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Relatório aponta capacidade de abastecimento de Ribeirão Preto, SP, pelo Aquífero Guarani até 2050, desde que captação mude

Relatório aponta abastecimento de Ribeirão Preto, SP, pelo Aquífero Guarani até 2050

G1 — Brasil · 2026-09-10T13:46:28.000Z

Relatório aponta abastecimento de Ribeirão Preto, SP, pelo Aquífero Guarani até 2050

O Aquífero Guarani tem capacidade para continuar abastecendo Ribeirão Preto (SP) até 2050, mas a cidade precisa mudar a forma como retira e distribui a água subterrânea para evitar o agravamento dos rebaixamentos nas áreas mais pressionadas, segundo relatório técnico finalizado em abril de 2026 e divulgado na última terça-feira (8).

O estudo “Sistema Aquífero Guarani: capacidade máxima, resiliência e sustentabilidade para o abastecimento público e privado de Ribeirão Preto” foi elaborado pela Tritium Geologia e Meio Ambiente para a Secretaria de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Saerp).

O relatório consolida dados levantados entre 2024 e 2026, incluindo banco de poços, monitoramento, modelo hidrogeológico 3D e simulações sobre o comportamento do aquífero.

A principal conclusão é que o manancial subterrâneo segue viável para o abastecimento, desde que a exploração seja planejada, monitorada e redistribuída. A capacidade máxima recomendada de uso foi estimada em cerca de 9 mil litros por segundo.

Ribeirão Preto é abastecida integralmente por águas subterrâneas do Aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água doce do mundo.

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Por que a captação precisa mudar?

O relatório aponta que a região central de Ribeirão Preto concentra, historicamente, uso intensivo do Aquífero Guarani. Segundo o estudo, essa pressão provoca queda no nível ou na pressão da água subterrânea, além de redução de vazão, aumento de custos operacionais e perda de poços.

Nas simulações feitas para o estudo, o cenário em que o modelo atual de uso do aquífero é mantido até 2050 indica agravamento dos rebaixamentos. Já os cenários com redução das retiradas nas zonas centrais e redistribuição das captações para regiões periféricas mostram menor impacto sobre o sistema.

O relatório recomenda buscar a redução de 2 m³/s nos bombeamentos atualmente existentes nas zonas centrais até 2035. Fora dessas áreas, o estudo propõe que novas outorgas adotem como referência uma taxa média de 1.000 m³/dia/km².

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O que acontece se nada for feito?

Segundo o relatório, manter o padrão atual de captação tende a aprofundar o cone de rebaixamento, nome dado à área onde a retirada de água subterrânea reduz os níveis do aquífero.

No "Cenário 1", que replica o modelo atual de uso até 2050, o rebaixamento adicional chega a mais de 50 metros em partes das zonas centrais. No "Cenário 3," que prevê uma operação mais distribuída, o rebaixamento não ultrapassa 40 metros.

A comparação entre os cenários mostra diferença de 20 metros no centro do cone de rebaixamento em 25 anos, o que representa uma atenuação média de 0,8 metro por ano no cenário com mudança de operação.

O rebaixamento citado no relatório se refere à água subterrânea. O documento não aponta risco de afundamento da superfície urbana.

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Quais medidas são recomendadas?

O programa de operação indicado no relatório prevê reduzir as vazões captadas nas zonas centrais, limitar o funcionamento dos poços a no máximo 20 horas por dia e avançar na setorização do sistema de abastecimento.

O estudo também recomenda a implantação de reservatórios setoriais até 2035 e a transição do modelo em que a água captada é injetada diretamente na rede para o formato “captação por poços → reservatório → rede de distribuição”.

Outra medida é reduzir perdas na rede. No planejamento específico das operações da Saerp, o relatório cita redução de vazão na ordem de 1 m³/s nas zonas centrais e redução de perdas correspondente a 1 m³/s até 2035.

O documento também prevê a implantação gradual de campos de poços no setor sul do município, de forma modular, como parte de uma estratégia para captar fora das áreas mais pressionadas.

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E o Rio Pardo?

O Rio Pardo não é descartado pelo relatório, mas aparece como alternativa para um horizonte posterior ao planejamento até 2050.

Segundo o documento, fontes alternativas, como o Rio Pardo, podem ser avaliadas para ampliar a oferta em demandas superiores a 9 m³/s, o que corresponderia a um cenário posterior a 2050, conforme as projeções usadas no estudo.

Em 2024, o g1 mostrou que Ribeirão Preto planejava usar o Rio Pardo como fonte alternativa de consumo e avaliava as condições do Aquífero Guarani. Na época, o projeto era apontado como forma de reduzir a pressão sobre o manancial subterrâneo.

Pelo novo relatório, o Guarani segue como fonte central para o abastecimento da cidade até 2050, desde que as medidas de gestão sejam implementadas.

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