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CEO da Anthropic pede que setor desacelere ritmo de desenvolvimento da IA
G1 — Mundo · 2026-09-14T12:43:34.000Z
CEO da Anthropic pede que setor desacelere ritmo de desenvolvimento da IA
O debate sobre o avanço da inteligência artificial voltou a ganhar destaque nesta semana após o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defender, em um artigo publicado no sábado (12), que as empresas desacelerem o desenvolvimento de seus modelos de IA.
O ensaio foi divulgado após um relatório da Anthropic detalhar como diferentes agentes usaram os modelos Claude, da empresa, em atividades que incluíam desenvolvimento de armas, operações cibernéticas, vigilância e fraude.
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Após a divulgação, autoridades se manifestaram sobre o avanço da tecnologia. Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu manter a liderança dos EUA em IA e minimizou os riscos apontados, a China alertou para ameaças à segurança nacional.
Já a União Europeia defendeu a inovação, mas cobrou das empresas garantias de segurança. A Alemanha, por sua vez, afirmou que interromper o desenvolvimento da IA não é uma opção viável para a Europa.
Veja abaixo as diferentes reações.
No domingo (12), Trump comparou os críticos da IA a “forças muito negativas” que levantam cenários que não vão acontecer, e afirmou que quer garantir que os EUA continuem sendo líderes do setor.
“Estamos à frente da China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero que continue assim, porque quem vencer na IA vence”, disse Trump a repórteres em seu campo de golfe na Irlanda, quando questionado se o setor de IA deveria desacelerar ou ser mais regulamentado.
“Poderíamos estabelecer limites. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas levantando essa questão, que não deveriam estar fazendo isso, e estão trazendo à tona coisas que não vão acontecer.”
Ex-pesquisador da OpenAI e da Anthropic acusa empresas de 'brincar com vidas'
Já a China, que disputa com os EUA a liderança no desenvolvimento de IA, afirmou que a tecnologia pode ameaçar a segurança nacional ao ser usada por potências estrangeiras para minar a ordem social do país.
"Forças hostis" abusam de tecnologias generativas de IA para "fabricar rumores políticos e espalhar informações prejudiciais", escreveu o ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, em um artigo publicado online no domingo.
"Elas estão travando guerras de opinião pública contra a China, ameaçando diretamente nossa segurança política, institucional e ideológica", afirmou.
O alerta surge em um momento em que o líder chinês, Xi Jinping, tem um encontro marcado com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington neste mês, para uma reunião focada na segurança da IA.
Nesta segunda-feira (14), o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, disse que o bloco é a favor do desenvolvimento da inovação em lA, mas que as empresas precisam comprovar que seus serviços são seguros.
Já a Alemanha afirmou nesta segunda que interromper o desenvolvimento da IA não é uma opção viável para a Europa. Segundo um porta-voz do ministério responsável por assuntos digitais, o fortalecimento da autonomia tecnológica europeia depende de mais avanços e inovação no setor.
“Não consideramos a interrupção do desenvolvimento uma opção viável para a Europa”, disse o porta-voz, em resposta aos pedidos de maior proteção diante de sistemas cada vez mais poderosos.
O ministério afirmou que acompanha de perto os avanços da IA no mundo e leva a sério os alertas dos principais desenvolvedores. Também advertiu que, se uma IA conseguir escapar do ambiente controlado em que é testada e acessar outros sistemas por conta própria, isso representará “um cenário de ameaça inteiramente novo”, que exigirá novas medidas das autoridades.
O porta-voz também defendeu a coordenação internacional para estabelecer regras e fiscalizar a tecnologia, com a participação dos Estados Unidos e da China. Segundo ele, o governo alemão está levando o tema às discussões do G7.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, vê como positivo o debate entre as principais empresas de IA sobre os riscos da tecnologia para o futuro da humanidade, afirmou seu porta-voz na segunda-feira (14). Segundo ele, as decisões sobre o tema precisam se basear em evidências.
“É bom que as empresas que desenvolvem os sistemas de IA mais avançados estejam agora falando abertamente tanto dos riscos quanto das oportunidades”, disse o porta-voz a jornalistas. Ele acrescentou que as políticas devem se apoiar “em evidências, e não em especulações”.
“Mas não devemos presumir que as regras atuais serão sempre suficientes à medida que a IA avança. Qualquer medida futura será baseada em evidências e voltada aos riscos que precisamos enfrentar”, afirmou.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, pediu, no sábado (12), que empresas desacelerem o desenvolvimento de seus modelos de IA.