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Cid nega que seu objetivo na eleição seja derrotar o irmão: 'quando resolvi apoiar o Elmano, o Ciro nem era candidato'

Cid Gomes nega ter objetivo de derrotar Ciro Gomes nas eleições

G1 — Brasil · 2026-09-14T13:50:20.000Z

Cid Gomes nega ter objetivo de derrotar Ciro Gomes nas eleições

Fabiane de Paula/SVM

O senador e candidato à reeleição Cid Gomes (PSB) afirmou nesta segunda-feira (14) que seu objetivo não é derrotar o irmão, Ciro Gomes (PSDB), na disputa pelo governo do Ceará. A declaração foi dada em entrevista à Verdinha FM.

Cid negou que sua candidatura ao Senado, na chapa do governador Elmano de Freitas (PT), tenha como objetivo enfrentar o irmão. Segundo ele, quando decidiu apoiar Elmano, Ciro ainda não havia lançado sua candidatura ao governo estadual.

“Quando eu resolvi apoiar o Elmano, o Ciro nem era candidato”, afirmou.

O racha entre os irmãos Cid e Ciro Gomes é resultado de uma divisão que começou dentro do grupo político formado pelos Ferreira Gomes e seus aliados no Ceará. Até 2022, Ciro fazia parte da aliança política que reunia o PDT, partido dos irmãos, e o PT, então liderado no estado pelo ex-governador Camilo Santana.

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A ruptura ocorreu em torno da escolha do candidato ao governo do Ceará para as eleições de 2022. Cid relatou que havia quatro nomes sendo discutidos dentro do PDT: Evandro Leitão, Mauro Filho, Roberto Cláudio e Izolda Cela. Segundo ele, o PT e Camilo Santana manifestaram preferência por Izolda, posição que Cid considerava legítima.

Desde então, Cid e Ciro passaram a atuar em campos políticos diferentes. Cid deixou o PDT e foi para o PSB, enquanto Ciro deixou o PDT e retornou ao PSDB em 2025. Nas eleições municipais de 2024, os dois também apoiaram candidatos diferentes à Prefeitura de Fortaleza.

Cinco anos de distanciamento

Durante a entrevista, Cid afirmou que a relação política com Ciro passou por cerca de cinco anos de distanciamento. Ele disse que, apesar das divergências, continua tendo respeito e consideração pelo irmão e que gostaria de separar a disputa política da relação familiar.

“Eu, para não brigar com ele, em nome do respeito, em nome da consideração que eu continuo tendo, eu não mudo porque a pessoa está do meu lado ou está contra mim. Toda a consideração, todo o respeito, eu continuo tendo por ele”, afirmou.

Cid também relatou um encontro com Ciro mediado por terceiros, no qual, segundo ele, foi chamado de “traidor”. O senador afirmou que aceitou a crítica por se tratar do irmão e disse ter aconselhado Ciro a “botar um sorriso no rosto” e aproveitar a oportunidade para voltar a disputar a Presidência da República.

Crise no STF

Cid Gomes também foi questionado sobre a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, e os pedidos de impeachment que tramitam no Senado.

A crise ganhou força no contexto da Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal que apura supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master e empresas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Durante as investigações, a Polícia Federal apreendeu o celular de Vorcaro e recuperou mensagens, documentos e arquivos que passaram a integrar relatórios enviados ao Supremo. O conteúdo levou as investigações a alcançar autoridades de diferentes instituições.

O ministro André Mendonça determinou a retirada do sigilo de relatórios produzidos pela Polícia Federal. Os documentos mencionaram autoridades como Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Cid defende 'refundar' o Supremo

Na entrevista, Cid afirmou que o STF precisa ser “refundado”. Segundo ele, a mudança não significa retirar ministros que ocupam atualmente seus cargos fora das hipóteses previstas pela Constituição, mas alterar a estrutura da Corte para o futuro.

O senador defende o estabelecimento de mandatos para ministros do Supremo, em vez da atual previsão de permanência até a aposentadoria compulsória. Cid também propõe que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tenha competência para fiscalizar a conduta dos ministros do STF.

Para ele, existe atualmente uma lacuna porque os demais Poderes e órgãos do Judiciário possuem mecanismos de fiscalização, enquanto o Supremo não estaria submetido a um órgão externo de acompanhamento de sua conduta. “O Supremo Tribunal Federal precisa ser refundado, essa é a minha opinião”, afirmou.

Cid ressaltou, porém, que não defende que ministros sejam retirados de seus cargos simplesmente por divergências políticas ou por decisões judiciais das quais parlamentares discordem. Para ele, o impeachment deve ser utilizado apenas em situações "claramente definidas".

Questionado sobre sua posição em relação ao impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes, Cid disse que nunca declarou ser contra ou a favor do afastamento do ministro.

Cid disse, no entanto, que, diante dos fatos atualmente em discussão, defenderia o impeachment caso o próprio Supremo não adotasse medidas para apurar internamente eventuais irregularidades. “Se eles não fizerem, repito, eu defenderei o impeachment”, afirmou.

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