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Mario Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro são alvos de buscas da PF
G1 — Política · 2026-09-10T17:08:45.000Z
Mario Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro são alvos de buscas da PF
Karina Ferreira da Gama, produtora do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, comprou um SUV híbrido pelo qual pagou R$ 102.190 em dinheiro vivo em janeiro de 2025. A transação foi registrada em uma comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por ter sido paga integralmente em espécie, segundo decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
A compra foi feita em 13 de janeiro de 2025, na concessionária BYD Dahruj, em São Paulo. O veículo adquirido foi um BYD Song Plus 1.5 16V automático híbrido, modelo 2025.
A informação consta da decisão do ministro Flávio Dino, que autorizou medidas no âmbito de uma investigação da Polícia Federal. O texto afirma que a comunicação foi motivada pelo fato de a compra ter sido paga com “valores totais em espécie”.
🔍 O valor movimentado por Karina chamou atenção do Coaf porque ultrapassa os limites regulatórios que tornam a comunicação automática: R$ 50 mil para operações bancárias e R$ 100 mil em cartórios. Isso acontece porque grandes quantias em dinheiro vivo são difíceis de rastrear e é um método usado para lavar recursos de origem ilícita. Por isso, ao atingir ou ultrapassar esses limites, a instituição é obrigada por lei a reportar a operação ao Coaf, mesmo sem indício de crime.
Karina Ferreira da Gama, dona da empresa Go UP Entertainment, responsável pelo filme ‘Dark Horse’ - sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A Polícia Federal também registrou que o veículo tinha valor de R$ 184.858 na Tabela Fipe. A diferença entre esse valor e os R$ 102.190 pagos pela produtora é de R$ 82.668.
A decisão, porém, não explica o motivo da diferença entre o valor pago pelo carro e a cotação da Fipe. O documento apenas registra os dois valores no contexto da análise financeira.
A comunicação ao Coaf, por si só, não significa que a compra do veículo seja crime. O pagamento em dinheiro é apresentado na decisão como uma informação financeira considerada relevante no contexto da investigação.
Produtora de filme
Karina Gama é sócia da Go Up Entertainment Ltda., empresa apontada na decisão como produtora de Dark Horse. O filme aborda a trajetória de Jair Bolsonaro.
Ela também aparece no documento como presidente do Instituto Conhecimento Brasil (ICB) e da Associação Nacional de Cultura (ANC).
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Segundo a decisão, o ICB recebeu recursos relacionados a emendas parlamentares de autoria do então deputado Mário Frias. A investigação busca esclarecer a destinação dos recursos e as relações entre pessoas e empresas ligadas ao caso.
A decisão também afirma que a Go Up recebeu recursos de pessoas e empresas relacionadas ao núcleo investigado, o que, segundo o documento, pode indicar “possível integração patrimonial e operacional” com entidades beneficiadas por emendas parlamentares.
São investigados os crimes de peculato (desvio, por parte de um funcionário público, de bens e valores que ele tem acesso por conta do cargo que ocupa), falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
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O que aconteceu?
A Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10) em operação relacionada ao financiamento do filme "Dark Horse". Além de Karina Gama, o deputado federal Mario Frias também é alvo da ação.
A operação não tem mandados de prisão, apenas de busca e apreensão. A empresa produtora do filme, Go Up, não está na mira dos mandados.
A operação desta quinta-feira foi deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) e foi batizada de "Make Up". A investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, informou a PF.
Segundo a investigação, uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados teria direcionado recursos repassados a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação de que os serviços foram efetivamente prestados.
A PF informa ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema e afirma que as tentativas de ocultar os desvios continuaram até julho deste ano.
Auditoria da CGU apontou suspeita de desvio da emenda de R$ 2 milhões indicada por Frias para entidades de Karina, como gastos não comprovados.
Frias atua como roteirista e produtor-executivo da produção. Em maio, o parlamentar enviou uma manifestação ao STF na qual negou que as emendas enviadas para ONGs ligadas à produtora do filme de Bolsonaro tenham sido enviadas a "qualquer produção cinematográfica".
Os citados na operação foram procurados pela reportagem, mas ainda não se pronunciaram.
Financiamento do filme
Em maio, o site Intercept Brasil revelou uma troca de mensagens e um áudio em que Flávio Bolsonaro cobrava dinheiro de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair. De acordo com a reportagem, Vorcaro pagou ao menos R$ 61 milhões em 2025.
O dinheiro, de acordo com o site, foi transferido para um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), irmão de Flávio.
Na quarta (9), o ministro André Mendonça homologou o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como "Mineiro".
Mineiro é dono da Entre Investimentos, a empresa que, a mando de Vorcaro, fez repasses para o filme "Dark Horse". O dinheiro foi pedido ao ex-banqueiro por Flávio Bolsonaro.
🔎 A delação ou colaboração premiada é um meio de obtenção de provas nas investigações criminais. Nesse recurso, o investigado se dispõe a cooperar com o processo e a investigação. Em troca, o Estado pode dar benefícios a ele, como redução de pena em caso de condenação.
O empresário afirmou em sua delação — assinada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto — que era responsável por "gerar" dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro. O dinheiro era entregue em malas e, segundo ele, seria usado para pagamentos de propina.
Como o blog da Andreia Sadi revelou, Mineiro disse ainda que fez sete repasses, a título de "subscrições de cotas", para o fundo Havengate nos Estados Unidos. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA.
As transações foram feitas de janeiro a setembro de 2025 e totalizaram US$ 12,333 milhões. Pela cotação de setembro de 2025, esse valor equivalia a R$ 62,8 milhões.
A subscrição de cotas é um processo em que um fundo emite novas cotas para aumentar seu patrimônio, recebendo aporte de investidores.
Flávio Bolsonaro vinha afirmando que o último pagamento de Vorcaro havia sido em maio de 2025. O pagamento de setembro, no valor de US$ 1,666 milhão, contraria essa afirmação.
A PF investiga se a totalidade do dinheiro foi usada no filme "Dark Horse", como afirmam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se uma parte foi destinada para outros fins — como bancar Eduardo Bolsonaro nos EUA.