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Bombeiros fazem busca sob escombros após prédio em construção desabar na Penha, Zona Leste de SP
G1 — Brasil · 2026-09-15T14:08:54.000Z
Bombeiros fazem busca sob escombros após prédio em construção desabar na Penha, Zona Leste de SP
A servidora da Prefeitura de São Paulo Viviane Rodrigues de Palma, responsável pelo documento que atestou que havia sido feita uma demolição no prédio em construção que desabou sobre uma casa e matou seis pessoas na Penha, na Zona Leste da capital, afirmou em depoimento que vistoriou o imóvel apenas pelo lado de fora.
Segundo ela, não havia operários no prédio, que apresentava sinais de abandono.
Viviane de Palma foi ouvida nesta segunda-feira (14) pela Controladoria Geral do Município (CGM), que investiga um laudo elaborado por ela em 22 de fevereiro de 2024. No documento, a servidora apontou que o prédio localizado na Rua Tequici, onde ocorreu a tragédia, havia sido demolido.
O g1 e a TV Globo apuraram que, na época da vistoria, Viviane era fiscal da Subprefeitura da Penha e foi sozinha ao imóvel porque não havia funcionários do órgão em número suficiente para atender às demandas da subprefeitura.
Prédio em construção desaba sobre casa em São Paulo
A obra estava embargada desde 2022. A Prefeitura chegou a ingressar com um pedido na Justiça para autorizar a demolição, alegando falta de alvará de construção.
No depoimento, Palma disse que não identificou sinais de risco estrutural durante a vistoria realizada em 2024 e que não conhecia a construtora New Home, dona do terreno e responsável pela obra.
Como não conseguiu entrar no prédio em construção, a servidora afirmou que não verificou se a obra correspondia ao projeto registrado na Prefeitura de São Paulo.
A fiscal afirmou ainda que o imóvel que desabou estava realmente embargado e que a construtora teria desrespeitado o embargo ao longo do período, realizando intervenções no edifício sem as devidas autorizações.
Relatório de fiscalização
Um dos pontos do depoimento à CGM que chamou a atenção é que Viviane de Palma declarou que, ao contrário do que vinha sendo noticiado pela imprensa, ela não teria afirmado em seu relatório de 2024 que o esqueleto do prédio havia sido demolido.
O g1 teve acesso ao relatório produzido pela servidora, e a informação foi, de fato, registrada no documento. O relatório de vistoria afirma:
“No nosso entendimento técnico concluímos que a demolição, representada em levantamento planialtimétrico, foi efetuada em sua integralidade, dando lugar a execução de edificação nova em andamento”.
Relatório da servidora afastada da subprefeitura da Penha sobre prédio que desabou e matou seis pessoas.
No entanto, não fica claro se a edificação à qual Viviane faz referência no documento é a casa que existia no terreno antes da construção do prédio.
O projeto original aponta que a planta do terreno, de 256 mil metros quadrados, tinha um imóvel de 154 mil metros que deveria ser demolido. O projeto não esclarece se esse imóvel era a casa original do terreno ou o prédio que já havia sido erguido em seu lugar e que posteriormente foi embargado.
O g1 procurou a advogada Helena Gravito de Carvalho, que defende a servidora da Subprefeitura da Penha, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
A servidora municipal afirmou que o alvará de aprovação e execução previa a demolição do que havia sido construído, sendo que este documento padronizado na subprefeitura não constou a área a demolir, sem identificação especial.
Ela também disse que se baseou no que foi aprovado e, principalmente, no planialtimétrico, informação dos históricos de edificação e projeção do GeoSampa, o sistema de geolocalização de imóveis da gestão municipal.
Nesta terça-feira (15), a servidora também presta depoimento no 24° Distrito Policial da Penha, que investiga as mortes no acidente.
A CGM informou que outras pessoas poderão ser ouvidas na sindicância da prefeitura, conforme a necessidade identificada ao longo da apuração.
Em nota, a New Home Construtora afirmou que abriu uma investigação interna para apurar o ocorrido. A empresa disse que, neste momento, não há elementos que permitam afirmar que o desabamento tenha sido causado exclusivamente por uma conduta da construtora (leia mais abaixo).
Tragédia na Zona Leste
Prédio em construção desaba sobre casa em SP
O acidente ocorreu na madrugada de sábado (12) na Rua Tequeci. Oito pessoas que estavam no imóvel quando foram atingidas pelo prédio. Duas vítimas foram resgatadas com vida e seis morreram, sendo três mulheres, dois homens e uma menina de 7 anos.
Segundo a prefeitura, a construção já havia sido alvo de diversas fiscalizações e de uma ação judicial em 2021, quando o município pediu à Justiça a demolição de uma construção irregular no local.
A administração afirma que, na época, a Subprefeitura Penha havia realizado ações de fiscalização, aplicado multas e determinado a interdição da obra. Uma das multas chegou a R$ 119 mil.
O responsável pela construção havia solicitado um alvará em 2019, mas o pedido foi indeferido pelo município. Diante do descumprimento reiterado das medidas de fiscalização, a Justiça concedeu uma liminar determinando a paralisação das obras.
Imagens mostram evolução da obra do prédio que desabou da Zona Leste de SP
Em 2022, um novo projeto para o terreno foi apresentado à prefeitura. Em agosto de 2023, o município emitiu um alvará para a execução da nova obra. A autorização, segundo a gestão municipal, trazia uma determinação expressa para que a estrutura anterior fosse demolida.
Em fevereiro de 2024, uma vistoria foi realizada no endereço. O laudo, assinado pela servidora Viviane, registrou que a demolição havia sido realizada.
A prefeitura informou que a Polícia Civil também acompanha o caso e que continuará colaborando com as investigações para esclarecer as circunstâncias do desabamento e identificar eventuais responsáveis.
Três casas foram interditadas
A Defesa Civil vistoriou a área e interditou três residências localizadas no mesmo terreno vizinho à construção.
As causas do desabamento ainda não foram determinadas. Embora chovesse no momento do acidente, a Defesa Civil informou que não é possível atribuir o desmoronamento apenas à chuva.
O que diz a construtora
A New Home Construtora informou que abriu uma investigação interna para apurar o desabamento e afirmou que ainda não existem elementos suficientes para determinar sua causa.
A empresa disse que há um terreno vizinho onde são realizadas movimentações de terra e que essa circunstância também será analisada.
A construtora afirmou ainda que não se exime de eventual responsabilidade que venha a ser apontada pelas investigações, que está prestando apoio às famílias afetadas e que dará os esclarecimentos necessários às autoridades.
Veja o local onde ocorreu o desabamento