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Veja o que é #FATO e o que é #FAKE na entrevista de Anthony Garotinho a 'O Globo', 'Extra', 'Valor' e CBN

Anthony Garotinho (Republicanos), ao centro, participa de sabatina de 'O Globo', 'Extra', 'Valor' e CBN com os candidatos ao Governo do Rio de Janeiro

G1 — Brasil · 2026-09-10T22:51:53.000Z

Anthony Garotinho (Republicanos), ao centro, participa de sabatina de 'O Globo', 'Extra', 'Valor' e CBN com os candidatos ao Governo do Rio de Janeiro

Ana Branco/Agência O Globo

O candidato ao governo do Rio pelo Republicanos, Anthony Garotinho, foi entrevistado nesta quinta-feira (10) por "O Globo", "Extra", "Valor" e CBN. Conduzida pelos apresentadores da CBN Rio Bianca Santos e Leandro Resende; pelo editor de Política dos jornais "O Globo" e "Extra", Thiago Prado; pelo colunista Bernardo Mello Franco e por Francisco Góes, chefe da sucursal do "Valor" no Rio, a entrevista começou às 10h30 e teve 1h30 de duração.

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A série foi aberta nesta terça-feira (8) com o deputado estadual Douglas Ruas (PL). Já William Siri (PSOL) foi sabatinado na quarta-feira (9). Eduardo Paes (PSD) fecha a programação, nesta sexta-feira (11). Cada entrevista terá uma hora e meia de duração.

A programação é a seguinte:

8 de setembro (terça-feira) - Douglas Ruas (PL) – leia a checagem

9 de setembro (quarta-feira) - William Siri (Psol) – leia a checagem

10 de setembro (quinta-feira) - Anthony Garotinho (Republicanos)

11 de setembro (sexta-feira) - Eduardo Paes (PSD)

A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Garotinho (Republicanos). Leia:

"Oito caminhões são roubados [no estado do Rio de Janeiro] todos os dias."

A declaração é #FATO. Veja por quê:

O Instituto de Segurança Pública (ISP) registrou 3.114 roubos de carga no Estado do Rio em 2025. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) usa os mesmos dados e calcula uma média de oito caminhões roubados por dia no ano passado.

"Nunca vi permitir o que acontece no Brasil. O cara vai lá fora, pega dinheiro a 2,5% e empresta para o governo a 14%."

#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:

A taxa básica de juros brasileira está, de fato, em 14% ao ano, após decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) em agosto de 2026.

Os 14% da Selic não significam que todo investidor empresta dinheiro ao governo exatamente a essa taxa. Os títulos da dívida têm diferentes prazos, indexadores e remunerações. Além disso, a dívida é financiada por fundos, bancos, previdência, seguradoras, investidores estrangeiros e outros grupos.

Também não há uma taxa universal de 2,5% pela qual investidores simplesmente tomem recursos no exterior para aplicá-los no Brasil. Operações desse tipo podem ocorrer, mas envolvem diferentes juros, câmbio, custos e riscos.

"No ano passado, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), 185 mil carros foram roubados ou furtados no Rio."

A declaração é #FAKE. Veja por quê:

O Instituto de Segurança Pública (ISP) contabilizou 25.235 roubos e 17.490 furtos de veículos em 2025 no estado do Rio, totalizando 42,7 mil ocorrências. O levantamento considera diferentes tipos de veículos de transporte rodoviário (automóveis, caminhões, motocicletas, caminhonetes, vans etc.).

"O caso do Álvaro Lins foi um dossiê feito por um delegado […] que o Álvaro Lins tirou da delegacia de Meio Ambiente, porque tentou extorquir a Bayer."

A declaração é #FAKE. Veja por quê:

Anthony Garotinho se refere ao delegado Maurício Demétrio Afonso Alves, que de fato esteve envolvido em um episódio com a Tribel, empresa do grupo Bayer, em Belford Roxo. O caso ocorreu em 2003, quando Demétrio atuava na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, e terminou com sua transferência da unidade.

O episódio da Bayer, porém, não deu origem à investigação contra Álvaro Lins, advogado, ex-capitão da Polícia Militar e ex-chefe da Polícia Civil do Rio. Lins comandou a corporação entre 2000 e 2006 e, depois, foi eleito deputado estadual. A apuração contra ele começou com a Operação Gladiador, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2006 para investigar uma organização que dava proteção a contraventores. A operação contou com interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça.

A partir da Gladiador, a PF identificou policiais ligados a Lins e chegou à Operação Segurança Pública S.A., que investigou o favorecimento ao grupo do contraventor Rogério Andrade e a exploração de jogos ilegais. Demétrio foi uma testemunha importante, tendo denunciado Lins e prestado depoimento em 2008, mas não foi a única fonte das acusações: o processo também reuniu documentos, outros depoimentos e interceptações telefônicas.

Lins chegou a ser condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal (TRF2) a 23 anos, quatro meses e 16 dias de prisão. Em 2024, porém, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o envio do processo à Justiça Eleitoral por entender que a Justiça Federal não era competente para julgar o caso. Atualmente, a ação tramita na Justiça Eleitoral.

"Se você somar os dias que eu fiquei detido, não chegam a 29 dias, quatro vezes. Teve dia de eu entrar de manhã e sair de tarde."

A declaração é #FAKE: Veja por quê:

O ex-governador foi preso em cinco ocasiões, a primeira em novembro de 2016 e a última em outubro de 2019. Os 29 dias citados por ele não correspondem ao tempo total das prisões somadas, que são de 50 dias. Esse período se refere especificamente à terceira prisão de Anthony Garotinho, entre 22 de novembro e 21 de dezembro de 2017, na Operação Caixa d’Água.

Garotinho foi preso junto da esposa e ex-governadora Rosinha Garotinho. Ambos foram acusados de integrarem uma organização criminosa que arrecadava recursos de forma ilícita com empresários para financiar as próprias campanhas eleitorais e a de aliados, segundo as investigações. Uma das acusações foi de ter recebido R$ 2,6 milhões via caixa dois da JBS.

Nas outras três prisões, ele ficou detido por períodos diferentes: 8 dias em 2016, 13 dias em setembro de 2017 e menos de 24 horas em setembro de 2019.

"Eu saí do governo do estado com 80% de aprovação, segundo o Datafolha, e a minha sucessora ganhou no primeiro turno. E eu ganhei a eleição do Lula para presidente do Rio."

A declaração de Garotinho sobre o Datafolha é #FAKE.

A declaração de Garotinho sobre sua sucessora e vitória no RJ é #FATO.

Veja por que a primeira delas é #FAKE:

Anthony Garotinho foi governador do Rio entre janeiro de 1999 e abril de 2002, quando renunciou para concorrer à Presidência.

Consultado pelo Fato ou Fake, o Datafolha enviou um gráfico exibindo a evolução da avaliação de Garotinho entre junho de 1999 e dezembro de 2001.

Nenhuma pesquisa do instituto aponta 80% de aprovação do ex-governador frente ao governo do Rio. O maior percentual ocorreu no primeiro levantamento, de 11 de junho de 1999, quando recebeu 68% de aprovação.

Já a última avaliação do governo, publicada em 2 de julho de 2001, 61% dos moradores aprovavam a gestão, 29% a consideravam regular e 8% reprovavam.

Veja por que a segunda delas é #FATO:

Segundo dados disponíveis no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosinha Garotinho, esposa do candidato, foi eleita no primeiro turno com 51,3% dos votos válidos nas eleições de 2022 para o governo do Rio.

Garotinho também foi o candidato à Presidência mais votado no Rio, com 42,18% dos votos, superando Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 40,17%.

"Propinoduto foi descoberto dentro do governo Rosinha. O Silveirinha, que era o personagem central, junto com auditores fiscais federais e fiscais estaduais, cobravam propina na secretaria. A Rosinha era governadora. Nós descobrimos, ele foi afastado, foi julgado e preso."

A declaração é #FAKE. Veja por quê:

O "propinoduto" foi um esquema de corrupção coordenado por fiscais da Fazenda do Rio de Janeiro e da Receita Federal que cobravam propinas milionárias de empresários e enviavam o dinheiro para contas na Suíça. Os ilícitos ocorreram entre o fim da década de 1990 e o início dos anos 2000. Garotinho foi o governador do Rio entre os anos 1999 e 2002.

O caso não foi descoberto pelo governo de Rosinha, mas sim a partir de investigações do Ministério Público da Suíça, iniciadas em 2002, e ganhou repercussão em 2003, primeiro ano do governo de Rosinha Garotinho.

Apontado como chefe da quadrilha, Rodrigo Silveirinha foi subsecretário-adjunto de Administração Tributária da Secretaria de Fazenda entre 1999 e 2002, no governo de Anthony Garotinho.

Em janeiro de 2003, nos primeiros dias da gestão Rosinha, o ex-subsecretário foi nomeado pela então governadora para a presidência Companhia de Desenvolvimento Industrial (Codin), mas foi exonerado do cargo por ela dez dias depois, em meio ao escândalo do "propinoduto".

Silveirinha e outros envolvidos foram condenados em 2003. Ele chegou a ser preso no mesmo ano, mas foi solto em 2004 por um habeas corpus, posteriormente referendado pela Primeira Turma do STF. Ele morreu em 2023.

No ano passado, a Justiça Federal ordenou que os herdeiros de Silveirinha devolvessem mais de R$ 280 milhões aos cofres públicos. O valor correspondia ao que foi enviado à Suíça e que permanecia bloqueado no país, corrigido com juros e com base na inflação até abril de 2024.

"Quem foi que construiu a sede do Bope [Batalhão de Operações Especiais]? Anthony Garotinho [...] quem foi que o Instituto de Segurança Pública? [...] quem criou fui eu. Quem que tirou os bondes das ruas do Rio, criando Getam [Grupamento Especial Tático Móvel]? [...] Quem foi quem criou o GAM [grupamento aéreo e marítimo]? [...] Anthony Garotinho."

A declaração é #FATO. Veja por quê:

O Instituto de Segurança Pública (ISP) foi criado em 28 de dezembro de 1999, durante o governo Anthony Garotinho, pela Lei Estadual nº 3.329/1999. A própria legislação estadual estabelece a criação do órgão.

A sede própria do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), na comunidade Tavares Bastos, foi inaugurada em dezembro de 2000, também durante o governo Garotinho. O Bope, por sua vez, já existia desde 1978, portanto a afirmação se refere à construção da sede, e não à criação do batalhão.

O Grupamento Especial Tático Móvel (Getam) também foi criado e implantado durante o governo Garotinho. Documentos oficiais do Estado já registravam a atuação do grupamento em 2000, incluindo unidades em Niterói e na Baixada Fluminense.

Já o GAM, Grupamento Aéreo e Marítimo, foi ativado em 21 de março de 2002, ainda durante o governo Anthony Garotinho. A estrutura foi criada para atuar nas operações aéreas e marítimas da Polícia Militar. A formalização por decreto ocorreu posteriormente, em 2004.

Participaram da checagem: Adriana Peraita, Anna Júlia Steckelberg, Clara Simão, Lucas Guimarães e Mel Trench.

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