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O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar nesta terça-feira (15), em sessão extraordinária, o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e…
G1 — Brasil · 2026-09-15T13:35:02.000Z
O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar nesta terça-feira (15), em sessão extraordinária, o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes.
O julgamento é considerado inédito na história do tribunal por colocar em análise a conduta de um integrante da própria Corte.
Ao longo das últimas semanas, o caso deflagrou um embate direto entre magistrados, questionamentos sobre conduta funcional e disputas pelo acesso a provas.
Na véspera do julgamento, Moraes se manifestou pela primeira vez sobre o caso, e negou ter cometido qualquer irregularidade. O ministro afirmou que nunca favoreceu o Banco Master ou Vorcaro e que jamais julgou processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira.
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Como será a sessão?
A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) seguirá o rito previsto para julgamentos no plenário. O ministro Edson Fachin, relator do caso, abrirá o julgamento. Ele deverá apresentar um resumo dos fatos e delimitar quais pontos serão analisados pelos ministros.
Depois, será a vez da Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar. Também poderão ocorrer eventuais sustentações orais, conforme as regras do julgamento. Ainda não está claro se Moraes terá um momento para apresentar seus argumentos sobre o caso.
Após as manifestações, Fachin apresentará seu voto, como relator da ação. Na sequência, os demais ministros votarão na ordem prevista pelo regimento interno do STF.
Ao final, o presidente do Supremo proclamará o resultado do julgamento.
Plenário do STF
A crise se intensificou após o ministro André Mendoça levantar o sigilo de relatórios da Polícia Federal sobre as investigações do Banco Master.
Um dos documentos apontou 52 mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de encontros presenciais entre os dois e de um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
A divulgação dos documentos provocou um confronto entre Moraes e André Mendonça, relator das investigações do caso Master.
Moraes acusou o colega de fazer uma liberação "seletiva" dos autos e de omitir documentos. Mendonça negou e afirmou que manteve sob sigilo apenas informações necessárias para preservar investigações em andamento e dados de terceiros.
A disputa também envolveu o acesso às provas extraídas do celular de Vorcaro. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso integral ao material.
Após determinação de Zanin, a PF confirmou, na segunda-feira (14), ter entregue cópias do acervo digital aos três gabinetes. A PGR também se manifestou a favor da ampliação do acesso aos documentos.
Diante do conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu separar os processos. O caso que envolve as mensagens entre Vorcaro e Moraes será analisado pelo Plenário nesta terça-feira (15).
Já as acusações de Moraes contra Mendonça ficaram para 23 de setembro, porque ainda há prazos de instrução em aberto.
Moraes nega irregularidades
Na véspera do julgamento, Moraes se manifestou pela primeira vez sobre o caso, e negou ter cometido qualquer irregularidade. O ministro afirmou que nunca favoreceu o Banco Master ou Vorcaro e que jamais julgou processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira.
Moraes declarou que o relatório da PF não apresenta indícios de crime cometido por ele e que as conclusões se baseiam em anotações de Vorcaro e em recortes de mensagens, sem comprovação técnica.
Diz ainda que não favoreceu o Banco Master, não tinha conhecimento prévio da Operação Compliance e não vazou informações.
O ministro também questiona a legalidade da própria investigação, argumentando que ela foi aberta por André Mendonça sem provocação da PGR ou da PF e sem autorização do plenário do STF. A PGR concordou com esse argumento e pediu o arquivamento do relatório por “vício de origem”.
Sobre a suspeita de vazamento, Moraes afirma que a prisão de Vorcaro contradiz essa hipótese: segundo ele, o banqueiro foi preso com o passaporte e o celular, quando tentava embarcar em um jato. Para Moraes, se tivesse sido avisado sobre a operação, teria tomado medidas para evitar a prisão ou se desfazer dos dispositivos.
Por fim, Moraes afirma que as acusações têm motivação político-eleitoral e representam uma tentativa de vingança e de ataque à sua atuação no STF.