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Dark Horse: documentos analisados pela PF mostram pagamentos do Banco Master para o filme

Dark Horse: documentos analisados pela PF mostram pagamentos do Banco Master para o filme

G1 — Brasil · 2026-09-13T00:12:02.000Z

Dark Horse: documentos analisados pela PF mostram pagamentos do Banco Master para o filme

Documentos analisados pela Polícia Federal mostram como foram feitos os pagamentos do Banco Master para o filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro.

O inquérito investiga se o senador e candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, e outros envolvidos cometeram os crimes de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro no financiamento da produção.

O material faz parte dos inquéritos que tiveram o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça.

A Polícia Federal descobriu que, em dezembro de 2024, o senador Flávio Bolsonaro, do PL, se reuniu com Daniel Vorcaro e que a produção do filme foi um dos assuntos discutidos na ocasião. Quem intermediou o encontro foi o empresário Thiago Miranda.

"Confirmei com o Flávio Bolsonaro. Quarta, dia 11, às 17h30, aqui na sua casa de Brasília", escreveu Thiago para o banqueiro.

Na véspera, Thiago Miranda tinha encaminhado mensagem de Flávio Bolsonaro avisando que iria levar o deputado federal Mário Frias, do PL, para a reunião, por ser o idealizador do projeto.

Segundo a PF, no dia da reunião, o deputado Mário Frias mandou um áudio para Vorcaro agradecendo e disse: "Preciso, de vez em quando, te falar como as coisas vão andando, tá?"

De acordo com o inquérito, pelo contexto do áudio, é possível afirmar que Daniel Vorcaro decidiu apoiar o projeto de Flávio Bolsonaro. Uma semana mais tarde, Thiago Miranda encaminhou a Daniel Vorcaro o arquivo “Acordo-Financiamento-da-producao”.

De acordo com a investigação, o contrato entre o financiador e a Go Up, produtora do filme, previa um investimento total de US$ 24 milhões, dividido em 14 parcelas. Segundo o contrato, a empresa tem como sócios Karina Gama e Michael Brian Davis, brasileiro com cidadania americana.

Os investigadores localizaram até agora sete pagamentos que somam mais de US$ 12 milhões, entre fevereiro e setembro de 2025 -- equivalente, na época, a quase R$ 70 milhões.

De acordo com a investigação, o dinheiro saiu de uma empresa ligada a Vorcaro, a Entre Investimentos, e foi para um fundo nos Estados Unidos: o Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

O ministro André Mendonça homologou a delação premiada do dono da Entre Investimentos, Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro.

Em depoimento, Freixo Júnior deu detalhes dos pagamentos e apresentou e-mails trocados com o advogado de Eduardo Bolsonaro. Uma das suspeitas da PF é que parte do dinheiro esteja bancando o ex-deputado nos Estados Unidos.

O inquérito do Dark Horse apura se os investigados, entre eles, Flávio Bolsonaro, cometeram os crimes de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Em outra frente, a Polícia Federal pediu à Karina Gama mais informações sobre o financiamento do filme no exterior. Segundo a PF, Karina encaminhou o pedido para o sócio dela na Go Up, que tem sede nos Estados Unidos. Mas Michael Davis não autorizou o repasse das informações sem o aval da Justiça americana.

A PF já descobriu que a Go Up pagou ao menos quatro faturas de cartão de crédito de Mário Frias, de agosto a novembro do ano passado, período de produção do filme. O valor total chegou a quase R$ 137 mil.

O financiamento do filme Dark Horse também é investigado em outro inquérito no Supremo Tribunal Federal, conduzido pelo ministro Flávio Dino, que apura se recursos de emendas parlamentares foram destinados à produção.

Os documentos que tiveram o sigilo levantado mostram que a defesa de Flávio Bolsonaro tentou quatro vezes redirecionar esse caso para o gabinete do ministro André Mendonça. Flávio Dino e o presidente do STF, Edson Fachin, negaram a transferência.

Na manhã de sábado (12). Flávio Bolsonaro voltou a dizer que não há nada de errado no financiamento do filme, que é uma relação privada para um filme privado e que não há recurso público na verba para a produção.

A defesa de Karina Gama afirmou que a produtora colaborou com as autoridades e apresentou os documentos da Go Up brasileira. E que não tem acesso às informações da empresa nos Estados Unidos.

As defesas de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel não quiseram se manifestar.

O Jornal Nacional não recebeu as respostas de Thiago Miranda e de Mario Frias.

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