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'Está voltando para casa, enquanto meu irmão não está', diz irmã de jovem atropelado após motorista ser solta em RO

Motorista de jipe invade preferencial e mata motociclista em Porto Velho

G1 — Brasil · 2026-09-12T21:01:43.000Z

Motorista de jipe invade preferencial e mata motociclista em Porto Velho

"No exato dia em que completava uma semana desde que ela bebeu, atropelou uma pessoa e omitiu socorro, ela recebeu uma espécie de premiação: a liberdade". A frase resume a indignação de Catarina Oliveira ao saber que Stefanny Thalia Ferreira Liberato, presa por atropelar e matar seu irmão, João Pedro de Oliveira, foi solta na sexta-feira (11).

Segundo a Justiça, o benefício foi concedido porque a motorista preenche requisitos legais. Ela não tem antecedentes criminais, possui endereço e trabalho fixos e frequenta o ensino superior.

Stefanny foi presa na madrugada de 4 de agosto. Uma câmera de segurança registrou o momento em que a motorista avança a via preferencial em alta velocidade, atinge o motociclista e foge sem prestar socorro (veja o vídeo acima).

"Nós não conseguimos compreender onde existe humanidade em alguém que, depois de atropelar uma pessoa, não para para ajudar, não presta socorro e vai para casa como se nada tivesse acontecido", afirma Catarina.

Com o impacto da batida, João Pedro foi arremessado contra a parede de uma residência. Ele chegou a ser levado ao Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II com sangramento intenso, mas morreu pouco depois na unidade.

A irmã conta que o sentimento da família é de uma "segunda perda". Segundo Catarina, João era sonhador e amava viver. Depois da morte do pai, ele passou a cumprir um papel paternal na família, assumindo responsabilidades e ajudando a mãe a enfrentar o luto.

João Pedro de Oliveira e a família

Arquivo Pesssoal/Catarina Oliveira

"O João se tornou a pessoa que ficava ao lado da nossa mãe. Era ele quem a ajudava com tudo o que precisávamos. Ele tomou para si uma responsabilidade gigantesca, mesmo tendo tão pouca idade", diz a irmã.

A família pede justiça, embora ressalte que nada será suficiente para reparar a perda.

"Uma pessoa está voltando para casa, enquanto o meu irmão não está. Uma pessoa pode continuar a sua vida, enquanto a vida do João foi interrompida aos 21 anos. Nós não queremos vingança. Nós só queremos justiça", conclui Catarina.

João Pedro Oliveira

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