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Bombeiros encontram corpo de criança desaparecida após desabamento de prédio em SP
G1 — Brasil · 2026-09-13T18:24:49.000Z
Bombeiros encontram corpo de criança desaparecida após desabamento de prédio em SP
A Polícia Civil prendeu neste domingo (13) Ronaldo Vivacqua, apontado pela investigação como sócio oculto de uma das empresas responsáveis pela obra do prédio que desabou sobre uma casa e matou seis pessoas na Penha, Zona Leste de São Paulo.
A Justiça decretou a prisão temporária de três investigados ligados à construção. Além de Ronaldo, são alvos Cristiano Vivacqua, filho dele e apontado pela polícia como autor do projeto e engenheiro responsável pela execução da obra, e Isis Brandão, que aparece formalmente como proprietária da empresa.
Cristiano e Isis são considerados foragidos.
Segundo a Polícia Civil, Ronaldo não aparece formalmente nos documentos das duas empresas apontadas como responsáveis pela obra. Os investigadores afirmam, porém, que depoimentos de testemunhas e documentos antigos indicam que ele atuava na administração da empresa e participava efetivamente da obra.
“Nós descobrimos que ele, na realidade, é um sócio oculto”, afirmou a delegada Safira Borges Moreira Parente.
A polícia afirma que testemunhas relataram que Ronaldo “agia, administrava e geria e participava efetivamente da obra”. A participação de cada um dos três investigados ainda será individualizada durante o inquérito.
Polícia diz que investigados não foram encontrados após desabamento
Segundo Antônio José Pereira, delegado seccional de Itaquera, policiais tentaram localizar o proprietário da empresa e o engenheiro responsável logo após o desabamento, mas não conseguiram.
Pereira afirmou que os responsáveis não atenderam às tentativas de contato e não compareceram ao local. A ausência dos investigados levou a Polícia Civil a pedir as prisões temporárias.
A delegada Safira afirmou que equipes também foram aos endereços das empresas encontrados em documentos administrativos e registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), mas não localizaram os responsáveis.
Segundo ela, os investigadores identificaram indícios de uma “tentativa de ocultação”, elemento que também foi apresentado à Justiça no pedido das prisões temporárias.
Polícia apura se responsáveis sabiam de problemas antes do desabamento
A Polícia Civil também investiga se os responsáveis pela construção tinham conhecimento de problemas de estabilidade antes do desabamento.
Segundo Safira, vizinhos procuraram espontaneamente os investigadores após o acidente e disseram que a casa atingida já apresentava rachaduras.
Um homem que tinha familiares na residência contou à polícia que tentava entrar em contato com a pessoa de quem havia alugado o imóvel para relatar as rachaduras e entender o que estava acontecendo, mas não teria conseguido solucionar o problema.
A polícia ressalta que ainda não determinou a causa do desabamento. A conclusão dependerá, entre outras provas, do laudo pericial de engenharia da Polícia Científica.
Segundo uma das delegadas responsáveis pelo caso, a investigação trabalha com a possibilidade de que o acidente não tenha sido um acontecimento totalmente imprevisível.
“Começamos a investigar a possibilidade de ele ter sido não totalmente um fato imprevisível, e sim algo que os responsáveis poderiam ter tido conhecimento, da instabilidade daquela edificação.”
Polícia diz que exigência de demolição foi descumprida
Outro ponto investigado é o histórico de irregularidades da construção.
Segundo os delegados, o alvará concedido para uma nova edificação estava condicionado à demolição da estrutura que já existia no terreno. A Polícia Civil afirma que essa condição não foi cumprida.
Quando a autorização foi concedida, segundo a polícia, a estrutura existente tinha cerca de cinco ou seis andares. Naquele momento, já havia uma ação judicial movida pela Prefeitura pedindo sua demolição.
A autorização para a nova construção estabelecia que a edificação anterior deveria ser derrubada antes da continuidade do novo projeto.
A própria Prefeitura abriu, após o acidente, uma investigação na Controladoria Geral do Município (CGM). Segundo as apurações preliminares da administração municipal, a demolição exigida não teria sido realizada, apesar de uma vistoria de fevereiro de 2024 ter registrado que a determinação havia sido cumprida.
A servidora responsável pelo laudo foi afastada inicialmente por 30 dias.
Seis pessoas morreram
O prédio em construção desabou na madrugada de sábado (12), na Rua Tequici, e atingiu uma casa vizinha.
Oito pessoas que estavam no imóvel foram atingidas. Duas foram resgatadas com vida e seis morreram — três mulheres, dois homens e uma menina de 7 anos.
O corpo da menina, última vítima que permanecia desaparecida, foi encontrado na tarde deste domingo. Com a localização, os bombeiros encerraram o trabalho emergencial de buscas.
O que diz a construtora
A New Home Construtora informou anteriormente que abriu uma investigação interna para apurar o desabamento e afirmou que ainda não existem elementos suficientes para determinar sua causa.
A empresa disse que há um terreno vizinho onde são realizadas movimentações de terra e que essa circunstância também será analisada.
A construtora afirmou ainda que não se exime de eventual responsabilidade que venha a ser apontada pelas investigações, que está prestando apoio às famílias afetadas e que dará os esclarecimentos necessários às autoridades.
O g1 tenta localizar as defesas de Ronaldo Vivacqua, Cristiano Vivacqua e Isis Brandão. O espaço está aberto para manifestação.