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Muito além da arbitragem, São Paulo expôs seu limite

Grande festa da torcida do São Paulo, na chegada do ônibus da equipe ao Morumbis

ge — Futebol · 2026-09-16T10:00:01.000Z

Grande festa da torcida do São Paulo, na chegada do ônibus da equipe ao Morumbis

Não é segredo para ninguém que a torcida são-paulina mantém uma relação especial com as noites de Libertadores. E, mesmo quando não é Libertadores, o são-paulino às vezes finge que é. Por isso, o Morumbi recebeu 55 mil almas dispostas a oferecerem um espetáculo digno dos maiores embates continentais, ontem, pelas quartas de final da Sul-Americana, contra o Boca Juniors.

No entanto, depois que a bola rolou, demorou muito pouco para cair a pesada ficha da realidade -- tanto São Paulo quanto Boca Juniors logo deixaram evidente que estão distantes da época em que, cada qual a seu tempo, dominaram o futebol da América do Sul. E, bem, por algum motivo estavam em campo disputando a segunda competição do continente, em termos de importância.

Gustavo Santana em São Paulo x Boca Juniors

A impaciência da torcida são-paulina sublinhava a fraca atuação da equipe de Dorival Júnior. O time sentiu o jogo, em vários aspectos. Novamente escalado com três agueiros, o São Paulo perdia o domínio do meio de campo, e assim praticamente não criou nada no primeiro tempo, exceto por uma cabeçada de Gustavo Santana, defendida pelo arqueiro xeneize.

Dorival conseguiu traduzir a atuação na pausa hidratação, quando foi possível ouvir o técnico brasileiro pedindo calma ao time: "Tudo que a gente podia errar, nós já erramos". Assim como na primeira partida, "El Vasco" Arruabarrena vencia o duelo tático ao anular os laterais tricolores, e o São Paulo era tão incisivo quanto uma faca sem fio -- e nem manteiga no pão conseguia passar. Ainda que conte com um jogador do nível de Paredes, também o Boca Juniors é um time precário, mas que soube se defender com maestria.

Para infelicidade da torcida, o vaticínio de Dorival estava incorreto: o São Paulo ainda não havia errado o suficiente. Ainda que o jogo tenha aumentado de temperatura, com a equipe melhorando e mostrando alguma imposição, o time continuou cometendo equívocos, e um deles se mostrou crucial. No caso, quando os zagueiros avançaram de forma desnorteada e deixaram o campo aberto para Leandro Lozano abrir o placar.

Leandro Lozano, do Boca Juniors, comemora gol contra o São Paulo, pela Copa Sul-Americana

NELSON ALMEIDA / AFP

O desfecho do jogo poderia ter sido diferente se o gol de Ryan não fosse anulado por milímetros -- é um lance que não permite uma conclusão inequívoca, portanto deixa margem para reclamação, já que na Sul-Americana o impedimento ainda não é semiautomático. A desclassificação, no entanto, não pode ser colocada na comanda da arbitragem.

O São Paulo continuou martelando, mas de maneira confusa, com Artur e Ferreira jogando em lados invertidos e um meio-campo mais apressado do que criativo. Ao fim do jogo, eram nada menos que seis atacantes e muito pouca capacidade de criação. E o gol que saiu tarde demais, em cabeçada de Domingos Duarte, serviu para impedir uma derrota e conquistar um empate que, na prática, nada significa.

O duelo contra o Boca Juniors deixou claro o limite do São Paulo. Quando o jogo que poderia salvar a temporada se apresentou, a equipe mostrou-se insuficiente. Dorival Júnior tem sua parcela de responsabilidade, é evidente, mas não se pode cair na armadilha de superestimar o elenco que ele tem em mãos. A campanha no Brasileiro, com o time sempre às voltas com o Z4, mostra isso. Eliminado das copas, o São Paulo entra na reta final da temporada diante da incômoda possibilidade de que as únicas emoções disponíveis sejam aquelas que sua torcida não gostaria de viver.

Veja a entrevista coletiva de Dorival Júnior depois do empate do São Paulo com o Boca Juniors

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