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Água de cachoeira no Amazonas muda de cor e fica barrenta
G1 — Brasil · 2026-09-14T22:48:39.000Z
Água de cachoeira no Amazonas muda de cor e fica barrenta
A água da Cachoeira Natal, um dos principais atrativos turísticos de Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas, mudou de cor e ficou barrenta no domingo (13). A situação chamou a atenção de moradores, turistas e autoridades e causou o fechamento da visitação ao local. Assista acima.
No mesmo dia, uma fiscalização foi realizada para tentar identificar a origem da alteração. Nesta segunda-feira (14), uma ação conjunta do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e órgãos municipais identificou a empresa responsável por uma obra irregular às margens do Rio Urubu, a cerca de oito quilômetros da cachoeira.
Segundo o Ipaam, a empresa realizava obras de aterro e terraplanagem sem licença ambiental. A fiscalização constatou ainda que sedimentos provenientes da intervenção estavam sendo lançados no curso d’água.
A suspeita é de que a obra estivesse relacionada à tentativa de formação de uma praia artificial no local.
Veja abaixo um antes e depois da água no local:
Água de cachoeira turística no AM muda de cor e fica barrenta após intervenção às margens de rio.
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O que deixou a água barrenta?
A fiscalização identificou uma grande intervenção em uma área próxima ao Rio Urubu, com movimentação de solo e aterro.
De acordo com o Ipaam, não havia medidas de contenção para impedir que os sedimentos da obra chegassem ao rio. O material acabou sendo carregado para o curso d’água e provocou a alteração na aparência da água observada no domingo.
O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, afirmou que a intervenção era de grande proporção.
“Foi uma intervenção muito grande, com aterro e terraplanagem irregulares, sem nenhuma contenção para impedir que esse material chegasse ao curso d’água", informou.
O instituto informou que fará uma análise temporal para verificar a proporção da intervenção e exigir a recuperação da área degradada.
Água de cachoeira turística no AM muda de cor e fica barrenta após intervenção às margens de rio.
A água continua barrenta?
Não. Durante a fiscalização realizada nesta segunda-feira, o Ipaam constatou que a coloração da água do Rio Urubu estava dentro dos padrões de normalidade.
Segundo o instituto, os sedimentos observados no domingo vieram da área onde estavam sendo realizadas as intervenções irregulares.
O órgão informou ainda que, devido ao atual período de estiagem, o risco de um novo carreamento imediato de sedimentos é menor. Mesmo assim, medidas de contenção e recuperação serão necessárias para evitar que o problema volte a acontecer com o aumento das chuvas.
Águas da Cachoeira Natal, em Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas.
Qual foi o impacto ambiental?
O caso chamou atenção para os riscos de intervenções sem autorização próximas a cursos d’água e áreas ambientalmente protegidas.
A movimentação de solo e o lançamento de sedimentos em um rio podem deixar a água mais turva e favorecer processos de acúmulo de terra e resíduos. Além do impacto sobre a qualidade visual do ambiente, alterações desse tipo podem afetar o ecossistema aquático.
A situação ganhou ainda mais repercussão por ter atingido uma área turística conhecida pelas águas e pelas paisagens naturais.
A Cachoeira Natal é um dos atrativos de Presidente Figueiredo e recebe visitantes durante o ano. Para quem trabalha com turismo na região, a alteração da água também representa um impacto direto sobre a atividade.
Água de cachoeira turística no AM muda de cor e fica barrenta após intervenção às margens de rio.
Empresa foi multada em mais de R$ 3 milhões
O Ipaam informou que a empresa foi autuada em R$ 3.015.500 por três infrações ambientais. Do total:
R$ 1.510.500 por realizar obra sem licença ambiental;
R$ 1,5 milhão pelo lançamento de resíduos em curso d’água;
R$ 5 mil pela intervenção em Área de Preservação Permanente (APP).
Além das multas, a obra foi embargada pelo Ipaam.
O responsável deverá apresentar um Plano de Recuperação de Área Degradada (Prad), com medidas para recuperar a área afetada e impedir que novos sedimentos sejam levados para o Rio Urubu.
O que acontece agora?
A empresa tem prazo legal de 20 dias, a partir da notificação, para apresentar defesa administrativa ou optar pelo pagamento das multas.
Os valores das multas, segundo o Ipaam, são destinados ao Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema), administrado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).
Além da responsabilização administrativa, o responsável pela intervenção poderá responder nas esferas civil e criminal caso sejam confirmados indícios de crime ambiental.
Os autos produzidos pelo Ipaam durante a fiscalização também podem subsidiar eventual atuação dos órgãos de controle e do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM).
A fiscalização desta segunda-feira contou ainda com equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), da Secretaria Municipal de Turismo, Empreendedorismo e Comércio (Semtec) e da Polícia Militar do Amazonas, por meio do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAmb/PMAM).
Agora, além da aplicação das multas, o Ipaam deverá acompanhar as medidas de recuperação da área para evitar que novos materiais sejam carregados para o rio, principalmente com a chegada do período de chuvas.
Água de cachoeira turística no AM muda de cor e fica barrenta após intervenção às margens de rio.
Água muda de cor: fiscalização apura possível dano ambiental na Cachoeira Natal