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Arqueólogos descobrem no Egito porta falsa para 'ligar vivos aos mortos'

Cientistas descobrem câmara secreta na pirâmide de Gizé, no Egito

G1 — Brasil · 2026-09-10T20:46:09.000Z

Cientistas descobrem câmara secreta na pirâmide de Gizé, no Egito

Alguns governantes do Egito Antigo deixaram pirâmides como monumentos funerários. Outros integrantes da elite tiveram sepulturas muito mais discretas, embora nem por isso menos reveladoras sobre sua posição social.

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É o caso de Sekhentiu-Ptah, um alto funcionário cuja tumba, com cerca de 4 mil anos, acaba de ser descoberta em Saqqara, a antiga necrópole de Mênfis, ao sul do Cairo. A tumba tinha uma porta falsa para "ligar os vivos aos mortos".

O achado, anunciado pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, faz parte de uma escavação realizada na região do Bubasteion, a oeste da necrópole. Em períodos posteriores, a área ficou associada ao culto da deusa-gata Bastet.

Segundo o comunicado oficial, os envolvidos na descoberta seguiram um rigoroso programa científico que incluiu escavação estratigráfica, documentação arquitetônica e fotográfica, digitalização de achados e estudos linguísticos.

A coordenação ficou a cargo de Hisham Al-Lithi, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades.

Embora a tumba seja a principal descoberta, ela não foi o único achado do local. Os arqueólogos localizaram vários poços funerários contendo restos humanos e mais de cem ushabtis de faiança, pequenas estatuetas colocadas nas tumbas para acompanhar o falecido na vida após a morte.

'Guardião dos segredos'

Tumba de Sekhentiu-Ptah encontrada no Egito

Ministério do Turismo do Egito

As inscrições hieroglíficas encontradas na tumba permitiram identificar Sekhentiu-Ptah e reconstruir a extensa lista de cargos que ocupou.

Segundo o ministério egípcio, ele exerceu funções como camareiro real, supervisor das obras do rei, supervisor dos documentos reais, sacerdote da deusa Maat e chefe dos escribas.

Um desses títulos, traduzido como "guardião dos segredos dos decretos reais", pode soar misterioso. No entanto, é provável que correspondesse a uma função administrativa bastante convencional.

Em entrevista ao portal Live Science, a egiptóloga Ann Macy Roth, da Universidade de Nova York, que não participou da escavação, explicou que o título era comum entre os escribas reais e provavelmente apenas indicava que, por lidar com documentos da corte, ele tinha acesso a informações confidenciais.

Sekhentiu-Ptah viveu durante o Império Antigo, período em que foram construídas as grandes pirâmides, incluindo as de Gizé.

Roth acredita que os elementos arquitetônicos da tumba datam do final da 5ª dinastia e início da 6ª. Com base nas características, os achados teriam sido construídos há aproximadamente 4.350 anos.

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A falsa porta e o enxoval funerário

Egito anunciou descoberta em tumba de Sekhentiu-Ptah

Ministério do Turismo do Egito

Talvez o elemento mais impressionante da tumba seja a chamada "falsa porta", um componente comum da arquitetura funerária egípcia.

Ela não era uma porta funcional nem tinha a finalidade de impedir a ação de saqueadores. De fato, a tumba foi violada em algum momento de sua longa história.

Mas o significado dessa porta era religioso: acreditava-se que ela funcionava como um ponto de ligação com o além e permitia ao espírito do falecido transitar entre os dois mundos.

Diante da porta foram encontrados diversos objetos funerários. Segundo o comunicado do ministério, os arqueólogos identificaram uma mesa de oferendas, uma peça destinada ao ritual do qurban, ou seja, de sacrifício, uma bacia de purificação, um jarro e uma esteira, todos com inscrições hieroglíficas.

A escavação também revelou outros materiais. O ministério informou a descoberta de três sarcófagos de pedra que permaneciam lacrados desde a Antiguidade, além de uma escultura de madeira em forma de falcão e grandes quantidades de cartonagem funerária colorida.

Sobre a figura do falcão, o Live Science destaca uma possível associação com Hórus, o deus egípcio representado com cabeça dessa ave.

O que ainda não foi encontrado, porém, é a própria múmia de Sekhentiu-Ptah. Segundo Roth, o espaço pode ter sido reutilizado após o sepultamento original, uma prática comum no Egito Antigo.

Isso explicaria por que alguns dos ushabtis e fragmentos de cartonagem parecem pertencer a pessoas enterradas ali posteriormente.

Saqqara continua revelando novos tesouros

Tumba de Ptahhotep, em Saqqara, na mesma necrópole em que arqueólogos encontraram a tumba de Sekhentiu-Ptah

Daniel Schoenen/imageBROKER/picture alliance via DW

Declarada Patrimônio Mundial pela Unesco, Saqqara é centro de pesquisas arqueológicas desde o século 19 e continua proporcionando novas descobertas.

A necrópole desempenhou papel central durante o Império Antigo, aproximadamente entre 2700 e 2200 a.C., quando recebeu sepultamentos de membros da realeza e da elite egípcia. Seu uso funerário, no entanto, não terminou nesse período e se estendeu até a época romana.

Em entrevista à revista Smithsonian Magazine, Campbell Price, curador das coleções de Egito e Sudão do Museu de Manchester, falou da importância simbólica do local. Segundo ele, Saqqara era o lugar "onde se queria ser visto morto", devido à sua reputação como porta de acesso ao além.

Mas Saqqara não abriga apenas tumbas de funcionários como a de Sekhentiu-Ptah. O sítio arqueológico também reúne pirâmides reais, incluindo a famosa Pirâmide de Degraus de Djoser, além de uma vasta necrópole subterrânea dedicada a animais.

Essa diversidade levou o arqueólogo Magdy Shaker a afirmar, em entrevista ao portal Al-Monitor, que Saqqara reúne boa parte da história do Egito Antigo, em contraste com o foco mais restrito das pirâmides da 5ª dinastia em Gizé.

O potencial arqueológico e turístico da região levou as autoridades egípcias a investirem na melhoria dos acessos e da infraestrutura para visitantes. Ainda assim, Saqqara continua ofuscada por sua vizinha mais famosa: as pirâmides de Gizé.

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