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Lei Rafaela Drumond: entenda como funciona legislação inspirada em escrivã morta após denunciar violência psicológica na polícia

Rafaela Drumond, escrivã da Polícia Civil que morreu em Barbacena

G1 — Brasil · 2026-09-16T08:00:00.000Z

Rafaela Drumond, escrivã da Polícia Civil que morreu em Barbacena

A Lei Rafaela Drumond, em Barbacena, estabelece medidas para prevenir e combater o assédio moral e sexual contra servidores públicos municipais. Entenda mais abaixo como funcionam as regras.

A legislação foi criada no município em novembro de 2023 foi renomeada em setembro de 2026 em homenagem à escrivã da Polícia Civil Rafaela Drumond, encontrada morta em 2023 após denunciar episódios de violência psicológica e assédio no ambiente de trabalho. A mudança na denominação da lei foi sancionada pelo prefeito de Barbacena na edição do Diário Oficial do Município (DOM) no dia 4 de setembro.

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O que a lei prevê?

Entre os principais pontos da legislação estão:

⚠️prevenção ao assédio moral e sexual no ambiente de trabalho;

🚶🏽‍♂️‍➡️proteção à integridade física e psicológica dos servidores;

🧠promoção da saúde mental;

📚desenvolvimento de ações educativas e de conscientização;

📝orientação de gestores e servidores para identificação e enfrentamento de situações de assédio;

⭐adoção de medidas preventivas pela administração pública municipal.

A proposta é criar um ambiente de trabalho mais seguro, humanizado e transparente para os servidores municipais.

O que a lei considera assédio moral:

📃apropriar de maneira indevida de propostas e planos de terceiros;

🙍🏻‍♀️desdenhar, isolar e desvalorizar colaboradores;

✒️sonegar informações importantes para a concepção de trabalhos;

🗣️incitar e disseminar boatos de cunho malicioso sobre alguém no ambiente de trabalho;

🖥️separar e afastar de maneira física um funcionário dos demais, limitando-o do convívio;

🫢discriminar, rebaixar moralmente, constranger, excluir socialmente

O que a lei considera assédio sexual:

📢ações ou verbalização, escritas ou faladas, de natureza sexual;

💐pedidos de favores sociais sob o argumento de se obter qualquer tipo de tratamento especial, com promessas e argumentos repetitivos;

🗣️coação de funcionários para continuidade no emprego ou mesmo promoção no cargo exercido;

⚠️manifestações claras de ameaças de retaliação, sob o risco de, por exemplo, o funcionário perder a função que ocupa;

🤬 ocorrência de conflitos, insultos e provocações;

😡conversas de caráter hostil e indesejável a respeito de sexo;

🚫emprego de vocábulos de teor sexual ou mesmo narrativas de anedotas;

🔇indagações imprudentes e inconvenientes sobre a vida particular do trabalhador;

👋conversa próxima com contato físico sem que esse seja desejado pela pessoa;

💝convites e pedidos inconvenientes;

🏩coerção para que o trabalhador participe de compromissos fora do ambiente de trabalho;

🔞apresentação explícita de material com conteúdo pornográfico, o que abrange o envio de mensagem;

📖demais definições constantes no ordenamento vigente.

A legislação ainda versa que a autoridade que tiver conhecimento de uma ocorrência de assédio moral ou sexual tem a responsabilidade realizar a comunicação do fato ao setor competente, sob pena de incorrer em conduta omissiva.

Durante o processo administrativo para apuração dos fatos, o servidor acusado de assédio moral ou sexual poderá ser afastado ou transferido temporariamente, para prevenir transtorno ou ameaça ao denunciante, sem que haja qualquer prejuízo à Administração Pública.

Lei é renomeada de Rafaela Drumond

De acordo com a Prefeitura de Barbacena, a medida reconhece a trajetória de Rafaela, considerada “um marco estadual e nacional na conscientização sobre os impactos da violência psicológica nas relações de trabalho e na urgente necessidade de preservação da saúde mental dos trabalhadores”.

A lei estabelece proteção integral aos servidores, preservação da saúde mental, canais de denúncia e medidas preventivas. “A promulgação e vigência da Lei Rafaela Drumond busca um serviço público humanizado, transparente e intransigente na defesa dos direitos e do bem-estar dos profissionais que atendem a população.”

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Relembre o caso Rafaela Drumond

Rafaela Drumond tinha 31 anos quando foi encontrada morta pelos pais na cidade de Antônio Carlos, na Zona da Mata Mineira. A morte passou a ser investigada depois que a corregedoria informou que ela havia denunciado assédio sexual e pressão na delegacia em que trabalhava, em Carandaí, na Região do Campo das Vertentes.

A família de Rafaela atribuiu os assédios sofridos pela vítima ao delegado Itamar Cláudio Netto e ao investigador Celso Trindade de Andrade. Eles foram indiciados por condescendência criminosa e injúria, respectivamente.

A Justiça de Minas Gerais arquivou o inquérito que apurava as acusações contra Celso Trindade de Andrade. Já Itamar Cláudio Netto celebrou um acordo de transação penal com o Ministério Público de Minas Gerais e pagou multa de R$ 2 mil. Com o cumprimento do acordo, o processo foi extinto sem condenação criminal.

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