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Julgamento no STF: o que pesa contra Moraes e o que o ministro diz em sua defesa

Moraes se manifesta sobre relatório da PF que revelou mensagens enviadas por Vorcaro a ele

G1 — Brasil · 2026-09-15T12:40:46.000Z

Moraes se manifesta sobre relatório da PF que revelou mensagens enviadas por Vorcaro a ele

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) se reúne nesta terça-feira (15), em sessão extraordinária, para analisar o relatório da Polícia Federal (PF) sobre mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-dono do extinto Banco Master, e ao ministro Alexandre de Moraes.

Os ministros vão discutir se os elementos reunidos no relatório justificam a abertura de uma investigação contra o magistrado.

A sessão foi convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e ocorre em meio a questionamentos sobre a validade do relatório e o alcance da análise feita pelo Supremo.

Na véspera do julgamento, Moraes se manifestou pela primeira vez sobre o caso, e negou ter cometido qualquer irregularidade. O ministro afirmou que nunca favoreceu o Banco Master ou Vorcaro e que jamais julgou processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira.

Veja abaixo o que pesa contra Moraes e os principais argumentos apresentados por ele em sua defesa reunidos pelo g1.

André Mendonça e Alexandre de Moraes em sessão do Supremo em 2 de setembro de 2026

O que pesa contra Moraes

As suspeitas que levaram à análise do caso pelo STF estão relacionadas a mensagens e anotações encontradas no celular de Daniel Vorcaro.

🔎O mecanismo usado por ele (de prints do bloco de notas e envio de fotos temporárias) não permite recuperação das mensagens recebidas, apenas das enviadas pelo banqueiro. Por isso, o relatório não identifica o que Moraes teria respondido, apenas o que Vorcaro enviou.

O material foi analisado pela PF e deu origem a um relatório que passou a ser discutido no Supremo.

Entre os principais pontos estão:

Registros digitais e metadados obtidos na investigação apontam que Moraes atuou na edição de um contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro.

Além do contrato milionário, o escritório de Viviane Barci de Moraes firmou um segundo acordo, de R$ 50 milhões, com outra empresa de Vorcaro, segundo a Polícia Federal.

Além disso, trocas de mensagens recuperadas no celular do banqueiro sinalizam que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de a PF deflagrar uma operação contra ele.

No dia 15 de novembro de 2025, sábado, Vorcaro questionou Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar fora?"

Quarenta e oito horas depois, na noite de 17 de novembro, segunda-feira, o banqueiro foi preso pela PF quando tentava embarcar em um jato particular.

Em uma das trocas de mensagens, Vorcaro disse a Moraes ter uma “dívida de vida” com o ministro e agradeceu por “tudo”, segundo relatório da Polícia Federal.

A mensagem foi enviada em 14 de novembro de 2025, no mesmo dia em que os dois trataram de um encontro na casa do empresário.

O relatório da PF aponta que os dois teriam se encontrado diversas vezes entre março de 2024 e agosto de 2025, segundo mensagens extraídas do celular do fundador do Banco Master.

O relatório da PF também faz menção a eventos e repasses do Banco Master. Na véspera do julgamento, a pedido de Moraes e com parecer favorável da PGR, o ministro André Mendonça retirou o sigilo da PET 15645, que detalha a rede de pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro e da instituição financeira.

O que Moraes diz sobre as suspeitas

O ministro nega ter cometido qualquer irregularidade e afirma que as acusações tentam responsabilizá-lo por anotações produzidas por terceiros.

Além de apontar finalidade "político-eleitoral", o ministro afirma na manifestação que as suspeitas levantadas representam uma tentativa de "vingança" e de ataque à sua atuação institucional no STF.

Segundo o ministro, o relatório da PF “não apontou a existência de nenhum indício de infração penal” de sua parte. Ele afirma ainda que o material se baseia em anotações encontradas em blocos de notas do celular de Vorcaro.

O ministro enfatiza que o relatório não apresenta "nenhuma mensagem" de sua autoria que indique consultoria jurídica, favorecimento ao Banco Master ou conhecimento prévio de operações policiais.

A defesa de Moraes sustenta ainda que as conclusões da PF foram construídas a partir de recortes de mensagens e interpretações sem comprovação por perícia técnica.

Moraes também diz que nunca teve conhecimento prévio da Operação Compliance, que não entrou em contato com autoridades responsáveis pela investigação e que não vazou informações do procedimento.

O ministro afirma ainda que nunca praticou qualquer ato para favorecer Vorcaro ou o Banco Master e destaca que não participou de processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira.

Moraes questiona a investigação

Na manifestação enviada a Fachin, Moraes também questiona a forma como a investigação foi instaurada pelo ministro André Mendonça.

Segundo ele, a apuração seria ilegal porque foi determinada sem pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), sem provocação da Polícia Federal e sem autorização prévia do plenário do STF.

“Na presente hipótese, de maneira absolutamente inconstitucional e ilegal, o ministro relator determinou, de ofício, a realização de atos de investigação em relação a um ministro da Corte”, diz a manifestação.

Moraes sustenta que a investigação não poderia ter sido iniciada dessa forma e que não há elementos concretos que indiquem a prática de crime por parte dele.

O argumento de Moraes sobre a ilegalidade da origem do relatório coincide com a posição da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestou formalmente pelo arquivamento da peça por "vício de origem", por ter sido instaurada por Mendonça sem provocação prévia do MPF ou da PF.

Em documento enviado a Fachin no mesmo dia, o ministro André Mendonça defendeu a legalidade das medidas adotadas, afirmando que agiu por cautela para preservar as investigações após anotações de Vorcaro mencionarem os nomes do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O argumento sobre um possível vazamento

Um dos principais argumentos apresentados por Moraes é que a hipótese de vazamento de informações não seria compatível com o resultado da própria investigação.

O ministro afirma que Vorcaro foi preso quando se preparava para embarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Segundo Moraes, o banqueiro estava com o passaporte verdadeiro e o próprio telefone celular.

Para o ministro, isso indica que Vorcaro não tinha conhecimento prévio da existência do mandado de prisão contra ele.

A avaliação de Moraes é que, se o banqueiro tivesse recebido antecipadamente informações sobre a operação, seria esperado que tivesse tomado medidas para evitar a prisão ou se desfazer de objetos que poderiam ser apreendidos.

Moraes argumenta que "não é lógico, razoável e plausível" concluir que houve favorecimento ou vazamento de informações, uma vez que a operação da PF foi totalmente bem-sucedida e culminou na prisão do empresário e na apreensão de seus dispositivos.

Moraes também afirma que a ofensiva contra ele tem motivação “político-eleitoral”.

O ministro não reconhece nas mensagens e anotações analisadas pela PF elementos que indiquem uma atuação irregular de sua parte e afirma que está sendo responsabilizado por registros feitos por terceiros.

Na segunda (14), a Polícia Federal entregou cópias dos dados do celular de Vorcaro aos gabinetes de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.

Agora, cabe ao plenário do STF analisar o relatório da PF e decidir se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação envolvendo Moraes.

A sessão de julgamento começa com a leitura do parecer pelo presidente Edson Fachin, seguida de manifestações da PGR, eventuais sustentações orais e a votação dos ministros na ordem regimental

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