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Primeira missa inclusiva do RS tem som baixo, luz suave e acolhe famílias de atípicas
G1 — Brasil · 2026-09-14T12:04:38.000Z
Primeira missa inclusiva do RS tem som baixo, luz suave e acolhe famílias de atípicas
A Diocese de Montenegro, município a 60 quilômetros de Porto Alegre, realizou neste domingo (13) a primeira missa inclusiva do Rio Grande do Sul. A celebração, ocorrida na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, foi adaptada para acolher pessoas atípicas e suas famílias, minimizando barreiras sensoriais e sociais.
Para o vigário da paróquia, Oséias Dreyer, a adaptação reforça o papel de acolhimento da comunidade. "A vida nasce como um dom precioso. Não sou eu e nem o outro que pode desqualificar a importância e a beleza que cada ser humano traz dentro de si, que é o amor de Deus", destaca.
Para atender às necessidades do público, a organização reduziu o volume do som e utilizou iluminação suave. A cerimônia contou com intérprete de língua de sinais e os participantes tiveram liberdade para levantar e caminhar pelo espaço durante o rito.
A rotina das missas tradicionais costuma afastar famílias de crianças atípicas devido ao incômodo com ruídos e ao julgamento de terceiros. Mãe de Elias, a dona de casa Michele Regina Machado relata a dificuldade.
"Eu como mãe, eu posso dizer que por muito tempo eu fiquei afastada da igreja. Eu trazia meu filho quando ele era pequeno, mas ele fazia muitos barulhos, estereotipias, isso incomodava as pessoas", afirma.
Durante a missa, Elias, que possui sensibilidade ao toque e não consegue usar camisa e sapatos, acompanhou o início da celebração do lado de fora.
O pai, Odirlei Bernardes, relatou estar feliz mesmo acompanhando a missa da rua. "O pouquinho que ele puder vir aqui, estar sentindo um pouco desta atmosfera, para nós é de grande valia."
Na sequência, Elias conseguiu entrar na igreja. A mãe emocionou-se com o momento.
"Ele não usa camiseta e calçado há quatro anos, então eu não consigo levar nos lugares. Ver ele entrando na casa do Senhor agora me causou uma emoção muito grande como mãe poder trazer meu filho na igreja. Nós pais que estamos aqui, a gente sabe o quão difícil é a gente levar nossos filhos para a sociedade", relata.
O vigário ressalta que a iniciativa busca oferecer um ambiente sem julgamentos, pois os pais costumam se preocupar.
"Nós como comunidade queremos justamente dizer a elas que a preocupação maior delas, ou o pensamento melhor delas, pode ser: vamos para a igreja para que lá nos encontramos paz", declara o religioso.
As crianças presentes aproveitaram a liberdade de movimento. Francisco dos Santos, de nove anos, resumiu a experiência: "Eu tô me sentindo muito bem".
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