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Relatório da Polícia Civil de São Paulo identificou "consistentes suspeitas" de que os recursos públicos do programa 'WiFi Livre SP", contratados por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), tenham sido desviados para custear as atividades…
G1 — Brasil · 2026-09-13T15:54:51.000Z
Relatório da Polícia Civil de São Paulo identificou "consistentes suspeitas" de que os recursos públicos do programa 'WiFi Livre SP", contratados por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), tenham sido desviados para custear as atividades de produção do filme Dark Horse — que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O documento foi divulgado neste domingo (13) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que levantou o sigilo de documentos enviados pela Justiça de São Paulo.
"Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa 'WiFi Livre SP' tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo", diz o documento.
A investigada Karina Ferreira da Gama é apontada pelos investigadores como a principal figura por trás das entidades e empresas que aparecem na apuração.
Ela preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização que recebeu recursos de emendas parlamentares e firmou contratos com o poder público, e também é sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a investigação, a relação entre o ICB, a Go Up e outras entidades ligadas a Karina está no centro das suspeitas de confusão patrimonial e desvio de recursos públicos.
A Polícia Civil de São Paulo também aponta, no relatório, que o Tribunal de Contas do município teria apontado ao menos vinte irregularidades graves no edital de chamamento público que culminou na referida contratação.
"Dentre as principais vedações ignoradas pela pasta municipal, destaca-se que o edital utilizou critérios genéricos para a escolha de uma organização social sem experiência prévia no setor de telecomunicações", acrescentou.
A Polícia Civil de SP aponta, ainda, vício de origem no processo de seleção e disparidade de custos. Informa que, enquanto a empresa pública municipal PRODAM cobrava do próprio município o custo de R$ 230,00 para a implantação de cada ponto de internet e R$ 306,00 para sua manutenção mensal, o contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil — ICB estabeleceu o valor de R$ 1.800,00 por ponto, correspondendo a uma cobrança pelo menos duas vezes superior aos preços usualmente praticados pela Administração Municipal.
"Verificou-se, ainda, no conteúdo das informações, a notícia de que durante o período eleitoral de 2024, a instalação dos pontos foi consideravelmente antecipada por interferência política direta, alcançando 1.605 pontos ativos no final de outubro de 2024. No entanto, após o encerramento do certame eleitoral, o ritmo de instalações desacelerou bruscamente, atingindo apenas 3.200 pontos em junho de 2025. Os 1.800 pontos restantes nunca foram instalados", informou.