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El Niño tem 75% de chance de ser o mais forte desde 1950, diz agência climática dos EUA

O que é o El Niño e como ele pode afetar o seu dia a dia

G1 — Brasil · 2026-09-10T13:06:53.000Z

O que é o El Niño e como ele pode afetar o seu dia a dia

O El Niño está se intensificando e pode ser o mais forte desde 1950. Isso é o que aponta a nova atualização do boletim mensal da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), divulgada nesta quinta-feira (10).

Segundo a agência, no trimestre de outubro a dezembro, há 75% de chance de o fenômeno ser o mais intenso desde 1950. A previsão é que nesse período seja registrado um aquecimento superior a 2,5°C no Oceano Pacífico.

No boletim anterior, publicado em 13 de agosto, a agência já estimava que a chance de o fenômeno atingir uma intensidade muito forte nos próximos meses era de 95%. A estimativa de um evento histórico desde 1950 era de 69%;

A nova projeção chega em um momento em que o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial continua aumentando.

Os dados apontam que as anomalias na faixa equatorial leste do oceano já superam os 3°C de aquecimentos. Já região Niño 3.4, uma das principais áreas usadas para acompanhar a evolução do fenômeno, o índice está em +1,8°C.

🌊 Entenda: O El Niño e a La Niña são as duas fases do mesmo fenômeno climático, chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico equatorial.

O fenômeno ocorre com frequência a cada dois a sete anos, tem duração média de doze meses e gera impacto direto no aumento da temperatura global. A La Niña é o oposto: um resfriamento dessas mesmas águas, com efeitos igualmente significativos, mas em direção contrária (entenda mais abaixo).

Imagem de 3 de agosto de 2026, feita com dados do satélite Sentinel-6 Michael Freilich, mostra mudanças no nível do Oceano Pacífico associadas ao El Niño.

Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

Quando a NOAA divulgou seu último boletim mensal, em agosto, o índice semanal da região Niño 3.4 já estava em +1,8°C, se mantendo estável de um mês para outro.

O valor de +1,8°C já é considerado pela Climatempo, por exemplo, como compatível com um El Niño de forte intensidade. A NOAA, por sua vez, vinha descrevendo o fenômeno como um El Niño em fortalecimento, sem classificar oficialmente o episódio atual como forte no boletim mensal anterior.

No Brasil, os efeitos do El Niño variam conforme a região e com a época do ano (atualmente, o pico previsto é entre novembro e janeiro). Historicamente, o El Niño costuma aumentar a chuva no Sul, o que pode elevar o risco de temporais e cheias.

No Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno tende a reduzir as precipitações e pode agravar períodos de seca.

No Sudeste e no Centro-Oeste, os impactos podem ser mais irregulares, com calor mais frequente, pancadas mal distribuídas e mudanças no comportamento das frentes frias.

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A força do El Niño depende do quanto o Pacífico Equatorial vai aquecer nos próximos meses e, principalmente, de como a atmosfera vai responder a esse aquecimento. Para que o fenômeno ganhe intensidade, não basta o oceano ficar mais quente: é preciso que o sistema oceano-atmosfera passe a atuar de forma acoplada e persistente.

Desde 2006, uma sequência de episódios de El Niño vem mudando cada vez mais o clima do planeta, que já está mais quente que no passado.

Mesmo quando são considerados fracos ou moderados, esses eventos acontecem em um mundo aquecido e acabam aumentando o risco de extremos, como secas, enchentes e ondas de calor. Veja:

2006–2007: El Niño fraco a moderado.

2009–2010: El Niño moderado.

2014–2016: El Niño muito forte, ligado a recordes de calor e extremos mais frequentes.

2018–2019: El Niño fraco a moderado, mais curto e com impactos mais limitados.

2023–2024: El Niño forte, um dos mais intensos já registrados, associado a novos recordes de calor.

🌎 O que é o El Niño — e por que ele importa tanto

O El Niño é um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador.

Ele faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras — com impactos em várias regiões do planeta.

Esse aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo.

No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.

O fenômeno também influencia a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média, somando-se ao aquecimento global.

A intensidade varia de um evento para outro, assim como os impactos. E, com o planeta já mais quente, mesmo episódios moderados podem ter efeitos mais fortes do que no passado.

Pela 1ª vez, mundo registra um dia com temperatura média global 2°C acima da era pré-industrial

Condições geradas por El Niño podem facilitar as queimadas e impactar produções agrícolas.

Michael Dantas/AFP via DW

🌧️ Possíveis impactos no Brasil

Historicamente, o El Niño altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa:

aumento de chuva no Sul, com risco maior de eventos extremos;

redução de chuvas no Norte e em partes do Nordeste;

mais irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste;

maior frequência de ondas de calor.

Segundo especialistas, um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão.

Mesmo com a alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima.

Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta.

El Niño e La Niña

Arte g1/Luisa Rivas

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