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Contador, administradora e veterinária: quem são suspeitos de fraude de mais de R$ 15 milhões na Bahia

Grupo movimentou mais de R$ 32 milhões e causou prejuízo superior a R$ 15 milhões.

G1 — Brasil · 2026-09-16T09:55:36.000Z

Grupo movimentou mais de R$ 32 milhões e causou prejuízo superior a R$ 15 milhões.

Três pessoas de diferentes áreas profissionais foram presas em Salvador durante uma operação que investiga um esquema de criação e negociação de títulos de crédito e recebíveis fraudulentos. Segundo a Polícia Civil, o grupo movimentou mais de R$ 32 milhões e causou prejuízo superior a R$ 15 milhões.

Entre os presos estão um contador apontado como principal articulador do esquema, uma administradora que, segundo a investigação, atuava na área financeira e contábil, e uma médica-veterinária que teria participado da movimentação patrimonial e societária das empresas investigadas.

Grupo é suspeito fraude e movimentar R$ 32 milhões em Salvador

Os três foram presos na terça-feira (15), durante a Operação Sem Lastro, que também cumpriu oito mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais e comerciais de Salvador.

Quem são os suspeitos

Caio Vinícius Sande Santos

O contador Caio Vinícius Sande Santos, preso em Jardim Armação atuava nas áreas financeira e comercial.

Preso no bairro de Jardim Armação, Caio Vinícius é apontado pela polícia como o principal investigado no esquema. Segundo as investigações, ele atuava nas áreas financeira e comercial e era responsável pela criação, falsificação e negociação dos títulos.

De acordo com a polícia, Caio também participava dos chamados autopagamentos, quando recursos de empresas ligadas ao grupo eram utilizados para quitar parte dos próprios títulos. A prática teria ajudado a criar uma aparência de capacidade financeira e permitido a negociação de novos documentos.

A investigação aponta ainda que, mesmo depois de as primeiras irregularidades serem identificadas, ele teria apresentado uma nova carteira de títulos fraudulentos, no valor de R$ 17 milhões.

Kaliana Argolo de Oliveira

A administradora Kaliana Argolo de Oliveira, presa no Jardim das Margaridas, atuava na área financeira e contábil.

Administradora e ex-esposa de Caio Vinícius, Kaliana foi presa no bairro do Jardim das Margaridas.

Segundo a investigação, ela atuava na área financeira e contábil das empresas utilizadas no esquema. Os autos apontam que a administradora participava da manipulação de balanços e de informações financeiras para dar aparência de solidez econômica aos negócios.

A polícia também investiga a relação entre a atuação de Kaliana e a estrutura utilizada para a emissão e negociação dos títulos considerados fraudulentos.

Adriana Gonçalves Sande Santos

Adriana Gonçalves Sande Santos é médica-veterinária e esposa do principal suspeito.

Médica-veterinária e atual esposa de Caio Vinícius, Adriana foi presa durante a operação. Segundo a polícia, ela tinha atuação principalmente nas áreas patrimonial e societária do grupo.

Um dos pontos investigados é a transferência, em março de 2026, da totalidade das cotas de uma empresa, avaliadas em R$ 1 milhão, para Adriana.

A movimentação ocorreu enquanto a investigação já estava em andamento. Para a polícia, a transferência pode ter relação com uma suposta separação simulada e teria como objetivo proteger o patrimônio e dificultar uma eventual recuperação de bens.

Publicações nas redes sociais, no entanto, indicaram que o casal continuava mantendo a relação e convivendo.

O g1 e a TV Bahia tentaram contato com as defesas dos três suspeitos, mas não tiveram retorno até a última atualização desta reportagem.

Como funcionava o esquema investigado

Segundo a Polícia Civil, os suspeitos utilizavam empresas ligadas ao setor veterinário, com atividades de comercialização e armazenamento de ração e insumos, para dar aparência de regularidade às operações.

A investigação identificou mais de mil duplicatas falsas envolvendo mais de 200 empresas que apareciam nos documentos como responsáveis pelos pagamentos. Segundo a polícia, essas empresas não haviam realizado as operações comerciais descritas nos títulos.

Os documentos eram então negociados no mercado financeiro como se representassem dívidas reais.

Grupo é suspeito de criar mais de mil títulos de créditos falsos e movimentar R$ 32 milhões em Salvador

Pedro Moraes / Ascom-PCBA

Para manter a estrutura funcionando, o grupo teria utilizado recursos das próprias empresas para pagar parte dos títulos. Com isso, segundo a investigação, conseguia transmitir uma falsa impressão de que os negócios tinham capacidade para honrar os compromissos.

Segundo o delegado José Nélis, responsável pela operação, o esquema atingiu comerciantes e investidores.

Algumas pessoas tiveram os nomes protestados por títulos que, segundo a investigação, não correspondiam a dívidas reais. De acordo com o delegado, os prejuízos foram especialmente graves para pequenos comerciantes.

A polícia estima que o grupo tenha movimentado mais de R$ 32 milhões e provocado prejuízo superior a R$ 15 milhões.

Durante o cumprimento dos mandados, policiais apreenderam celulares, tablets, escrituras, cadernos, comprovantes bancários e outros documentos.

O material será analisado pelos investigadores para ajudar a esclarecer a participação individual dos suspeitos, rastrear a movimentação dos recursos e identificar outras pessoas que possam ter participado do esquema.

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