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Artilheiro na China, Jeffinho reencontra a confiança e admite: "Poderia ter ajudado mais o Botafogo"

Jeffinho reencontra a confiança em melhor temporada da carreira e fala da liga chinesa

ge — Futebol · 2026-09-11T20:29:48.000Z

Jeffinho reencontra a confiança em melhor temporada da carreira e fala da liga chinesa

Aos 26 anos, Jeffinho está no Liaoning Tieren (China) emprestado pelo Botafogo e vive uma fase que pode ser considerada uma das melhores da carreira: é o artilheiro do time com 12 participações em gol em 22 jogos. Longe do Brasil, o atacante encontrou algo que havia perdido após uma sequência de lesões: regularidade.

Com 10 gols e duas assistências, o jogador afirma que a temporada atual é a mais produtiva desde que se tornou profissional. A quantidade de gols fez Jeffinho criar uma nova comemoração, em homenagem ao super-herói Homem Aranha. Até a máscara do personagem ele já colocou depois de um gol.

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No entanto, o caminho até o protagonismo passou por alguns momentos de incerteza. Depois de surgir como uma das principais revelações do Botafogo em 2022, passar pelo Lyon, retornar ao clube e sofrer com problemas físicos, Jeffinho precisou reconstruir a confiança do outro lado do mundo.

— Não sei se eu diria o melhor momento da minha carreira porque, quando eu cheguei ao Botafogo, eu fui muito feliz. Tive bons momentos, só não marquei tantos gols e tantas assistências, mas ajudei bastante o time. Acho que aquela minha sequência foi muito importante, mas aqui está sendo a minha melhor temporada. Querendo ou não, são dez gols e duas assistências (em 22 jogos), estou ajudando o time. Podemos dizer que é uma das melhores temporadas e é um dos meus melhores momentos - disse ao ge.

Jeffinho, emprestado pelo Botafogo, em entrevista ao ge

Para o atacante, ter uma sequência de jogos foi fundamental para recuperar o futebol que havia demonstrado no início da passagem do Botafogo. Jeffinho admite que as lesões tiveram impacto direto na sua trajetória e que voltar a atuar com frequência fez diferença para reencontrar seu estilo, que ainda define como "peladeiro".

— Eu tive lesão, foi uma lesão bastante complicada. Estava pegando um pouco de confiança e tive que voltar para o hospital por causa da mesma lesão (coxa direita e teve infecção). Foi complicado para mim e foi o ano que o Botafogo estava bem. Não foi tão fácil retomar o meu estilo de jogo (...) Eu achei que ia ser mais fácil, não vou mentir. Por tudo o que as pessoas falam, achei que seria mais fácil, mas aqui é bem competitivo. Tem estrangeiros em todos os times, então a liga aqui é muito forte. E o importante para mim foi ter confiança, jogar 90 minutos por várias partidas. Como eu não estava jogando, eu estava sem confiança e aqui foi importante demais para mim por ter sequência de jogos e conseguir mostrar o meu futebol de novo, né? (O meu futebol) tinha meio que desaparecido um pouco (risos).

Se a competitividade da liga chinesa surpreendeu, Jeffinho, por outro lado, tentou facilitar ao máximo o processo de adaptação e revelou que não sentiu medo da mudança de país e cultura. O jeito extrovertido abriu caminho para a amizade com um gerente brasileiro de uma churrascaria especializada em comida latina. A partir daí, ele montou um esquema para ter o famoso arroz e feijão quase diariamente em sua casa.

Jeffinho fala de adaptação a China e revela estratégia por arroz e feijão todo dia

— Eu não tive medo, até porque eu fui para o Lyon, e é outra realidade também, aí não tive medo, não. Eu brinco até com meus amigos, com meus familiares, que parece que devem estar me preparando para esse momento, sabe? Tipo assim, eu sou apegado à família, acho que todo mundo é apegado à família, mas eu consigo ficar de boa porque eu sei que é meu trabalho, então não tem muito o que fazer. Mas meus empresários e minha família ficaram mais preocupados. Tudo que eles veem na internet "ah, tem que comer gafanhoto, pô!" (risos). Nada a ver, mano. A China é incrível, é incrível. Em questão culinária também é um pouco diferente, mas tem tudo que a gente precisa aqui, não só de culinária, mas a segurança também aqui é maravilhosa. Eu acho que eu estava mais ansioso de chegar na China do que com os hábitos da China, sabe? - e continuou:

— Eu sou uma pessoa muito legal, mano (risos). Tipo assim, eu sou muito extrovertido, eu estou sempre rindo. A gente foi à cidade de Shanghai em uma churrascaria. Acabamos fazendo uma amizade com o gerente lá, o gerente gostou da gente, trocou uma ideia, ficamos no restaurante até fechar, conversando. Aí ele passou a lista do que ele conseguia. Agora eu sempre peço com ele, Beto o nome dele. Eu sempre pedia com ele arroz, feijão, farofa... Tem Guaraná, tem tapioca, cara. Pedi tudo, eu pedi tudo.

Jeffinho em ação pelo Liaoning Tieren, da China

Jeffinho relembrou o início um pouco difícil no Liaoning Tieren, com derrotas e dificuldades para se encaixar, e foi o que reforçou para o jogador a competitividade da liga. Além disso, destacou a importância da conversa com companheiros e comissão técnica para encontrar seu espaço.

— Eu cheguei em um time que estava subindo de divisão, é um time que não é tão antigo igual aos outros, eu tive um choque de realidade nos primeiros jogos. A gente teve duas derrotas, se eu não me engano. Duas derrotas e eu não estava conseguindo jogar direito, estava precisando um pouco de ajuda dos outros estrangeiros. Durante o treino, conversando com o técnico, isso ajuda demais, é um técnico que quer sempre ouvir o que nós estrangeiros temos a dizer. A gente foi ajudando, conversando mais entre a gente e fomos encaixando jogo a jogo. A gente teve a primeira vitória e ficou mais leve em campo. Aqui não é fácil igual o pessoal fala não, não é fácil assim - analisou.

Com passagens pelo Brasil e pela França quando defendeu o Lyon, Jeffinho tratou que a principal diferença entre as ligas é a característica física. Segundo o jogador, o futebol francês é mais marcado pelo contato e físico, enquanto define a China como um campeonato de velocidade.

"Quero ganhar uma Libertadores pelo Botafogo jogando", diz Jeffinho

— Na França é mais físico. Você dribla um cara, olha para frente e o cara está ali de novo, trombando. Na China o pessoal é muito mais fôlego, muito mais rápido. Então é mais intenso.

O conselho para o Jeffinho do passado

Se pudesse conversar com o jogador que chegava ao Botafogo em 2022, ainda tentando se firmar no futebol profissional, Jeffinho diz que teria um conselho: aproveitar mais a oportunidade e ter mais responsabilidade. O atacante reconhece que sua ascensão foi muito rápida e admite que poderia ter construído uma história ainda maior no clube. Ele relembra que fez parte do elenco campeão brasileiro e da Libertadores em 2024, mas sente que poderia ter contribuído mais dentro de campo.

— Como tudo aconteceu tão rápido na minha vida, como dei um salto tão grande. Eu acho que eu mudaria 20% do que eu fiz, sabe? Dessa imagem que ficou minha de sair.... Acho que eu seguraria mais um pouco para ter mais chances no Botafogo, para poder ajudar mais o Botafogo. Sinto que, querendo ou não, eu fiz um pouco da minha parte em 2024, mas eu poderia ajudar bem mais e estar mais na história do Botafogo. Eu falaria para ele ser mais responsável do que ele antes. E eu quero ser mais responsável do que eu era antes.

Seu futebol ainda é meio peladeiro? Foi assim que você se definiu na chegada ao Botafogo

Sim... Acho que essa parte não pode sair da gente que veio do campo de terrão. Mas acho que hoje sou um peladeiro com mais responsabilidade. Não que eu não tivesse responsabilidade antigamente, mas eu... eu acho que eu era mais feliz do que era responsável pelo que estava acontecendo comigo na minha vida. Foi tudo muito rápido. Acho que eu era mais feliz do que responsável. Agora eu sou um pouco responsável, tem que amadurecer. Mas essa parte peladeira não deve sair da gente.

Relação com Botafogo e possibilidade de retorno ao clube

- A relação é super boa. Não converso frequentemente porque não sou muito de ficar conversando, mas tenho amigos que ficaram lá. Troco ideia com os roupeiros também. Desde que a SAF chegou, o Botafogo ficou mais família. É uma família, todo mundo que passou lá de 2022 até agora é família. TchêTchê está no Vasco e tenho contato até hoje. Eu troco ideia também com Barboza, mas o que eu mais troco ideia é o Danilo. E o Nathan Fernandes, que não está mais o Botafogo agora.

Eu nunca vou dispensar jogar no Botafogo. Não falo de agora porque eu estou focado aqui e está dando tudo certo. Mas eu nunca vou dispensar jogar no Botafogo. O Botafogo foi um time que me ajudou muito. Ajudou não só eu, como a minha família toda. Então eu sou muito obrigado pelo Botafogo. E se eu tiver a oportunidade de voltar para o Botafogo, eu vou voltar para o Botafogo.

Ficou uma sensação de que você não conseguiu demonstrar tudo o que você poderia nessa sua segunda passagem no Botafogo?

- Acho que sim. Não foi por causa do treinador, da comissão ou do dirigente. Foi por coisa minha, a minha lesão. E o time do Botafogo estava muito bom, não à toa foi campeão do Brasileiro e da Libertadores. Eu fiquei muito feliz de estar no grupo, mas poderia jogar mais, né? Eu já dei uma entrevista em que me perguntaram qual era o meu sonho já que já tinha conquistado a Libertadores. Eu respondi que queria ganhar uma Libertadores jogando pelo Botafogo (risos). Mas acho que faltou um pouquinho mesmo mostrar o que eu realmente sei.

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