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Sítio arqueológico em rodovia no litoral de SP revelou 43 sepultamentos e dentes de tubarão

Área cortada por rodovia Guarujá-Bertioga revelou 43 sepultamentos - na imagem: trecho aproximado da rodovia; no topo, tíbia em forma de sabre e abaixo uma mandíbula

G1 — Brasil · 2026-09-14T08:19:12.000Z

Área cortada por rodovia Guarujá-Bertioga revelou 43 sepultamentos - na imagem: trecho aproximado da rodovia; no topo, tíbia em forma de sabre e abaixo uma mandíbula

Quem passa hoje pelo km 17 da Rodovia Guarujá-Bertioga, no litoral de São Paulo, atravessa a área onde existiu o Sambaqui do Buracão. O sítio arqueológico pré-colonial, localizado na Ilha de Santo Amaro, próximo ao Canal de Bertioga, teve 43 sepultamentos documentados por pesquisas.

Segundo uma tese da Universidade de São Paulo (USP), o Buracão já era conhecido na década de 1940. O pesquisador italiano Ettore Biocca observou o sítio em 1946, e o local apareceu em uma publicação científica no ano seguinte. As principais pesquisas, no entanto, ocorreram nos anos 1960, vinculadas ao antigo Instituto de Pré-História da USP e lideradas por Paulo Duarte e sua equipe.

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A construção da Rodovia Guarujá-Bertioga impactou diretamente o local. Um documento do Governo do Estado de São Paulo situa o sambaqui na área correspondente ao atual km 17 da estrada. Um estudo arqueológico ligado ao Porto de Santos aponta que a abertura da via destruiu grande parte do sítio, restando apenas cerca de um terço da área original após a intervenção.

Em 2005, uma tese de doutorado do arqueólogo Sérgio Francisco Serafim Monteiro da Silva, defendida no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE-USP), analisou a documentação das escavações. O estudo contabilizou 43 sepultamentos no Buracão: 42 simples e um duplo.

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Devido ao enterro com duas pessoas, a pesquisa confirmou um número mínimo de 44 indivíduos, sendo 24 adultos e 20 pessoas com menos de 20 anos. O levantamento também identificou materiais associados aos mortos em 28 dos sepultamentos.

Veja o que foi documentado no sítio arqueológico:

Número mínimo de indivíduos: 44

Sepultamentos com materiais associados: 28

Elementos de pedra: 190

Valvas de moluscos: 435

Dentes de peixes e mamíferos: 335

Ossos de animais: 326

Registros de pigmento ocre: 15

De acordo com a documentação da USP, os materiais associados aos corpos incluíam pedras, conchas, dentes, ossos de animais e pigmento ocre.

Um estudo arqueológico também resgatou uma descrição feita por Paulo Duarte sobre um sepultamento específico, no qual objetos trabalhados em osso e pedra teriam sido colocados dentro de uma carapaça de tartaruga.

Outro achado chamou a atenção de pesquisadores do MAE-USP. Um artigo publicado pela instituição analisou cinco dentes de tubarão-branco encontrados no Buracão. Todos apresentavam modificações feitas por humanos, como perfurações, raspagem ou desgaste, e três estavam associados a sepultamentos. A pesquisa não atribui aos dentes um significado religioso específico.

As fontes acadêmicas indicam que o Sambaqui do Buracão tem datação em torno de dois mil anos. A documentação do Governo de São Paulo registra uma idade de 1.950 anos (com margem de erro de 100 anos), valor alinhado à literatura da USP.

Não há um levantamento atual que confirme quanto do sítio ainda permanece no solo ou nas margens da rodovia. Portanto, não é possível afirmar se os 43 sepultamentos continuam sob a estrada. Restos humanos e materiais arqueológicos retirados do Buracão integram o acervo do MAE-USP e continuam sendo utilizados em estudos científicos.

Mandíbula encontrada no Sambaqui Buracão

O que é um sambaqui?

Sambaquis são sítios arqueológicos formados ao longo do tempo por populações que viveram principalmente em regiões costeiras.

Esses locais costumam reunir grande quantidade de conchas e sedimentos, mas também podem preservar restos de alimentação, ferramentas, objetos, estruturas de ocupação e sepultamentos humanos.

Por isso, são registros importantes sobre os povos que habitavam o litoral antes da colonização europeia.

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