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Crise climática faz 34% dos jovens de Campinas repensarem desejo de ter filhos, diz pesquisa

Imagem aérea da periferia de Campinas

G1 — Campinas e Região · 2026-07-25T15:29:15.000Z

Imagem aérea da periferia de Campinas

Uma pesquisa realizada com 600 jovens de Campinas (SP) aponta que a crise climática afeta diretamente os planos de vida das novas geração.

Segundo o levantamento, 58% dos entrevistados afirmam que as mudanças no clima influenciam suas expectativas para o futuro e 34% passaram a repensar o desejo de ter filhos por conta deste cenário.

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O diagnóstico faz parte do projeto Juventudes, Raça e Mudanças Climáticas em Campinas (Jucamp). O estudo revela que os efeitos do clima são percebidos no dia a dia, prejudicando a infraestrutura urbana e a mobilidade. Entre os principais impactos na rotina:

75% sofrem com falta de energia elétrica durante ventanias;

73% enfrentam dificuldades para se locomover de ônibus em dias de chuva forte;

70% relatam quedas de internet provocadas por eventos climáticos;

69% percebem prejuízos no desempenho escolar ou profissional;

69% frequentemente faltam ou se atrasam para compromissos devido a tempestades ou calor extremo.

Clima e desigualdade

Para os organizadores do levantamento, os dados evidenciam que a crise climática está associada à falta de infraestrutura, especialmente nas áreas mais vulneráveis da metrópole.

A pesquisa aponta que 68% dos entrevistados acreditam que pessoas pobres e ricas sofrem os efeitos das mudanças climáticas de forma diferente.

A coordenadora de projetos da organização "Em Movimento", Iasmim Vieira, afirma que a falta de estrutura transforma o clima em um obstáculo para o desenvolvimento.

“A ausência de climatização nas escolas e as constantes quedas de serviços básicos como energia e internet, comuns em dias de ventania, por exemplo, comprometem o rendimento de quem tenta estudar ou trabalhar nas periferias”, explica.

Contrastes por região

A percepção dos impactos varia conforme o bairro de moradia. Na região Norte, que abrange distritos como Barão Geraldo, os jovens registram os maiores índices de impacto na saúde mental, nos estudos e nas expectativas de futuro.

Já os moradores da região Noroeste são os que mais apontam interdições de vias devido a enchentes e alagamentos frequentes. A diretora socioeducativa da Fundação Feac, Lina Pimentel, destaca a importância dos dados.

“Esse levantamento é essencial para que, a partir dos dados e das informações de quem vive a cidade, possamos pensar e propor ações para que as regiões mais vulneráveis não sejam as mais afetadas pelos eventos climáticos”, avalia.

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