ITATIBA1

VÍDEO: cachoeira de água cristalina fica barrenta e indígenas atribuem ao garimpo ilegal em Uiramutã

Cachoeira de água cristalina fica barrenta e indígenas atribuem ao garimpo ilegal em RR

G1 — Brasil · 2026-07-25T15:34:40.000Z

Cachoeira de água cristalina fica barrenta e indígenas atribuem ao garimpo ilegal em RR

A água da cachoeira do Urucá ficou densa e barrenta, conforme mostram vídeos divulgados nesta sexta-feira (24) pela Defesa Civil do município do Uiramutã e pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR). Segundo as organizações e moradores da região, a poluição ocorre por conta do crescimento de garimpos ilegais, instalados na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp

A queda d'água se forma a partir do igarapé Urucá e deságua no rio Cotingo. O acesso ao ponto turístico ocorre pela rodovia RR-171, no trajeto para a comunidade Flexal.

Ao g1, um morador da comunidade, que preferiu não se identificar, relatou a destruição na área. "É muito triste, de partir o coração. Maquinários do garimpo acima da cachoeira destroem a serra e jogam isso aí na cachoeira", lamentou.

O morador também contou que os invasores conseguem escapar das operações de controle ambiental por meio de informantes. "Já houve outras denúncias. Mas, quando a fiscalização vem, eles são avisados e enterram os motores usados no garimpo", afirmou.

Os garimpeiros utilizam métodos destrutivos na área, como uso de explosivos e bombas para quebrar rochas nas serras. Nos leitos dos rios, eles aplicam mercúrio para separar o ouro dos sedimentos, o que contamina a água e os peixes consumidos pelas comunidades da região.

O CIR informou que acompanha a situação e que o departamento jurídico da organização vai notificar a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Polícia Federal (PF) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre o crime ambiental.

Em nota, o governo de Roraima declarou que o garimpo ilegal e a consequente poluição ambiental em terras indígenas são de jurisdição federal. Dessa forma, a fiscalização e a investigação do caso cabem aos órgãos da União.

O g1 também pediu um posicionamento da Funai e da Polícia Federal sobre o assunto, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.

Cachoeira do Urucá com a água é conhecida por ter água crisalina, mas foi tomada pela água barrenta

Arquivo e reprodução

Histórico de invasão e danos ambientais

A contaminação do igarapé Urucá é um problema já conhecido e documentado na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Lideranças indígenas já denunciaram a presença de pelo menos 500 invasores no território.

A comunidade Urucá figura entre as mais atingidas pela exploração, ao lado de Napoleão, Tarame, Raposa I e Raposa II.

O g1 documentou que, em 2025, a Prefeitura de Uiramutã já havia alertado as autoridades federais. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo enviou ofícios à Funai e ao Ministério Público Federal (MPF) com relatos sobre o assoreamento do igarapé Urucá, a alteração do curso da água e a perda da vegetação marginal.

Além do impacto ambiental, o Conselho Indígena de Roraima já havia alertado para os danos sociais. As denúncias incluem ameaças a moradores, contaminação dos rios e o aliciamento de jovens indígenas, que são submetidos a condições de trabalho degradantes em acampamentos ilegais.

Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

Leia no Itatiba1 →