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Karina Ferreira da Gama, dona da empresa Go UP Entertainment, responsável pelo filme ‘Dark Horse’ - sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
G1 — Brasil · 2026-09-10T16:40:52.000Z
Karina Ferreira da Gama, dona da empresa Go UP Entertainment, responsável pelo filme ‘Dark Horse’ - sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em análise sobre o caso Dark Horse, a Polícia Federal (PF) identificou que o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme "Dark Horse", repassou R$ 8,5 milhões à Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda.
A empresa é apontada pela investigação como uma das organizações usadas para redistribuir recursos dentro de uma rede que recorria a “laranjas” para ocultar a movimentação e a titularidade de valores provenientes de supostos desvios de recursos públicos.
Entre os repasses feitos pela Ultra IP, R$ 1 milhão foi transferido para uma empresa registrada em nome de uma cuidadora de idosos que recebia R$ 1.815 e era beneficiária do Novo Bolsa Família.
A empresa também enviou R$ 627,4 mil a uma firma cujo único sócio tinha como última ocupação formal a de servente de obras.
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As movimentações da Ultra IP
Segundo um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) analisado pela PF, a conta da Ultra IP foi aberta em 25 de julho de 2024. Entre 30 de julho e 9 de outubro daquele ano, em menos de três meses, registrou uma movimentação bruta de R$ 31,6 milhões.
Desse total, foram R$ 15,8 milhões em créditos e R$ 15,8 milhões em débitos.
O ICB aparece como o principal remetente de recursos no período, com oito transferências que somaram R$ 8.554.301,14.
A Ultra IP, que anteriormente se chamava William Silva Ferreira Representações, aparece na investigação como uma das empresas que, além de receber valores expressivos do ICB, fazia transferências posteriores para outros integrantes da rede financeira.
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Entre os principais destinatários estava a ABC Logísticas e Serviços Ltda., que recebeu R$ 1.075.586. A empresa tinha capital social declarado de R$ 500 mil e uma única sócia-proprietária, Nayara Bianca Silva de Souza. Segundo a PF, ela trabalhava como cuidadora de idosos, tinha salário médio de R$ 1.815 e registro de recebimento do Novo Bolsa Família.
Outros R$ 627.482,25 foram transferidos à Fastsoftsolution Mídia Desenvolvimento e Publicidade Ltda., empresa com capital social de R$ 300 mil.
O único sócio da organização era Anderson Souza Mendes, que, segundo a investigação, tinha como última ocupação formal registrada a de servente de obras, com remuneração média entre um e dois salários mínimos.
A Ultra IP também transferiu R$ 1.336.201,50 para a Academia Nacional de Cultura (ANC), outra entidade presidida por Karina Gama.
Para a PF, empresas como a Ultra IP atuavam como “redistribuidoras dos recursos”, recebendo valores do ICB e realizando posteriormente transferências para outros integrantes da rede investigada.
A investigação aponta que, entre 2024 e 2026, os envolvidos teriam usado pessoas físicas e jurídicas interpostas para ocultar e dissimular a origem, a localização, a movimentação e a titularidade de valores provenientes de supostos desvios de recursos públicos federais.
Segundo a PF, as circunstâncias encontradas indicam, em tese, o uso de pessoas jurídicas como instrumentos para a circulação e a ocultação de valores.