Economia do IDP

Pedro Humberto Bruno de Carvalho Junior: Economista e pesquisador em política tributária

Pedro Passos: Empresário

Pedro Wongtschowski: Empresário

Raul Velloso: Economista e presidente do INAE

Renato Baumann: Economista do IPEA e professor da UnB

Renato Fragelli Cardoso: Professor e pesquisador da FGV-EPGE

Renato Villela: Ex-secretário da Fazenda de SP e RJ

Ricardo Varsano: Consultor de política tributária, ex-economista sênior do FMI e ex-diretor de pesquisa do Ipea

Rodrigo Maia: Ex-presidente da Câmara dos Deputados

Rozane Siqueira: Professora titular do Departamento de Economia da UFPE

Samuel Pessôa: Economista e pesquisador do FGV IBRE

Sérgio Gobetti: Pesquisador do IPEA, ex-secretário adjunto de Política Fiscal e Tributária da SPE/Ministério da Fazenda

Sérgio Prado: Professor livre-docente do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas

Silvia Mattos: Professora e Pesquisadora do FGV/IBRE

Synésio Batista da Costa: Representante de setor empresarial

Tatiana Ribeiro: Diretora Executiva do Movimento Brasil Competitivo, entidade que reúne mais de 80 empresas

Vander Lucas: Professor da Universidade de Brasília

Vanessa Rahal Canado: Professora do Insper e ex-assessora especial do Ministro da Economia para assuntos relacionados à reforma tributária

Zeina Abdel Latif: Economista e Consultora da Gibraltar Consulting

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