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Palestino fica em frente a carro incendiado após ataque de colonos israelenses na vila de Sarra, perto de Nablus, na Cisjordânia, neste sábado (25). Ao fundo, o assentamento israelense de Havat Gilad.
G1 — Brasil · 2026-07-25T16:25:32.000Z
Palestino fica em frente a carro incendiado após ataque de colonos israelenses na vila de Sarra, perto de Nablus, na Cisjordânia, neste sábado (25). Ao fundo, o assentamento israelense de Havat Gilad.
O Exército de Israel afirmou ter detido mais de 70 suspeitos na Cisjordânia ocupada entre a noite de sexta-feira e este sábado (25).
As prisões ocorrem um dia após uma escalada de violência no território deixar dois soldados israelenses e quatro palestinos mortos.
As tropas israelenses mantiveram presença na vila de Tell, no norte da Cisjordânia, epicentro dos confrontos de sexta-feira.
Moradores relataram buscas intensas, incluindo uma invasão a um hospital na cidade de Nablus, uma das áreas mais violentas da região.
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Ghassan Barkat, diretor do Hospital de Especialidades de Nablus, disse a jornalistas que "mais de 50 soldados e oficiais armados invadiram o hospital, aterrorizando os pacientes".
Segundo o diretor, os militares amarraram e insultaram funcionários e pacientes, revistaram alas médicas e prenderam um homem gravemente ferido.
"Isso não deveria acontecer em uma instituição de saúde", afirmou Barkat, ressaltando que havia mulheres e crianças no local.
O Exército israelense não mencionou o hospital em seu comunicado, mas informou que mais de 300 locais foram revistados.
Segundo as forças armadas, os detidos incluem afiliados ao grupo terrorista Hamas, traficantes de armas e suspeitos de terrorismo.
Confrontos na vila de Tell
As circunstâncias dos eventos de sexta-feira ainda não estão totalmente claras.
No entanto, relatos da imprensa israelense e de autoridades palestinas indicam que um grupo de colonos israelenses entrou em Tell e foi confrontado por moradores que temiam um ataque.
A vila é uma área proibida para israelenses, classificada como Área B sob os Acordos de Oslo de 1993.
O Ministério da Saúde palestino informou que soldados israelenses mataram quatro palestinos na vila. Já os militares relataram a morte de dois soldados — um deles, um colono membro de um esquadrão de defesa local. Outros dois israelenses e quatro palestinos ficaram feridos.
Amin Shuman, presidente da comissão superior Palestina para assuntos de prisioneiros, afirmou que mais de 80 palestinos foram presos em todo o território. Ele classificou as ações como "uma tentativa de impor medidas punitivas coletivas e políticas de retaliação".
Novos ataques em Gaza
Paralelamente às tensões na Cisjordânia, ataques israelenses na Faixa de Gaza deixaram pelo menos quatro palestinos mortos e 15 feridos neste sábado, segundo autoridades de saúde locais.
Veja os locais atingidos:
Khan Younis (sul): um ataque aéreo matou um homem e uma mulher. Os corpos foram levados ao Hospital Nasser.
Jabaliya (norte): um bombardeio contra um veículo matou uma pessoa e feriu duas, segundo o Hospital Shifa.
Cidade de Gaza: um ataque a uma motocicleta no bairro de Sheikh Radwan matou o diretor da força policial da área.
Nuseirat (centro): um bombardeio no campo de refugiados deixou três feridos, atendidos em um hospital de campanha belga.
Deir al-Balah (centro): drones israelenses atingiram os arredores do Hospital Al-Aqsa, ferindo 10 pessoas. Testemunhas relataram cenas de caos durante a chegada dos feridos.
O Exército de Israel justificou o ataque perto do hospital Al-Aqsa afirmando ter atingido um membro da ala militar do Hamas, mas não comentou os demais atos. As forças israelenses alegam que os bombardeios são respostas a ataques a tiros contra suas tropas e outras violações.
Contexto e trégua frágil
A Cisjordânia tem enfrentado um aumento da violência sob o atual governo de linha dura de Israel, que tem impulsionado a construção de assentamentos nos últimos quatro anos.
A comunidade internacional considera essas construções ilegais e um obstáculo à paz. Mais de 700 mil israelenses vivem na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental.
Em Gaza, embora os combates mais pesados tenham diminuído desde o início de um frágil cessar-fogo em outubro (após dois anos de guerra), as forças israelenses continuam realizando ataques aéreos.
Desde a trégua, pelo menos 1.191 palestinos foram mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Do lado israelense, cinco soldados morreram no mesmo período.
A guerra foi desencadeada em 7 de outubro de 2023, quando terroristas do Hamas invadiram Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e sequestrando 251.
Desde então, a ofensiva israelense em Gaza deixou mais de 73.317 palestinos mortos, segundo as autoridades de saúde locais — cujos dados não diferenciam civis de combatentes, mas apontam que a maioria das vítimas são mulheres e crianças.
Os números do ministério são considerados confiáveis pela ONU e por especialistas independentes.