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Bebê nasce com cordão enrolado no pescoço, sofre falta de oxigênio e se recupera após protocolo inédito na UTI em hospital: 'Alívio', diz pai

Bebê nasce com cordão enrolado no pescoço, sofre falta de oxigênio e se recupera

G1 — Brasil · 2026-09-14T10:27:36.000Z

Bebê nasce com cordão enrolado no pescoço, sofre falta de oxigênio e se recupera

Uma bebê nasceu com cordão umbilical enrolado no pescoço, sofreu convulsões devido à falta de oxigênio e se recuperou após ficar quase um mês internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal em Votuporanga (SP). O quadro exigiu um tratamento inédito de alta complexidade na Santa Casa.

O que deveria ser um momento de comemoração se transformou em dias de angústia para os pais Fagner Rodrigues de Andrade, de 26 anos, e Mayra Rodrigues Pereira Costa, de 18. Aylla nasceu de parte normal no dia 27 de junho.

Fagner e Mayra são pais da Aylla, que nasceu na Santa Casa em Votuporanga (SP)

Fágner Rodrigues de Andrade/Arquivo pessoal

Fager relatou que ele e a esposa perceberam que havia algo errado no parto. Segundo o pai, a bebê demorou para nascer e logo os médicos identificaram que o cordão umbilical estava enrolado no pescoço.

A menina nasceu com asfixia perinatal grave e comprometimento neurológico grave, segundo a Santa Casa de Votuporanga. Em situações assim, a falta de oxigênio pode provocar lesões no cérebro do recém-nascido.

🔎 Asfixia perinatal acontece quando o bebê recebe menos oxigênio do que precisa antes, durante ou logo após o nascimento. A falta de oxigênio pode afetar principalmente o cérebro e, em casos mais graves, provocar lesões neurológicas.

“Não conseguimos nem raciocinar na hora”, lembra o pai.

O médico Gabriel Variane também explicou que a asfixia pode estar relacionada a diferentes situações ocorridas antes, durante ou imediatamente após o nascimento, e a presença do cordão ao redor do bebê, isoladamente, não permite estabelecer uma relação de causa e efeito.

"Não é possível afirmar que o cordão umbilical envolto no bebê tenha sido a causa da asfixia perinatal", explicou em entrevista ao g1.

Aylla nasceu na Santa Casa de Votuporanga (SP)

Fagner Rodrigues de Andrade/Arquivo pessoal

Ao saber que a filha havia sofrido falta de oxigênio, Fagner descreveu ao g1 o sentimento de perplexidade, impotência e medo de possíveis sequelas. Um dos momentos mais difíceis, segundo ele, foi entrar na UTI Neonatal e encontrar a filha entubada e cercada por aparelhos.

Como método de tratamento, a bebê passou pelo protocolo de hipotermia terapêutica, utilizado para proteger o cérebro de recém-nascidos que sofreram falta de oxigênio durante o parto.

A hipotermia terapêutica consiste em reduzir de forma controlada a temperatura corporal do bebê por cerca de 72 horas. Segundo a Santa Casa, a redução do metabolismo cerebral ajuda a diminuir processos que podem provocar ou agravar lesões neurológicas depois da falta de oxigênio.

O hospital explicou que o tratamento precisa ser iniciado rapidamente, nas primeiras horas de vida, e depende de monitoramento contínuo. Diante disso, a instituição afirma que a disponibilidade do tratamento na própria cidade evita que o recém-nascido precise ser transferido.

Isso porque, a médica responsável pela UTI Neonatal, Lara Galvani Greghi, ressaltou que a distância, a necessidade de transporte neonatal e a limitação de serviços especializados tornam cada minuto decisivo.

“O cérebro de um recém-nascido é extremamente delicado e, após um momento de falta de oxigênio, cada segundo conta. Saber que podemos proteger o futuro desse bebê e devolvê-lo saudável para sua família traz uma sensação indescritível de dever cumprido para toda a nossa equipe”, destaca a médica.

No caso de Aylla o acompanhamento revelou ainda outro desafio. Durante a internação, a menina apresentou convulsões que não produziam sinais físicos perceptíveis, ou seja, estavam acontecendo, mesmo sem movimentos que pudessem ser vistos.

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De acordo com a médica, o monitoramento permite que a equipe identifique essas alterações em tempo real e intervenha, antes que signifique uma corrida contra o tempo para salvar a vida do recém-nascido.

“Muitas vezes, as convulsões acontecem em absoluto silêncio, sem que o paciente dê qualquer sinal físico do que está acontecendo. Com esse acompanhamento em tempo real, conseguimos enxergar exatamente o que está acontecendo na atividade cerebral e agir no minuto exato”, explicou a médica.

Aos poucos, a família começou a perceber mudanças no comportamento da bebê. De acordo com o pai, cerca de duas semanas depois, os médicos informaram que a atividade cerebral da menina voltou ao normal.

Outro momento de alívio veio quando ela conseguiu respirar sem a ajuda dos aparelhos. Depois, a bebê também passou a se alimentar pela boca e recebeu alta da UTI no dia 24 de julho.

Neste dia, a alta representou, de acordo com Fagner, o fim de dias de angústia. Ao final do tratamento, Aylla estava respirando, se alimentando por via oral e sem necessidade de medicação anticonvulsivante.

“Ver ela respirando sozinha e alimentando foi um alívio, saber que ela ia ter alta foi uma sensação inexplicável. Foi muito difícil, respiramos aliviados quando ela tirou os tubos”, celebra Fagner.

Cinco dias depois, em 29 de julho, deixou o hospital definitivamente após 32 dias de internação. Agora, a menina passa por acompanhamento e deve fazer exames de rotina para avaliar a evolução após a internação.

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