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Ursos, natureza selvagem e Castelo do Conde Drácula: idoso do interior de SP vive aventura de quase 70 dias de caminhada pela Via Transilvânica

Idoso de Botucatu, SP, vive aventura de quase 70 dias de caminhada pela Via Transilvânica

G1 — Brasil · 2026-07-25T11:00:21.000Z

Idoso de Botucatu, SP, vive aventura de quase 70 dias de caminhada pela Via Transilvânica

O que leva alguém a deixar o conforto de casa para enfrentar quase 70 dias de caminhada por uma rota de 1.400 quilômetros, em meio a florestas, animais selvagens e uma cultura completamente diferente?

Para o empresário Vagner José de Oliveira Rosa, de 67 anos, morador de Botucatu (SP), a resposta está na paixão pela aventura e no desafio de conhecer novos lugares e superar os próprios limites.

No início de julho, Vagner concluiu a Via Transilvânica, uma das principais rotas de caminhada da Europa, na Romênia.

Ursos, natureza selvagem e Castelo do Conde Drácula: idoso de SP vive aventura de quase 70 dias de caminhada pela Via Transilvânica

Ao lado do amigo italiano Graziano, de 74 anos, ele atravessou o percurso que passa por áreas de natureza preservada, enfrentando cansaço, barreiras de comunicação e até a presença de ursos pelo caminho.

"Esse caminho na Romênia é bem isolado, e eu sempre gostei de fazer as coisas sozinho. Mas a Via Transilvânica me atraiu demais por ser totalmente diferente dos outros. Mais de 70% é no meio de bosques. Você não tem cidade toda hora, e a questão dos animais selvagens, como os ursos e os cães pastores, exige companhia por uma questão de segurança", revelou Vagner ao g1.

Junto de amigo italiano, morador de Botucatu (SP) percorreu Via Transilvânica na Romênia

Terra do Conde Drácula

É praticamente impossível falar da Transilvânia sem lembrar da figura do Conde Drácula.

A região abriga o Castelo de Bran, construído no século XIV e que ficou mundialmente conhecido pela associação com o vampiro da ficção criado pelo escritor irlandês Bram Stoker, no século XIX.

Castelo de Bran na Romênia é conhecido pela lenda do Conde Drácula

O personagem foi inspirado em Vlad III, conhecido como Vlad, o Empalador, príncipe romeno que viveu no século XV e ficou marcado pela fama de crueldade.

Por isso, diante de tanta história, antes de colocar a mochila nas costas e iniciar a jornada a pé, Vagner aproveitou para fazer o roteiro turístico tradicional em uma excursão pela região e visitou a famosa fortaleza de Bran.

"A gente sempre associa a Via Transilvânica ao Drácula, mas, na verdade, ele viveu pouco tempo numa cidadezinha do caminho. O Castelo do Drácula tem todo aquele clima alusivo ao personagem, é muito interessante e vale a pena ir", conta.

Vlad Drácula deu origem ao personagem vampírico

Além do Castelo de Bran, o empresário também visitou o Castelo de Peleș, outro importante ponto turístico romeno.

"Antes dele, porém, passamos no Castelo de Peleș, que é maravilhoso. É todo decorado, com salas cheias de armaduras e paredes revestidas em madeira. É lindíssimo", revela.

Castelo de Bran é aberto para visitação na Romênia

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Apito, spray de pimenta e 'portunhol'

A imersão na natureza romena trouxe desafios únicos. Durante as etapas do trajeto, com médias de 20 quilômetros caminhados por dia carregando uma mochila de 11 kg nas costas, a infraestrutura era mínima.

"Dávamos graças a Deus quando aparecia um 'magazine misto', que é tipo uma quitandinha, onde a gente conseguia comprar um pão, um café ou uma lata de atum. Tinha lugarejo que não tinha absolutamente nada. Nessas horas, a gente se hospedava em casas de pessoas que abriam espaço para receber os caminhantes", conta Vagner.

Junto de amigo italiano, morador de Botucatu (SP) percorreu Via Transilvânica na Romênia

Outro detalhe curioso da viagem foi a preparação contra a fauna local. Para evitar surpresas perigosas nos trechos de floresta, Vagner e Graziano andavam frequentemente com um apito e spray de pimenta a tiracolo, além de estarem sempre atentos às placas de alerta sobre ursos.

Durante a jornada, Graziano conseguiu fotografar um urso, enquanto um colega romeno que acompanhou a dupla por alguns dias registrou outro encontro em vídeo.

"Dá aquele friozinho na barriga, mas, ao mesmo tempo, você tem vontade de encontrar o urso", brinca Vagner.

Idoso de Botucatu, SP se preparou contra ursos durante caminhada pela Via Transilvânica

Para se comunicar, já que Vagner não fala inglês e o romeno é o idioma local, a saída foi a tecnologia e o improviso.

"Eu falo um pouco de 'portunhol' e de francês. Foi assim que eu e o Graziano nos comunicamos. O Graziano é italiano, então o romeno é um pouco mais próximo da língua dele. Dava para entender alguma coisa, mas o principal mesmo era o Google Tradutor."

Morador de Botucatu (SP) se preparou para aparições de ursos durante viagem pela Romênia

‘Um passo de cada vez’

A paixão de Vagner por longas caminhadas começou há mais de duas décadas. Atualmente, ele soma mais de 26 mil quilômetros percorridos pelo mundo, incluindo trilhas na Escócia, Itália e diferentes rotas do Caminho de Santiago de Compostela, na Europa.

Foi em uma dessas grandes jornadas, por exemplo, que ele conheceu o amigo italiano Graziano. Os dois se encontraram durante a Via Francígena, um caminho de cerca de 2 mil quilômetros que cruza a Europa, da Inglaterra até Roma. Desde então, passaram a dividir desafios em trilhas de longa distância.

Morador de Botucatu (SP) conheceu amigo italiano durante a Via Francígena

Mas nem sempre foi assim. A virada de chave na relação com as caminhadas aconteceu em 1998, durante um voo entre Madri e o Brasil, quando ele conheceu uma jovem que havia acabado de percorrer 800 km a pé até Santiago.

"Falei pra ela: 'você é louca?'. E ela me respondeu: 'Não, não é tudo de uma vez. É um passo de cada vez. Que nem os grandes problemas da vida, você não resolve tudo de uma vez, mas um pouquinho de cada vez'. Aquilo me pegou. Eu estava com 40 anos, meio gordinho. Fui treinar para, no ano seguinte, estar lá", relembra.

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Apoio virtual e inspiração

Como Vagner não é adepto da tecnologia para postagens, a responsável por manter parentes, amigos e curiosos atualizados sobre a jornada pela Transilvânia foi a filha dele, Marina Rosa, de 36 anos.

No Brasil, Marina recebia os vídeos originais do pai, editava, legendava e postava em uma página no Instagram criada especialmente para a ocasião.

"Nosso principal objetivo ao compartilhar a caminhada era inspirar as pessoas. Mostrar que, independentemente da idade, ainda é possível se desafiar, viver grandes experiências e correr atrás dos sonhos", orgulha-se a filha.

Ursos, natureza selvagem e Castelo do Conde Drácula: idoso de SP vive aventura de quase 70 dias de caminhada pela Via Transilvânica

Para o empresário, a idade está longe de ser um limitador. A preparação dele hoje inclui academia três vezes por semana, pilates e caminhadas diárias de 4 a 8 quilômetros.

"Eu faço porque tenho prazer em cuidar da minha saúde. Vejo gente muito mais jovem que eu e que está bem pior, porque não faz exercício. Minha motivação é saber que tenho um próximo caminho me esperando lá na frente para eu estar preparado para a aventura", finaliza.

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