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Aos 66 anos, contador corre por 168 horas em Belém e supera recorde mundial

Aos 66 anos, cearense corre por 168 horas em Belém e supera recorde mundial

G1 — Brasil · 2026-09-13T09:00:00.000Z

Aos 66 anos, cearense corre por 168 horas em Belém e supera recorde mundial

Foram 168 horas de desafio, 920 quilômetros percorridos e poucas horas reservadas ao descanso. Aos 66 anos, o contador e ultramaratonista Antonio Jussier Damasceno levou o corpo ao limite em Belém até superar o recorde mundial de corrida em esteira. A nova marca ainda aguarda homologação internacional.

Quando o cearense finalmente chegou aos 920 km, depois de sete dias de esforço, Jussier tentou controlar o choro. A reação de quem acompanhava o desafio tornou a chegada ainda mais emocionante.

“Quando alcancei a marca de 920 quilômetros, uma mistura de emoções tomou conta de mim. Procurei controlar o choro e a emoção, mas a reação das pessoas presentes tornou aquele momento inesquecível. O ambiente foi tomado por demonstrações de admiração, carinho e incentivo, tornando a conquista ainda mais especial”, contou.

Natural de Palmácia, no Ceará, Jussier veio à capital paraense a convite de André Mota, idealizador do projeto Academia da Vida, para tentar quebrar o recorde mundial.

Para conseguir chegar tão longe, a estratégia era acumular o maior número possível de quilômetros logo no início.

Antonio Jussier Damasceno percorreu 920 km em sete dias de desafio na corrida em esteira e chegou a correr descalço por causa de ferimentos nos pés.

167 km no primeiro dia

Nas primeiras 24 horas, Jussier percorreu 167 quilômetros e dormiu apenas uma hora.

Nas 24 horas seguintes, descansou três horas. No terceiro dia, foram duas. A partir do quarto, passou a dormir entre três horas e meia e quatro horas por noite.

Segundo o ultramaratonista, em nenhum momento fez um intervalo superior a quatro horas.

A preparação para enfrentar a prova também foi específica. Jussier treinou sob orientação de Manoel Bezerra, proprietário da MSTrailRun, a quem atribui papel importante na preparação para o desafio.

Com o passar dos dias, porém, o corpo começou a cobrar a conta.

Além das dores musculares, surgiram ferimentos e lesões nos dedos dos pés. Em alguns momentos, usar tênis deixou de ser uma opção: Jussier precisou correr de sandálias e chegou a seguir descalço.

Quando não eram os pés, era a saudade

O desafio não estava apenas nas pernas. Casado com Elizabete Damasceno e pai de Pedro e Paulo, Jussier conta que a distância da família se tornou uma das partes mais difíceis dos sete dias.

“Durante o percurso, a saudade da família foi um dos obstáculos mais difíceis de enfrentar. Em diversos momentos, foi preciso conter as lágrimas e reunir forças para continuar”, disse.

Ao lado dele estava Joaquim José Cavalcanti, a quem Jussier chama de “parceiro de esteira”. Segundo o atleta, Joaquim o acompanhou do início ao fim.

“Participar de uma prova dessa magnitude exige muito mais do que preparo físico. Além das intensas dores musculares e do desgaste do corpo, os desafios emocionais também fazem parte da trajetória”, afirmou.

Apesar das dores, do sono e da saudade, Jussier diz que desistir não entrou nos planos.

Aos 66 anos, cearense corre por 168 horas em Belém e supera recorde mundial

920 km e 920 quilos de alimentos

A mobilização realizada durante o desafio arrecadou 920 quilos de alimentos não perecíveis, quantidade que acabou coincidindo com os 920 quilômetros percorridos.

De acordo com o atleta, os alimentos serão destinados a famílias e instituições que necessitam de apoio. A ação teve como propósito contribuir com crianças em tratamento contra o câncer.

“Apesar de todas as adversidades, desistir nunca foi uma opção. A determinação foi impulsionada por um propósito maior: contribuir para uma causa solidária em benefício de crianças em tratamento contra o câncer”, afirmou.

Quem é o homem dos 920 km?

Antonio Jussier Damasceno tem 66 anos, nasceu em Palmácia, no Ceará, é casado, pai de dois filhos e ultramaratonista.

Ele se dedica ao esporte de resistência e a desafios de longa duração. Foi justamente um deles que o trouxe até Belém para tentar estabelecer uma nova marca mundial.

Depois de alcançar os 920 km, há ainda uma etapa fora da esteira. Segundo Jussier, a homologação internacional é um processo demorado e depende da reunião das evidências produzidas durante o evento, entre elas vídeos e depoimentos dos fiscais que acompanharam o desafio.

“A homologação é um processo demorado, realizado pela equipe de eventos, que é responsável por reunir as evidências necessárias, como vídeos e depoimentos dos fiscais que compareceram ao evento”, explicou.

Depois de 168 horas de desafio, pés feridos e 920 quilômetros percorridos em Belém, Jussier agora precisa fazer algo que não fez durante os sete dias: esperar.

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