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'Se tivesse caído na minha direção, eu teria morrido': a história do brasileiro que sobreviveu à primeira torre atingida no 11 de Setembro

Larry Pinto de Faria Jr. em entrevista ao Globo Repórter de 14 de setembro de 2001

G1 — Brasil · 2026-09-11T04:00:00.000Z

Larry Pinto de Faria Jr. em entrevista ao Globo Repórter de 14 de setembro de 2001

Um forte estrondo e um prédio de 110 andares estremecendo. Esse foi o primeiro impacto que o gaúcho Larry Pinto de Faria Jr. sentiu após um Boeing 767-200ER atingir a torre norte do World Trade Center, em Nova York, onde o economista trabalhava em 11 de setembro de 2001. A data completa 25 anos nesta sexta-feira (10).

Em um primeiro momento, ninguém sabia o que estava acontecendo. “Outra bomba no prédio”, reclamou um colega, lembrando de um ataque envolvendo um caminhão-bomba no estacionamento das Torres Gêmeas que ocorrera em 1993. De imediato, foi possível perceber que algo estava errado — mas ninguém no 25º andar imaginava a dimensão do atentado terrorista que mudaria o curso da humanidade.

“Pelo barulho que foi, pelo que balançou, bem que poderia ter sido uma bomba muito forte. Eu não tinha noção, naquele primeiro impacto”, lembra Larry.

“A descida foi muito tranquila, muito tranquila. Se as pessoas estavam muito assustadas? Olha, a descida me lembrou uma derrota do Inter no Beira-Rio. Descemos todos sem falar com ninguém, todo mundo quietinho, sem nenhuma pessoa passar na frente da outra. Não tinha pânico”, completa.

Drones formam silhueta das Torres Gêmeas em NY pelos 25 anos do 11 de Setembro

Quando Larry chegou às ruas de Manhattan, o cenário era bem pior do que parecia inicialmente. Durante a descida, ele havia sido informado por um cliente que “um aviãozinho que bateu lá em cima”. Larry, contudo, percebe que algo maior estava em curso.

“Depois do impacto, eu disse para o meu chefe: vamos embora que isso vai cair. Não tem como um prédio desse tamanho aguentar o balanço que fez. Chegou a cair a caneta de cima da mesa. Foi um absurdo”, descreve.

Ao chegar no térreo, teve a confirmação de que se tratava de um avião de grande porte e que a torre sul também tinha sido atingida. E, então, a segunda torre que foi atingida cedeu, o arranha-céu veio a baixo e o pânico tomou conta.

“Medo mesmo, pavor, eu só tive em um momento. Quando eu saí caminhando, só olhei para cima e vi aquela torre grande caindo no meio dos escombros. Comecei a correr, porque estava muito próximo do prédio. Se tivesse caído na minha direção, eu teria morrido. Mas como ele caiu sobre si mesmo, só fui atingido por aquela nuvem de fumaça. Imagina: um prédio de 100 e tantos andares caindo e eu estava do lado dele.”

Outro momento de tensão foi quando Larry começou a se deslocar cada vez mais para o Sul da ilha de Manhattan, assim como todas as outras pessoas que estavam nos prédios que foram evacuados daquele lado das torres. Nesse momento, começaram a chegar informações sobre outros pontos dos Estados Unidos que estavam sob ataque, como o Pentágono, na capital Washington D.C.

“Eu já tinha escutado que tinham derrubado um avião na Pensilvânia. Tinha não sei quantos aviões que não sabiam onde estavam. Então, pensei, os caras estão atacando os Estados Unidos. Tem 10 mil pessoas aqui nessa praça onde estou. Se jogar um avião aqui, mata todo mundo. Era um formigueiro de gente”, lembra.

A torre norte foi atingida às 9h46 do horário local. A torre sul, às 10h03. Larry ficou mais de uma hora sem conseguir comunicar à família que estava bem e em segurança. Ao final do dia, consegui atravessar a Ponte do Brooklyn e chegar à sua casa em Nova Jersey, do outro lado do East River.

Larry em casa, nos Estados Unidos, falando ao telefone em reportagem do Globo Repórter

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