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Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes
G1 — Política · 2026-09-15T04:16:31.000Z
Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes
Pela primeira vez desde o início da crise envolvendo a Operação Compliance Zero, o ministro Alexandre de Moraes falou publicamente sobre as suspeitas levantadas contra ele em relatórios produzidos no âmbito das investigações sobre o banqueiro Daniel Bueno Vorcaro.
Em manifestação enviada ao presidente do STF, Luiz Edson Fachin, nesta segunda (14), Moraes negou ter cometido qualquer irregularidade, afirmou que nunca favoreceu o Banco Master ou Vorcaro e disse que jamais julgou processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira.
O ministro também classificou as acusações como uma tentativa de responsabilizá-lo por anotações produzidas por terceiros e afirmou que a ofensiva tem motivação "político-eleitoral".
O documento foi apresentado na véspera do julgamento marcado para esta terça-feira (15), quando o plenário do STF vai analisar o relatório produzido pela Polícia Federal sobre mensagens atribuídas a Vorcaro e discutir se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação envolvendo Moraes.
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A sessão foi convocada pelo presidente da Corte, Fachin, e ocorre em meio a uma série de discussões sobre a validade do relatório, o alcance da análise dos ministros e a participação de integrantes diretamente citados no caso.
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Na manifestação, Moraes sustenta que a investigação determinada pelo ministro André Mendonça é ilegal porque teria sido instaurada sem pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), sem provocação da Polícia Federal e sem autorização prévia do plenário do STF.
"Na presente hipótese, de maneira absolutamente inconstitucional e ilegal, o ministro relator determinou, de ofício, a realização de atos de investigação em relação a um ministro da Corte", diz a manifestação.
Segundo ele, o relatório produzido no caso "não apontou a existência de nenhum indício de infração penal" de sua parte e se baseia em anotações encontradas em blocos de notas do celular de Vorcaro.
O ministro afirma que nunca teve conhecimento prévio da Operação Compliance, jamais entrou em contato com autoridades responsáveis pela investigação nem vazou informações do procedimento. Também diz que nunca praticou qualquer ato para favorecer o Banco Master ou Vorcaro e destaca que não participou de processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira.
Um dos principais argumentos da defesa é que a hipótese de vazamento não se sustenta diante do resultado da própria operação. Moraes afirma que Vorcaro foi preso quando se preparava para embarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, portando passaporte verdadeiro e seu telefone celular.
Segundo ele, o sucesso da prisão e da apreensão do aparelho demonstra que o investigado não tinha conhecimento prévio da existência de mandado judicial contra si.
"Não é lógico, razoável e plausível" concluir que houve favorecimento ou vazamento de informações, afirma o ministro no documento. Moraes sustenta que a Operação Compliance foi totalmente exitosa e que a apreensão do celular de Vorcaro permitiu justamente o avanço das investigações.
Outro eixo central da manifestação é a contestação das supostas mensagens. Moraes afirma que o relatório não apresenta "nenhuma mensagem" de sua autoria que indique consultoria jurídica, favorecimento ao Banco Master ou conhecimento prévio de operações policiais.
"Não há nenhuma, absolutamente nenhuma mensagem de autoria do ministro Alexandre de Moraes que indique qualquer consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de qualquer operação policial."
Segundo ele, a investigação tenta atribuir a sua responsabilidade textos encontrados em blocos de notas do celular de Vorcaro sem demonstrar que essas anotações tenham efetivamente sido enviadas por mensagem a ele.
A defesa também critica a metodologia utilizada no relatório da PF. Moraes afirma que houve quebra da cadeia de custódia das provas, que os documentos são baseados em ilações e inferências e que não possuem natureza pericial. Segundo o ministro, as conclusões foram construídas a partir de recortes de mensagens e interpretações sem comprovação técnica.
Ao tratar da motivação do caso, Moraes afirma que as acusações são utilizadas para atacá-lo politicamente. O ministro diz que a investigação foi conduzida com finalidade "político-eleitoral" e classifica as suspeitas como uma tentaiva de "vingança". As afirmações aparecem na manifestação como alegações feitas pelo próprio magistrado.
Mendonça defende medidas adotadas
André Mendonça durante sessão no STF
Em documento também enviado à Presidência do STF na segunda-feira, André Mendonça apresentou esclarecimentos sobre a condução da investigação. O ministro afirma que havia elementos que justificavam aprofundar as apurações sobre uma suposta rede de influência ligada a Vorcaro e cita relatórios da Polícia Federal que apontariam acesso antecipado do banqueiro a informações sigilosas.
Segundo Mendonça, as diligências tiveram como objetivo identificar integrantes de uma suposta rede de monitoramento e influência associada ao banqueiro e esclarecer circunstâncias que poderiam indicar vazamento de informações. O ministro também afirmou que medidas adotadas ao longo da investigação buscaram preservar o sigilo e a integridade dos trabalhos conduzidos pela Polícia Federal.
O plenário do STF deverá decidir nesta terça-feira não apenas sobre a validade formal do relatório elaborado pela PF, mas também sobre o destino dos elementos reunidos na investigação. Entre as possibilidades discutidas nos bastidores estão a anulação do documento por vício de origem, como já defendeu a PGR, ou o encaminhamento do material para uma nova análise sobre a eventual abertura de investigação formal.