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Fecomércio-AC apoia alerta da CNC sobre impactos das bets na economia

Leandro Domingos representou a CNC em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu maior controle e fiscalização das apostas on-line no Brasil.

G1 — Brasil · 2026-09-15T15:45:04.000Z

Leandro Domingos representou a CNC em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu maior controle e fiscalização das apostas on-line no Brasil.

Fecomércio-AC alerta para impactos das bets no comércio e nas famílias

O crescimento das apostas on-line no Brasil e seus reflexos sobre o orçamento das famílias, o consumo e a atividade comercial foram tema de reunião no Palácio do Planalto, em Brasília. Representando o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o vice-presidente Financeiro da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e presidente do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac-AC, Leandro Domingos, apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a preocupação do setor produtivo com o avanço das chamadas bets.

Durante o encontro, Leandro Domingos defendeu medidas mais rigorosas de controle e fiscalização das plataformas, especialmente no combate às operações ilegais, além do aprimoramento das regras relacionadas à publicidade, ao acesso às apostas e à movimentação de recursos.

A reunião contou com representantes do governo federal, do setor produtivo e de organizações da sociedade civil. Também participaram o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ministros e representantes de instituições como CNI, Febraban, CNBB, Dieese, Idec, Abrasco e Instituto Alana.

Recursos que deixam de circular no comércio

A preocupação da CNC com as apostas ganhou força a partir de relatos de empresários, principalmente de pequenos negócios, que começaram a perceber mudanças no comportamento dos consumidores.

Entre os sinais observados estão a redução da capacidade de consumo e o aumento da inadimplência, em um cenário no qual parte crescente da renda das famílias passou a ser direcionada às plataformas de apostas.

“Isso é dinheiro que sai da nossa economia e deixa de circular no comércio”, afirmou Leandro Domingos.

O dirigente explicou ainda que os valores movimentados pelas plataformas não devem ser confundidos com o faturamento efetivo das empresas de apostas, uma vez que parte dos recursos retorna aos jogadores por meio do pagamento de prêmios.

Segundo dados apresentados pela CNC durante a reunião, a dimensão financeira alcançada pelo setor chama atenção.

“De janeiro de 2023 a março de 2026, os gastos chegaram perto de R$ 700 bilhões, sendo que, no ano passado, esse gasto foi de R$ 320 bilhões durante todo o ano”, destacou Leandro.

Para a Fecomércio-AC, a discussão interessa diretamente ao comércio acreano. Em uma economia fortemente dependente da circulação da renda e do consumo das famílias, os recursos direcionados às apostas passam a disputar espaço no orçamento doméstico com a aquisição de alimentos, roupas, medicamentos, serviços e outros produtos essenciais ou de consumo cotidiano.

O presidente do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac-AC ressaltou que a questão, portanto, ultrapassa os limites do setor de jogos.

“Os impactos ultrapassam a atividade econômica. O avanço das apostas pode contribuir para o endividamento das famílias e comprometer recursos destinados às necessidades básicas, além de produzir consequências sociais que exigem atenção do poder público”, afirmou.

CNC defende regras mais rígidas

Entre as propostas apresentadas pela CNC está o fortalecimento do combate às plataformas clandestinas, acompanhado de maior integração entre os órgãos responsáveis pela fiscalização. A entidade também defende a redução ou limitação do número de empresas autorizadas a operar apostas no País.

Outra preocupação envolve o acesso às plataformas e os valores movimentados pelos apostadores. A Confederação defende mecanismos capazes de ampliar o controle sobre quem pode apostar e sobre os recursos destinados aos jogos, além do endurecimento das regras relacionadas à publicidade e ao marketing das bets.

A CNC também considera necessária a criação de uma estrutura voltada à prevenção e ao atendimento de pessoas afetadas pelo vício em apostas, considerando os impactos financeiros, familiares e sociais associados ao problema.

Maior tributação da atividade e fiscalização rigorosa também foram apresentadas como instrumentos para conter o avanço desordenado das apostas e compensar parte dos efeitos provocados na economia e na sociedade.

“Há necessidade de melhorar os mecanismos de governança do Estado, com articulação mais eficiente de seus órgãos controladores”, afirmou Leandro Domingos.

Leandro Domingos representou a CNC em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu maior controle e fiscalização das apostas on-line no Brasil.

Comércio depende da renda circulando na economia

Na avaliação da Fecomércio-AC, o debate sobre as apostas on-line deve considerar não apenas a regulamentação da atividade, mas também seus efeitos sobre a capacidade financeira das famílias e sobre a circulação de recursos na economia.

Quando uma parcela significativa da renda é direcionada às apostas, há menos recursos disponíveis para o consumo de bens e serviços. Esse movimento pode afetar especialmente os pequenos negócios, que dependem diretamente da movimentação diária do mercado consumidor.

A preocupação ganha ainda mais relevância diante do nível de endividamento das famílias brasileiras e da necessidade de estimular o consumo responsável, preservar a capacidade de pagamento dos consumidores e manter recursos circulando na economia real.

Para a Fecomércio-AC, encontrar um equilíbrio regulatório capaz de enfrentar as operações ilegais, ampliar a fiscalização e reduzir os efeitos econômicos e sociais associados às apostas é fundamental para proteger consumidores e preservar um ambiente mais saudável para a atividade empresarial.

Ao final da reunião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo deverá avaliar medidas mais duras em relação às bets e reconheceu a necessidade de ampliar os mecanismos de fiscalização das plataformas.

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