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Ex-ministros, juristas e empresários assinam carta de apoio a Fachin em meio à crise no STF

Decisões de Edson Fachin foram notícia na imprensa internacional

G1 — Política · 2026-09-13T20:28:26.000Z

Decisões de Edson Fachin foram notícia na imprensa internacional

Um grupo de autoridades, incluindo ex-ministros dos governos Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff, juristas, empresários e líderes da sociedade civil, assinou uma carta em apoio ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, em meio à crise institucional que atinge a Corte. O documento foi enviado ao ministro neste domingo (13).

O manifesto afirma que as revelações recentes sobre as relações de ministros do Supremo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e os desdobramentos do episódio compõem a “mais grave crise da história do Supremo” e da história republicana do Brasil.

“A apuração dos fatos e a responsabilização daqueles que eventualmente violaram a lei e a dignidade de seus cargos são indispensáveis para que possamos recobrar a confiança nas instituições e preservar nossa democracia”, diz o documento.

O grupo também defende reformas institucionais “capazes de fortalecer a colegialidade, assegurar a imparcialidade dos julgamentos, prevenir conflitos de interesse e estabelecer padrões rigorosos de conduta”.

Ao todo, são 198 assinaturas (veja a íntegra da carta ao final da reportagem).

A crise no Supremo se intensificou no início de setembro, após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal produzido no âmbito das investigações sobre o Banco Master.

O documento revelou mensagens e contatos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. As apurações sobre o banco também trouxeram à tona relações de Vorcaro com outros integrantes da Corte e negócios envolvendo familiares de ministros, ampliando os questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.

A divulgação do material desencadeou um embate público dentro do Supremo. Moraes reagiu e pediu a investigação de Mendonça por suposto abuso de autoridade. A tensão aumentou com decisões conflitantes entre ministros, incluindo o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça, e sua posterior reintegração por decisão de Flávio Dino. A sucessão de medidas expôs uma divisão interna na Corte e levou Fachin a cancelar sessões plenárias para evitar um encontro público entre os ministros no auge da crise.

Diante da escalada, Fachin passou a centralizar as decisões relacionadas à crise. O presidente do STF suspendeu medidas conflitantes dos colegas, manteve Andrei Rodrigues no comando da PF, retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e determinou que eventuais procedimentos envolvendo investigações contra ministros da Corte sejam previamente submetidos à Presidência do tribunal.

Fachin também marcou para terça-feira (15) uma sessão do plenário para analisar o relatório da PF que aponta a relação entre Moraes e Vorcaro e o pedido da Procuradoria-Geral da República para anulá-lo.

Agora no g1

Veja a carta na íntegra:

A S. Ex.ª o Ministro Edson Fachin

Presidente do Supremo Tribunal Federal

Brasília, 13 de setembro de 2026

Senhor Ministro Presidente,

Os cidadãos e representantes da sociedade civil abaixo assinados vêm manifestar seu integral apoio às medidas adotadas por V. Ex.ª, com o objetivo de preservar a autoridade do Supremo Tribunal Federal e promover, sob a estrita observância do devido processo legal, a mais rigorosa e imparcial apuração dos fatos e das gravíssimas acusações que vieram a público nas últimas semanas.

Para isso, é fundamental assegurar ampla transparência às investigações e à sessão plenária marcada para o próximo dia 15 de setembro, que deve ocorrer de forma pública, nos termos do artigo 93, IX, da Constituição Federal.

Estamos vivendo a mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal e certamente uma das mais graves de nossa acidentada história republicana. A apuração dos fatos e a responsabilização daqueles que eventualmente violaram a lei e a dignidade de seus cargos são indispensáveis para que possamos recobrar a confiança nas instituições e preservar nossa democracia.

Entendemos, ainda, que a superação dessa crise exigirá reformas institucionais urgentes, capazes de fortalecer a colegialidade, assegurar a imparcialidade dos julgamentos, prevenir conflitos de interesse, estabelecer padrões rigorosos de conduta e ampliar a transparência e o controle social sobre a Corte e seus integrantes.

O Supremo Tribunal Federal não pode deixar que sua jurisdição seja capturada por interesses escusos, de natureza pessoal, política ou econômica, que atentem contra nossa democracia constitucional.

Adriana Maria Martins

Adriano Fernandes Ferreira

Alcir Rocha dos Santos

Alexandre Lima Wunderlich

Aline Maron Setenta

Amauri Guilherme Bier

Ana Carla Abrão

Ana Elisa Bechara

Ana Paula Pessoa

André Lara Resende

Angélica Maria de Queiroz

Antonio Angelo Faragone

Antonio Carlos Aidar

Antonio Claudio Mariz de Oliveira

Antonio Jacinto Matias

Antonio Luiz Seabra

Antonio Machado de Barros

Ayrton Jorge Neto

Beatriz Montenegro Castelo

Bernardo Machado de Barros

Caio Mario da Silva Pereira Neto

Carla Müller da Rosa

Carlos Ari Sundfeld

Carlos Francisco Jereissati

Celso Cintra Mori

Clemente Ganz Lúcio

Danilo Cunha Lopes

Demosthenes Madureira de Pinho Neto

Diogo Leonardo Machado de Melo

Eleazar de Carvalho Filho

Eliana Anastasia Cardoso

Eloise Torres Amado

Fabio Ulhoa Coelho

Felipe Cardoso Moreira de Oliveira

Filipe Lôbo Gomes

Gisela Sampaio Guedes

Guilherme Carneiro Monteiro Nitschke

Guilherme Peirão Leal

Henrique Cambiaghi Filho

Jacintho Arruda Câmara

Jackson Medeiros Schneider

João Carlos Gonçalves (Juruna)

João Cesar de Queiroz Tourinho

José Araújo Avelino

José Carlos Dias

José Eduardo Martins Cardozo

José Emílio Nunes Pinto

José Guimarães Monforte

José Horácio Halfeld

José Pio Borges

José Reginaldo Inácio

José Roberto Mendonça de Barros

Josué Christiano Gomes da Silva

Josué Emilio Möller

Judith Martins Costa

Júlia Dias Leite

Júlio César de Sá da Rocha

Julio Gonzaga Andrade Neves

Lucas Dutra Bortolozzo

Lucas Silveira dos Anjos

Luciana de Oliveira Hall

Luiz Felipe de Alencastro

Luiz Fernando Figueiredo

Manuela Carneiro da Cunha

Marcelo Pereira Lopes de Medeiros

Márcia Santana Fernandes

Marcos Alberto Lederman

Maria Hermínia Tavares de Almeida

Maria Lúcia Gonçalves Pereira

Maria Paula Dallari

Maria Silvia Bastos Marques

Maria Stella Gregori

Maria Tereza Fleury

Maria Thereza Sadek

Mariana Conti Craveiro

Mário Magalhães Carvalho Mesquita

Maura de Salles Aguiar

Miguel Reale Jr.

Nilza Pereira Almeida

Oscar Ferreira da Silva

Oscar Vilhena Vieira

Patrícia Fortes Attademo Ferreira

Paulo Doron R. de Araujo

Pedro de Camargo Neto

Pedro Luiz Barreiros Passos

Rafael Branco Xavier

Roberta Alexandr Sundfeld

Roberto Cruz Garcia

Ronaldo Porto Macedo Júnior

Rui Carlo Dissenha

Ruy Souza e Silva

Sonia Quintella de Carvalho

Tercio Sampaio Ferraz

Torquato da Silva Castro Júnior

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